Eu vejo você: porque mulheres negras continuam a depender umas das outras

Texto de Jacqui Germain. Publicado originalmente com o título: “I See You: Why Black Women Continue to Depend on One Another”, no site For Harriet em fevereiro de 2016. Tradução de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

O aniversário de Zora Neale Hurston foi em 7 de janeiro. Escritores de toda parte comemoraram o 125º aniversário de Hurston citando suas frases favoritas e fazendo reflexões sobre o legado de sua escrita. Ela é mais conhecida pelo influente texto de 1937, Their Eyes Were Watching God (1), além de ser autora de vários outros livros igualmente corajosos, peças de teatro, contos, poemas e ensaios. Their Eyes Were Watching God foi adaptado para os palcos, para o cinema e, apresenta-se orgulhosamente em muitas estantes de livros dentro e fora da academia. Hoje, poucas pessoas contestariam a importância desse livro, ou o mérito da sabedoria e capacidade da autora mas, como acontece muitas vezes com artistas negros ou de outras etnias, a fama póstuma de Hurston supera o reconhecimento que recebeu enquanto estava viva.

Poucas pessoas sabem que Hurston morreu num asilo do Estado e que foi enterrada como indigente em 1960. Poucas pessoas sabem que seu trabalho ficou desconhecido por muitos anos depois disso. Na verdade, Their Eyes Were Watching God estava quase perdido na obscuridade, assim como seus outros trabalhos, até mesmo a localização de seus restos mortais. Mas, você sabe quem olhou para ela? Você sabe quem a encontrou e empurrou sua escrita de volta para a luz literária? Você sabe quem, com a ajuda de uma pessoa amiga, pagou por uma lápide, feita 13 anos após a morte de Hurston? Alice Walker, outra escritora negra com seu próprio currículo expressivo de trabalho, mais conhecida por seu romance de 1982, A Cor Púrpura.

“Nós somos o que somos com todas as nossas partes … Nós temos nossa Langston, temos a nossa Dubois, temos a nossa Zora, temos a nossa Nella, você sabe — é um ótimo remédio, é uma boa maneira de ser — completa. Nós queremos ser inteiras.” — Alice Walker, numa palestra de 2003 na Barnard College.

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