Os homens que não amavam as mulheres

Quem adaptou o romance Os homens que não amavam as mulheres teve um trabalho gigantesco: transpor uma obra fantástica, de alto impacto, um sucesso estrondoso, para as telas. De catatau de mais de 500 páginas para filme de quase três horas. David Fincher, o diretor, também suou. O resultado valeu a pena, embora não tenha sido expresso em muitas indicações para prêmios, sobretudo para o Oscar (em que a maior parte das indicações do filme foi para prêmios técnicos).

Cena do filme Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (2011)

O filme acompanha o jornalista sueco Mikael Blomkvist, recém-condenado por difamação de um empresário bastante suspeito, em uma investigação a respeito do sumiço de uma mocinha que ocorreu há 40 anos. Quem o contrata é o tio-avô da moça, angustiado com o desaparecimento da sobrinha favorita. A história dele se cruza com a da hacker Lisbeth Salander, considerada pelo Estado uma sociopata que necessita urgentemente de tutela desde a adolescência.

Aviso: spoilers a partir daqui

A produção se esmerou em trazer para a tela a sensação de frio e isolamento físico/psicológico dos protagonistas, que se movimentam entre um grupo pequeno de pessoas. Mikael e principalmente Lisbeth estão praticamente sozinhos – lembro mais uma vez que estou falando do filme, certo? As cores na tela se tornam mais quentes quando se trata de algumas lembranças de Henrik Vanger, o velho industrial que quer saber o que houve com a sobrinha Harriett. As cores empalidecem quando as cenas do passado deixam de ser as lembranças de Vanger e passam a ser a reconstituição de cenas do dia do desaparecimento por meio das fotos. Nas poucas vezes em que aparece Erika, a amante e sócia de Mikael, e em que a ação se desenvolve na redação da revista Millenium, também voltam à tela os tons um pouco mais quentes.

A caracterização dos personagens também está excelente. O IMDB informa que houve um certo movimento para que a atriz Noomi Rapace, que interpretou Lisbeth na versão sueca, também o fizesse na versão norteamericana. Rooney Mara criou uma Lisbeth até agora na medida certa: andrógina, introspectiva, forte, inteligente. Andando de cabeça baixa e ombros encolhidos ela quer ficar invisível e quer estar pronta para se defender porque o mundo é cretino com ela.

Estranhei alguns comentários que atribuem a Lisbeth uma fragilidade que a meu ver não existe; alguns mencionaram a cena no chuveiro. Eu compreenderia se a visse encolhida debaixo d’água, chorando, mas ela está de pé, a duras penas, e só no final da cena se abaixa. Ela sente dor, mas não chora. Em uma das cenas seguintes ela aparece se tatuando e perguntando ao tatuador o preço de uma máquina como aquela. Pra mim é uma forma inteligente – e que respeita a inteligência do espectador – de mostrar que Lisbeth tem marcas mas não se abate e planeja uma reação.

Cena do filme Millenium - Os homens que não amavam as mulheres (2011)

Também é importante lembrar que ela procura seu tutor planejando gravar o abuso que sabe que vai sofrer (e sabemos disso quando a câmera focaliza a bolsa que ela posiciona cuidadosamente virada para a cama), ainda que não imagine qual será a extensão da violência. Isso não é fragilidade e não é comportamento de pessoa acuada. Ah, no final ela desiste de levar um presente a Mikael quando o vê saindo com Erika no Natal? Mas quem conhece a trilogia sabe que pra ela a grande questão não é a decepção com Mikael, mas consigo mesma, por ter baixado a guarda. E ela segue em frente afinal, dá partida na moto e se manda (vocês vão me perdoar a empolgação, Lisbeth Salander pra mim é uma das mulheres mais incríveis da literatura e sua história é uma das coisas mais impressionantes que já li).

