“Já que não me entendes, não me julgues, não me tentes”: um relato sobre a II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas

Texto de Julia Kumpera e Daniele Biscoito, Mulheres do Grupo Identidade.

Um relato sobre a II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas – 25 de junho de 2016.

Você, sapatona, acha importante pautar a sua lesbianidade politicamente? Ou estamos falando apenas de expressão de um desejo individual?

Na sociedade em que vivemos, ser lésbica significa romper com o pressuposto da heterossexualidade (compulsória) e com o sexo centrado no falo. Ser lésbica escancara que sentimos desejo a partir do nosso próprio corpo e que não precisamos de um homem para ter orgasmos. Quando adentramos neste imenso mar que é a sexualidade lésbica, descobrimos que podem existir mil possibilidades de (re)inventar o sexo e que o desejo brota em qualquer parte do nosso corpo.

Entendendo a importância de valorizar e dar visibilidade às mulheres lésbicas e de escancarar nossa potência juntas, nos reunimos para a construção da II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas/SP. Entendemos que este seria um importante momento para dar visibilidade às questões lésbicas, além de celebrar nossas ferramentas de resistência contra o cis-tema patriarcal. Este ano nossa homenageada foi a sapa-diva Cássia Eller!

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Eu me recuso a ser invisível

Texto de Marcielly Moresco para as Blogueiras Feministas.

“Eu tenho tido de lutar por isso a minha vida inteira, pai. A minha vida inteira estranhos, namoradas! Porra, até contra os meus pais! Todos me pedindo para ser algo que eu não sou. Você tem alguma ideia de como é isso? A puta da sua existência ser negada, como: ‘Opa, seria melhor se você fosse invisível?’ ‘sim’. Eu me recuso a ser invisível, papai. Nem por você, nem pela mamãe, nem por ninguém.” – Big “Carrie” Boo (Orange is the New Black – 3×04 – Finger In The Dyke).

A invisibilidade tem algumas facetas. Ela pode ser considerada um poder e uma estratégia ou uma segregação aliada à violência da negação do indivíduo.

Na linguagem popular da ficção científica, da literatura, do cinema e dos quadrinhos o poder de ser invisível serve como proteção às personagens contra perigos e inimigos, ajudados por um objeto que os tornam invisíveis ou não. A invisibilidade pode também ser um instrumento para que se exerça outros poderes sobre os inimigos. Alguns exemplos famosos da temática invisibilidade como poder estão na capa da invisibilidade do bruxo Harry Potter; na Mulher Invisível do Quarteto Fantástico; no Homem Invisível (publicação de 1897); no Um Anel que torna os Hobbits invisíveis na saga do Senhor dos Anéis; nas naves espaciais invisíveis de Star Trek; na personagem Violeta de Os Incríveis; no Gato de Cheshire (personagem de Alice no País das Maravilhas); no filme publicitário “Homem Invisível” de uma marca de cerveja, entre outros.

No entanto, fora do mundo ficcional, a invisibilidade atinge seres socialmente invisíveis pela diferença, pelo preconceito, consistindo em uma forma simbólica de segregação e uma prática que estigmatiza os sujeitos como negados e/ou não aceitos socialmente.

A lesbianidade, de acordo com algumas teóricas feministas, constitui uma das formas mais invisíveis de representação social, pois o senso comum considera as trocas de afetos entre mulheres como práticas comuns do gênero feminino. Embora, contemporaneamente, o que se sente na pele são outras mulheres evitando abraçar, beijar e/ou demonstrar carinho em uma mulher sapatã por medo e vergonha de serem associadas a essa orientação sexual.

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SENALE/SENALESBI: 20 anos de luta e desconstrução do machismo, do racismo e da LBfobia

Texto de Marinalva Santana para as Blogueiras Feministas.

Entre os dias 09 e 12 de junho de 2016, Teresina, capital do Piauí, sediou o 9° Seminário Nacional de Lésbicas e Mulheres Bissexuais – SENALESBI. Esta edição do Seminário foi a primeira a garantir o co-protagonismo das mulheres bissexuais, inclusive no nome e na sigla.

Como sabemos, da primeira à 7° edição do evento usava-se o nome: Seminário Nacional de Lésbicas – SENALE. No 8° Seminário, realizado em 2014, na cidade de Porto Alegre, usou-se o nome: Seminário Nacional de Lésbicas e Mulheres Bissexuais, mas a sigla SENALE foi mantida. Na plenária final de Porto Alegre, reconhecendo que as mulheres bissexuais estiveram presentes desde a primeira edição do evento, mas eram invisibilizadas, inclusive no nome do Seminário, deliberou-se pela mudança do nome, que passaria a ser chamado, a partir desta edição do Piauí: SEMINÁRIO NACIONAL DE LÉSBICAS E MULHERES BISSEXUAIS – SENALESBI.

Em duas décadas de existência, o Seminário se consolidou como o maior e mais importante evento do segmento de lésbicas e mulheres bissexuais no Brasil. Além de favorecer o encontro de idéias e proposições, oportuniza a elaboração de estratégias de atuação conjunta que visam garantir e ampliar direitos de lésbicas e mulheres bissexuais.

O 9° SENALESBI aconteceu em uma conjuntura adversa, posto que o avanço das pautas conservadoras tem contribuído para a ameaça de muitas conquistas alcançadas ao longo de nossa organização. Com o tema “20 anos de luta e desconstrução: desafios e perspectivas”, o Seminário mobilizou mais de 170 mulheres de todas as unidades Federação, exceto Amapá e Rondônia.

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