Maquiagem X Rosto Natural

Texto de Jennifer Frank para as Blogueiras Feministas.

Apesar de conhecer pouco sobre o universo da maquiagem, e quando digo pouco me refiro desde técnicas, tipos de produtos e tudo o que possa estar envolvido, sempre usei o básico – o que para mim é pó facial e algo que dê cor ao meu rosto, no caso batom. Claro que cada um julga o que é básico para si, mas de acordo com pesquisas, um kit básico contém corretivo, base, pó, sombra marrom, lápis preto ou marrom, rímel, blush, dois tons de batom e demaquilante. Olhando o catálogo de produtos com preços populares das marcas mais famosas, o básico custa em média R$185,20.

Nunca gastei dinheiro com tantos produtos nem para esconder espinhas, olheiras ou disfarçar a cara de sono. Minhas compras acontecem em tempos bem esporádicos, pois uso maquiagem em pouquíssimos casos, mais por questão pessoal de autoestima, que nestes momentos me faz sentir bem.

Apesar disso, não tenho problema em sair de cara limpa e que as pessoas me vejam assim (é bem provável que me encontrem dessa maneira). Muita gente se maquia totalmente por conta destes receios ou simplesmente porque gosta, o que não é problema gostar de maquiagem só para quebrar estigmas. O importante é sentir-se bem com ou sem maquiagem. Embora este comércio faça com que seja seguido um padrão de rosto julgado como perfeito: sem espinhas, sem cravos, sem olheiras, sem sardas e sem tudo o que for possível esconder ou no mínimo, disfarçar.

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Nem vem tirar meu riso frouxo com algum conselho que hoje eu passei batom vermelho

Texto de Nina Spim.

Não sou super vaidosa. Acho que ser vaidosa demais dá trabalho e demanda tempo e eu gosto da praticidade, da economia de minutos, porque sou do tipo que vive atrasada. Mas, quando vivo períodos de estresse extremo e me sinto com a autoestima baixa, recorro de bom humor à maquiagem. Às vezes, um vestido novo quebra um galho na hora de se sentir para cima, mas, no meu caso, nada como melhorar pelo menos um pouquinho o aspecto do meu rosto, que oscila entre o “cansada” e o “cara de panda”. E, para tanto, recorro a um batom.

Foto de Silvana 7 no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Foto de Silvana 7 no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Não, não sou maníaca por batons. Tenho o suficiente para não ser a-menina-de-um-só-batom, por exemplo. Mas, ah, eles tingem a nossa alma por fora! Revelam demais como nos sentimos por dentro, acredito. Para as românticas, nada como um tom suave de rosa. Para as “alternativas”, uma cor de vinho manda a sua mensagem. E, para aquelas que precisam de um up no humor, um vermelho.

Vermelho, sim! E não tem nada a ver com chamar a atenção de um homem – acredite, é o que as pessoas pensam. Que as mulheres resolvem passar batom vermelho com o intuito puramente sexual. Afinal, pra que a gente se arrumaria, não é mesmo? Certamente, não é para nos sentirmos melhores depois de uma super semana de provas na faculdade. Mulher vive para o homem. É assim desde que o mundo é mundo.

Eu uso batom vermelho para devolver um tapa na cara da vida, e só. É porque, para mim, nada mais importante do que eu me sentir bem comigo mesma. O efeito de estar em paz consigo mesma é purificador. E não tem nada de errado em querer se sentir um pouco mais bonita. Usar qualquer tipo de maquiagem deveria ser uma escolha, antes de tudo. Porém, há pessoas que são obrigadas, seja pela profissão, seja por pressão social. Conheço pessoas que não usam e muita gente que só quer tomar conta da vida alheia se espanta. Afinal, para uma mulher deveria ser natural se simpatizar com esses artifícios, certo? Toda mulher tem que ser vaidosa e feminina, ponto final. Tem que responder às expectativas das outras mulheres, dos homens e da sociedade. E, num mundo onde sair sem maquiagem a faz parecer “com cara de sono”, aquelas que o fazem tomaram uma escolha, assim como eu, ao usar o meu batom vermelho.

Mulheres continuam sendo mulheres com ou sem a ajuda maquiagens. E não tem nada a ver com um batom vermelho. Mulheres continuam sendo mulheres com ou sem a ajuda maquiagens. E não tem nada a ver com a cor do batom. Nem mesmo quando ele é vermelho.

