Fale com Veca e descubra seus babados

Todos os dias somos inundados por novos canais no Youtube. E, temos acompanhado cada vez mais mulheres usando essa plataforma para produzir conteúdo e nos aproximar de diferentes universos, promovendo uma grande variedade de maneiras de ser mulher e visibilizando nossa diversidade.

A Veca (apelido de Verônica) é uma dessas mulheres. Há algum tempo, pesquisando sobre projetos de mulheres com deficiência, conhecemos o canal: Fale com Veca. Por meio de financiamento coletivo foram produzidos 10 vídeos. Com muitas risadas e o sonho de trabalhar com o diretor espanhol Pedro Almodóvar, Veca nos leva para seu cotidiano, suas vivências, seus desejos e formas de encarar o mundo. Recentemente, ela lançou um novo canal: Babados da Veca. Decidimos entrevistá-la para que você também possa conhecê-la e descobrir como é legal conhecer uma pequena.

1. Nos vídeos divulgados em seu canal, você se chama e se refere a outras pessoas com nanismo como “pequenos”. Você pode falar mais sobre isso? É um meio de se identificarem ou de tirar o peso das palavras: anão e anã?

Então, quado estive na gringa pra fazer uns exames, descobri que lá eles se referem a nós, como “Litlle People”. Achei foférrimo e, não só eu como outros pequenos também adotamos esse termo, até por ser mais carinhoso!! Falar “anão”, não está errado, assim como falar Portador de Nanismo ou Déficit Agudo do Crescimento… ahaha mas esse é muito complicado, prefiro “Pequenos e Pequenas” mesmo!!!

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Olhos abertos: o apagamento das pessoas asiáticas na mídia

Texto de Tayná Miessa para as Blogueiras Feministas.

Já faz um tempo que acompanho as discussões sobre o apagamento de pessoas asiáticas na mídia.  Esses dias, ao ver a estreia da novela “Sol Nascente”, da Rede Globo, só consegui pensar: alguém precisa parar essas pessoas!

Primeiro, vamos pensar um pouco sobre o apagamento das pessoas asiáticas na mídia.

Nos filmes de Hollywood é bem comum encontrar atores e atrizes ocidentais fazendo um papel que, pelo contexto, seria destinado a pessoas asiáticas. Há exemplos clássicos, como “A Estirpe do Dragão” (1944) em que a atriz americana Katherine Hepburn interpreta uma chinesa que lidera seu vilarejo na luta contra os invasores japoneses. Em dois exemplos recentes, Emma Stone interpreta uma piloto descendente de havaianos, suecos e chineses em “Sob o mesmo céu (2015)”; e Scarlett Johansson interpretará Motoko Kusanagi no filme “Ghost in the shell” (2017).

Mas, se atrizes e atores ocidentais estão ocupando os papéis asiáticos, por onde andam as atrizes e atores asiáticos? Pois bem, as mulheres asiáticas estão interpretando papéis exóticos, onde geralmente são hipersexualizadas, sempre curiosamente misteriosas e sedutoras ou são submissas, quietinhas. E os homens asiáticos, pois bem, eles são representados quase sempre negativamente, como os nerds, os fracos, não atrativos e de pinto pequeno.

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Eu me recuso a ser invisível

Texto de Marcielly Moresco para as Blogueiras Feministas.

“Eu tenho tido de lutar por isso a minha vida inteira, pai. A minha vida inteira estranhos, namoradas! Porra, até contra os meus pais! Todos me pedindo para ser algo que eu não sou. Você tem alguma ideia de como é isso? A puta da sua existência ser negada, como: ‘Opa, seria melhor se você fosse invisível?’ ‘sim’. Eu me recuso a ser invisível, papai. Nem por você, nem pela mamãe, nem por ninguém.” – Big “Carrie” Boo (Orange is the New Black – 3×04 – Finger In The Dyke).

A invisibilidade tem algumas facetas. Ela pode ser considerada um poder e uma estratégia ou uma segregação aliada à violência da negação do indivíduo.

Na linguagem popular da ficção científica, da literatura, do cinema e dos quadrinhos o poder de ser invisível serve como proteção às personagens contra perigos e inimigos, ajudados por um objeto que os tornam invisíveis ou não. A invisibilidade pode também ser um instrumento para que se exerça outros poderes sobre os inimigos. Alguns exemplos famosos da temática invisibilidade como poder estão na capa da invisibilidade do bruxo Harry Potter; na Mulher Invisível do Quarteto Fantástico; no Homem Invisível (publicação de 1897); no Um Anel que torna os Hobbits invisíveis na saga do Senhor dos Anéis; nas naves espaciais invisíveis de Star Trek; na personagem Violeta de Os Incríveis; no Gato de Cheshire (personagem de Alice no País das Maravilhas); no filme publicitário “Homem Invisível” de uma marca de cerveja, entre outros.

No entanto, fora do mundo ficcional, a invisibilidade atinge seres socialmente invisíveis pela diferença, pelo preconceito, consistindo em uma forma simbólica de segregação e uma prática que estigmatiza os sujeitos como negados e/ou não aceitos socialmente.

A lesbianidade, de acordo com algumas teóricas feministas, constitui uma das formas mais invisíveis de representação social, pois o senso comum considera as trocas de afetos entre mulheres como práticas comuns do gênero feminino. Embora, contemporaneamente, o que se sente na pele são outras mulheres evitando abraçar, beijar e/ou demonstrar carinho em uma mulher sapatã por medo e vergonha de serem associadas a essa orientação sexual.

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