Mikael também foi bem personificado por Daniel Craig. Tenho reservas quanto ao James Bond que ele criou e consegui me esquecer disso, o que foi muito bom. Óbvio que o filme não tem como relatar toda a vida amorosa de Mikael, que é definitivamente um homem que ama as mulheres e é amado por elas; essa parte foi suprimida neste filme (veremos como a coisa vai se desenvolver nos próximos). Então temos nas telas um Super-Blomkvist mais contido em seus amores mas nem um pouco desprovido de suas qualidades: ousadia, coragem, inteligência, charme, embora não seja sequer um sujeito bonito-padrão, distribuindo sorrisos-colgate às moças que cruzam seu caminho.

Existe uma discussão a respeito da presença de misoginia na filmografia de David Fincher e no seu último filme em especial. Achei sinceramente um exagero. Em primeiro lugar, como um sujeito vai adaptar uma trilogia que denuncia violência contra a mulher e transformá-la em material misógino? A violência crua e muito gráfica (a já famosa cena de estupro é desesperadora) não é apologética sob qualquer aspecto; se chega a ter qualquer componente sensual provavelmente é justamente para dar ao espectador uma sensação de perturbação maior ainda.

David Fincher é um diretor de imagens fortes, e quem assistiu Se7en sabe disso, quem se lembra da cena final de Clube da Luta também. As mulheres nos filmes de David Fincher sofrem, sofrem muito, de todas as formas possíveis, mas quem tem coragem de dizer que a Ripley de Sigourney Weaver é uma vítima?

Em O Curioso Caso de Benjamin Button, Cate Blanchett é não só a narradora da história do sujeito que vive “de trás pra frente”, mas ela é o esteio dele, quem o acompanha incondicionalmente até o final (no princípio de tudo existe outra mulher, sua formidável mãe adotiva). Ela sofre? Sofre, ô, que tristeza. A cena do final da vida de Benjamin me deixou aterrorizada pra sempre e pretendo nunca mais ver o filme, choro até hoje lembrando. Mas aquela mulher é a imagem do amor, que pode também ser sofrido, não? Ela sofreu mas viveu aquela história intensamente, escolheu aquilo e certamente morreu feliz com sua escolha.

Mesmo em A Rede Social, que detestei, não consegui ver algo de propriamente elogioso a respeito dos gênios empreendedores que tratam mulheres como meros buracos – aqueles caras, para mim, não são heróis, são babacas que em função de uma série de circunstâncias se tornaram sujeitos poderosos e admiráveis nesse sentido, mas continuaram sendo douchebags. Em Zodíaco, a personagem de Chloë Sevigny faz o que uma mulher queixo duro faria: vai embora quando seu marido se torna um sujeito meio louco investigando o serial killer que dá nome ao filme. Acho impressionante também que quem enxergue misoginia na obra de Fincher não reflita a respeito da própria escalação de atrizes para os papeis femininos.

Li também alguns comentários a respeito da sexualização de Lisbeth Salander. Como não apresentar Lisbeth, uma mulher que vive sua sexualidade plenamente, de outra forma? Limar, talvez, o sexo dos filmes todos? Ou torna-la assexuada em contraposição ao intenso movimento que se verifica na cama de Mikael? Estamos falando também de um filme hollywoodiano e não é de se espantar que venda sexo, então por que a gritaria afinal? Alguém acha que o estúdio permitiria o lançamento de um blockbuster assexuado, baseado nos livros da trilogia? Que exagero. Pra mim os filmes de David Fincher passam mais a ideia de “ô porcaria de mundo doido…” do que de “mulher tem que se ferrar mesmo”.

Aguardamos com ansiedade as filmagem e os lançamentos dos outros dois filmes, então. Já sinto saudade de Lisbeth e Mikael.