Autora

Nina Spim tem 22 anos. Cursa Jornalismo na PUC/RS, adora as palavras, mora nos livros, gosta de cinema como um esporte, é seriadora aos fins de semana e escritora compulsiva. Autora dos contos “Heart and Love” e “Coisas, definitivamente, de Amélia” das Antologias: Amor nas Entrelinhas e Aquarela, respectivamente, pela Adross Editora. Dona do blog: Nina é uma.

Sobre o “Desafio Sem Maquiagem”

Texto de Lara De Paula Passos.

Refleti muito antes de escrever um texto sobre esse assunto. Há algum tempo eu vinha observando a movimentação dessa nova onda de “desafios” online — e as opiniões aqui e acolá sobre cada um deles. O que quero fazer aqui é refletir especificamente sobre o “Desafio Sem Maquiagem” ou “Desafio Sem Make”, que contou com a adesão de diversas mulheres famosas e “anônimas” na esfera virtual.

Imagem: Getty Images.
Imagem: Getty Images.

Acho que existe muito cinza entre o preto e o branco. Portanto, para mim é delicado conceituar ações desse grau apenas como fúteis ou como corajosas. Cada caso é um caso. Cada mulher tem seu motivo para aderir ao desafio ou para rejeitá-lo. Porém, é preciso pensar o que significa, de um modo amplo, chamar o ato da retirada de maquiagem um “Desafio”.

É por que ser aceita tal qual se é, sem pinturas e edições, significa desafiar todo um mecanismo de influência nutrido pela mídia e pelas grandes empresas de cosméticos? É se despir de uma “armadura”, que é usada para ser socialmente aceita e tentar avivar a autoestima? Ou é só pelos “likes”?

Para muita gente é um desafio sair sem maquiagem. Mas, quem são essas pessoas? Como elas se sentem quando alguém as chama de bobas ou fúteis? Tem muita coisa que a gente não quer mostrar. Cicatrizes, manchas que preferimos esconder, porque a imagem daquilo nos traz repulsa sobre nós mesmos. Quem não tem alguma marca no corpo que gostaria de não ter?

Eu não uso maquiagem. E nem chega a ser uma decisão fortemente ideológica de resistência (como manter o cabelo cacheado para mim é). É preguiça mesmo, 99% das vezes. Passo batom e olhe lá, porque é rápido e dá pra fazer sem espelho. É só algo que não me é caro. Desafio para mim é usar maquiagem, gastar um tempo para pintar o rosto de uma forma que seja considerada bonita, acertar os traços, as combinações de cores. Me diverti quanto tentei, mas uma vez a cada mil anos e para mim já deu. Não sou iniciada. Mas isso não significa que eu esteja de bem com a minha aparência ao natural.

Mulheres que se produzem são mais inseguras? Minha vivência diz que não. O desafio que eu sinto que deveria ser protagonizado era o de se curtir, sem esperar muito das curtidas dos outros — da aprovação da mídia e de sei lá mais quem. O desafio mesmo é empoderar-se enquanto mulher, de cara limpa ou maquiada, com silicone ou bronzeamento artificial, do jeito que cada uma escolheu manipular o próprio corpo e que legitime a sua própria voz ativa sobre o seu corpo.

Em resumo, o que quero dizer é: ponha maquiagem, tire maquiagem, mas reflita conscientemente, permaneça verdadeira a você. Perceba as manipulações, as influências. Quebre as regras. Transgrida. Boicote o senso comum de que você tem que estar perfeita o tempo todo, do jeito que lhe dizem, mostrando que você é perfeita sim, mas de qualquer jeito, desde que seja seu jeito. Se divirta, se permita. Faça o que lhe apraz com consciência ativa e chegue mais perto da sua liberdade.

Lara De Paula Passos.
Lara De Paula Passos.

Autora

Lara De Paula Passos é negra, feminista e estudante de Antropologia com habilitação em Arqueologia pela UFMG. Tem 19 anos e planos de seguir na linha de pesquisa sobre os discursos de gênero feitos sobre a pré-história. Gosta de pão de queijo e afeto.

+ Sobre o assunto:

[+] A loucura pela beleza. Por Karen Polaz no Biscate Social Club.

[+] Quanto ao desafio sem maquiagem. Por Daniela Andrade no Biscate Social Club.

[+] Por que eu não participei do Desafio Sem Make. Por Gizelli Souza no Lugar de Mulher.

[+] “Parem com a loucura da beleza”: escritora confronta padrões em projeto de campanha publicitária.

[+] Desafio de foto sem maquiagem incentiva doação para hospital.