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Já tomou Tarado? Ou… fermentando a mercantilização dos corpos das mulheres

Há 10 mil anos, no Oriente Médio, a humanidade plantava e colhia grãos. Surgiu nesta época o costume de fervê-los. O processo de fermentação de grãos deu origem a bebidas. Esta é a ancestralidade da cerveja. A produção da cerveja teve influência no processo de civilização. Um velho poema oral da Babilônia, denominado Épico de Gilgamesh (contado pela primeira vez há 4 mil anos) fala do herói Enkidu – um selvagem que aprendeu a comer pão e beber cerveja. Enkidu bebeu sete canecas de cerveja e seu “coração se elevou”. Segundo a lenda, ele se lavou e se tornou um “homem refinado” – a cerveja o tinha “domado”.

Capa de um livro com propagandas antigas da cerveja budweiser. Fonte: Amazon.

Estudos indicam que pelo menos 3 mil anos antes da era Cristã, a cerva já era bastante consumida. Era uma bebida inebriante, feita com os grãos que nutriam o povo do Egito. Em muitos povos, a cerveja era como pão, um alimento sagrado e imprescindível. Em algumas culturas era ritualizada e sua produção servia a fins religiosos. Como líquido fervido, era mais segura que a água e fornecia calorias rapidamente. Com o passar dos anos, muito aconteceu no ato de acumular e liberar a magia da levedura , que converte o açúcar em álcool. A cerveja é componente vital da experiência adulta, a grande bebida das massas.

E, nos primórdios dos anos 2.000 depois de Cristo, dois amigos discutem o futuro da sua marca de cerveja:

A – Química ! Por isso que cerveja combina com sexualidade.

B – Sei lá. Eu prefiro pensar no Busch, aquele batuta. Ele que, fez a Budweiser bombar…

A – É mesmo ! Ele teve a genial idéia de colocar mulher na propaganda de cerveja… a melhor bebida do mundo.

B – As vezes, eu até fico na dúvida se estão vendendo as moças ou as cervejas… eu fico doido, tarado!

A – Tai um bom nome para nossa cerva: tarado ! Já tomou Tarado ? Qual vai ser o tarado que você quer hoje ? O Loiro, ou o bem loiro ? O ruivo, ou o negro – ah, o negro este a gente reconhece pelo corpo. Todo mundo quer um tarado, não ?

B – Hum… acho que as mulheres podem estranhar.. E sei lá todo homem é tarado, neh?

A – Mas como assim, as mulheres não vão gostar do nome tarado? Cê num viu? Aquele cara, a personalidade mais popular do twitter, segundo o New York Times, diz que mulher feia merece ser estuprada, tudo que mulher quer mesmo é um tarado!

B – Qual?

A – O tal lá, que apresenta um programa bacana sobre lutas sociais… e outros com uns amigos que é tipo meio humor, meio jornalismo…

B – Uai, e ele fala que mulher merece um tarado e apresenta programa sobre lutas sociais? E ninguém acha estranho?

A – Como assim estranho? Ele fala isso, mas tá longe de ser reaça. O cara é bacana e forma opinião. Muita gente acha graça dele, viu?

B – Sendo assim… TARADO!

Propaganda de cerveja dos anos 20. Ilustração do italiano Leonetto Cappiello.

A – A gente sabe que a maioria dos homens é um potencial Tarado. Seria uma bebida pra despertar a potência…

B – Cara, as mulheres tem grande poder aquisitivo.

A – Mas, vejamos… cerveja é bebida de macho!

B – Isso é, neh? Taí a cultura norte americana… boa!

A – Vender mulher é diferente de vender para as mulheres. Vender macho, pra quê? É melhor vender para o macho

B – É… o negócio é vender mulher… é batuta, rola uma balança comercial favorável.

A – Mulher, bicho… na boa, mulher foi feita pra certas coisas , neh?

B – E mulher que bebe ? Ah… essa ai… fica se abrindo muito…. Melhor vender, né ? Isso dá grana, explorar essas modernas e tals…

A – E mulher tarada? Essa eu quero! Essa eu compro! Essa eu bebo!

B – Taí.. que tal Safada? Pensa no slogan: pegou sua safada hoje?!

A – E vamos vende-la para aquela grande fábrica de cerveja que tá quase falindo…

B – Isso! E vamo entrar pesado… com umas gatas nas propagandas, dando grana pros comerciantes e vendendo as safadas por um preço bem mais barato.

A – Ah, quem num vai comprar ? Vamo dar mais grana ainda pros bares que só venderem as safadas!

B – Fechou… Safada… acho que fica tranqüilo da gente puxar esse lance da liberdade, de comprar e vender, de se soltar…

A – Tava aqui pensando Tarado da medo. Bem melhor, safada, neh?

B – É! Safada é mais bacana, mais a ver com o público-alvo. Melhor ainda se refinássemos a palavra… hum, que tal Devassa?

A – Devassa !

* * *

Esse texto é só um desabafo. Há meses decidi parar de vender Devassa no meu bar e também não bebo. Adoro cerveja, a mesa do bar, a coletividade e a liberdade… são culturas desta bebida. Mas, fico bêbada com o machismo. Principalmente, o do marketing das cervejas. E preciso botar pra fora, pra aliviar a ressaca.

Mas a aceitação, por parte da sociedade brasileira, do machismo descarado da Devassa é, sim, um problema, e deve ser encarado de maneira mais séria por parte dos ativistas (muitos dos quais não se preocupam em denunciar nenhum tipo de machismo, nem o velado, nem o descarado). Continue lendo em A cerveja Devassa e a questão da mercantilização do corpo feminino.

Esse texto é um desabafo. Há meses decidi parar de vender Devassa no meu bar e também não bebo. Adoro cerveja, a mesa do bar, a coletividade e a liberdade… são culturas desta bebida. Mas, fico bêbada com o machismo. Principalmente, o do marketing das cervejas. E preciso botar para fora, para aliviar a ressaca. Penso em criar uma cerva que não venda mulheres, nem delimite e determine seus comportamentos, corpos, subjetividade, sexualidade e prazeres.E que não confunda o produto com as pessoas – estas não estão a venda. Fico encucada … o trabalho d@ cervejeir@ é de uma mestria tão sutil… por que vulgarizar? Sem falar na heteronormatividade destas propagandas.

Há tempos comuniquei que meu bar não venderia mais Devassa aos interessados. O fornecedor veio pra cima. Disse que eu não entendia de cerveja, que a cerveja era muito boa. Então questionei o motivo de explorar os corpos das mulheres pra vender o produto, já que ele é tão bom. E quando falei da Devassa Negra – cujo o slogan é “a negra a gente conhece pelo corpo..” (racista), ele disse que era pelo fato da cerveja negra ser encorpada. Dai já teve dono de bar me ligando perguntando do ocorrido, dizendo que sou louca, que a cerveja é mais barata e tem um ótimo marketing. Eu, que já tenho que conviver com a misógina diariamente, mantive minha posição. Ainda que lucre menos. Além de não bebermos, é importante não vendermos. E continuo tomando cerveja e me divertindo. Esta sim uma ação revolucionária: sobreviver ao machismo.

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*Imagem de destaque: anúncios antigos de cervejas.

Beatles e o machismo

Primeiramente, eu gosto de Beatles. Não tô aqui para falar da genialidade de suas músicas, mas sim das assustadoras. Uma vez dentro do feminismo, fica impossível deixar passar uma música, um filme, uma piada por ser somente isso. Claro que, cada coisa tem seu contexto, seu significado e não apenas preconceito implícito ou o que for.

The Beatles em 1965. Com ligeiras modificações 😉

Então, esses dias estava eu cantarolando um álbum dos Beatles, o Rubber Soul e me deparei com a música “Run For Your Life“. Não, nada de “I wanna hold your hand” ou “Close your eyes and I’ll kiss you“, mas sim machismo e misoginia. Depois disso parei de cantarolar, comecei a ouvir mesmo e a prestar atenção. Eis algumas:

Run For Your Life. É toda assustadora, o John Lennon dizia que não gostava da música. Segue a letra:

Well I’d rather see you dead, little girl,
Than to be with another man.
You better keep your head, little girl,
Or I won’t know where I am.

You better run for your life if you can, little girl;
Hide your head in the sand little girl;
Catch you with another man
That’s the end, little girl.

Well, you know that I’m a wicked guy
And I was born with a jealous mind
And I can’t spend my whole life
Trying just to make you toe the line.

Let this be a sermon,
I mean everything I’ve said.
Baby, I’m determined
And I’d rather see you dead

(tradução)

A Hard’s Day Night. Uma clássica, mas que infelizmente não está datada, pois muitos pensam assim. Homem trabalha, mulher fica em casa e ganha tudo do marido que não pode nem descansar direito, pobrezinho.

You know I work all day / To get your money to buy your things / And it’s worth it just to hear you say / You’re gonna give me everything. (…) When I’m home/ Everything seems to be right
When I’m home / Feeling you holding me tight

(você sabe que trabalho o dia todo, para te dar dinheiro para comprar suas coisas. E vale a pena só para te ouvir dizer, que você vai me dar tudo. Quando estou em casa, tudo parece estar bem, sentido que você me abraça forte)

You Can’t Do That. Essa música vem em tom de ameaça sobre o que uma garota não pode fazer num relacionamento. (Talvez ela tenha cansado de ficar em casa.)

I got something to say that might cause you pain
If I catch you talking to that boy again
I’m gonna let you down
And leave you flat
Because I told you before
Oh, you can’t do that

Well, Its the second time
I’ve caught you talking to him
Do I have to tell you one more time I think its a sin
I think I’ll let you down (let you down)
And leave you flat (gonna let you down and leave you flat)
Because I told you before
Oh, you can’t do that

Everybody’s green
Cause I’m the one who won your love
But if they’d seen
You talking that way
They’d laugh in my face.

So please listen to me if you want to stay mine
I can’t help my feelings i’ll go out of my mind
I’m gonna let you down (let you down)
And leave you flat (gonna let you down and leave you flat)
Because I told you before
Oh, you can’t do that

(tradução)

I’ll Cry Instead. Quase tão assustadora quanto “Run For Your Life”. Fala sobre término e vingança (talvez porque a garota percebeu a psicopatia, né? Got a ticket to ride and she don’t care)

If I could see you now / I’d try to make you sad somehow / But I can’t, so I’ll cry instead
Don’t wanna cry when there’s people there / I get shy when they start to stare
I’m gonna hide myself away / But I’ll come back again someday/ And when I do you better hide all the girls / I’m gonna break their hearts all round the world/ Yes, I’m gonna break ‘em in two
And show you what your lovin’ man can do.

(tradução e letra completa)

Getting Better. Sobre um homem que está mudando pra melhor. Pois é, depois de tanto comportamento duvidoso, é bom ouvir sobre arrependimento 🙂

I used to be cruel to my woman / I beat her and kept her apart from the things that she loved/ Man I was mean but I’m changing my scene/ And I’m doing the best that I can

(costumava ser cruel com minha mulher, batia nela e mantia ela longe das coisas que amava. Cara, eu era malvado mas estou mudando. E estou fazendo o melhor eu posso)

É fácil ouvir, sei lá, Raimundos ou Velhas Virgens e reconhecer a pura poesia de “abre essas pernas pra mim, baby”, mas quando se trata de músicas num ritmo cativante, em outro idioma e das bandas que você gosta, as letras às vezes passam despercebidas. E então, o que fazer? Boicotar? Parar de ouvir? É radicalismo ou não?
Bom, pra mim é sempre bom perceber esse outro lado das bandas que admiro, pois acho que tendo a criar uma espécie de aura de perfeição, mas aí, com um pouco mais de atenção – bum! – vem o senso crítico e mostra o que está além. E pra vocês, como é?