Sobre as coisas que o feminismo não me fez ser

Texto de Julia Barbosa.

Tive a sorte de crescer numa família que, talvez nem soubesse, mas era feminista. Isso porque tanto meu pai quanto minha mãe tinham contribuições e vozes igualmente importantes na casa, além de me incentivarem a ser e fazer o que eu quisesse. Também por isso, nunca tive vergonha de dizer que sou feminista, mas ultimamente tenho visto um movimento assustador, anti-feminista e contrário ao que entendo por igualdade. Homens atacando violentamente mulheres que escrevem textos feministas e mulheres com vergonha de se assumirem como feministas, já que elas são amplamente tachadas, principalmente na internet, de inúmeros estereótipos que não condizem com a realidade.

É espantoso ver quantos ataques o feminismo sofre por querer um mundo mais justo e igualitário. Chega a ser engraçado, se não fosse trágico, que, como vivemos numa sociedade que já alcançou alguns pilares de igualdade, as pessoas se esqueçam que direitos considerados básicos foram amplamente contestados no passado, como o direito ao voto, trabalhar sem permissão do pai ou do marido, direito de sindicalização, de serem juradas ou de terem acesso ao controle da natalidade. Muitos dos argumentos defendiam que a educação era um fardo físico muito grande para o sexo feminino. Portanto, muito se diz e pouco se sabe sobre o feminismo.

Marcha das Vadias de Belo Horizonte, 2012. Foto de Pedro Triginelli/G1.
Marcha das Vadias de Belo Horizonte, 2012. Foto de Pedro Triginelli/G1.

Há ideias preconceituosas e mentirosas que precisam ser desmistificadas, por isso listo aqui o que o feminismo não me fez ser:

1. Uma odiadora de homens.

Para mim não faz sentido o feminismo ser anti-homem, a ideia é justamente que as pessoas convivam de forma igualitária em sociedade. A discussão não é sobre a vingança pelos crimes cometidos pelo patriarcado, e sim sobre a busca pela igualdade entre os gêneros – o que penso que seria do interesse de todos, mas infelizmente não parece ser. Na minha opinião, acredito que homens também podem ser feministas, porque o machismo também os afeta e porque é importante para o feminismo que os homens passem a modificar suas ações, combatendo valores machistas em seu cotidiano e apoiando propostas de mudanças que sejam benéficas para a igualdade entre os gêneros.

2. Uma aproveitadora que não quer pagar contas ou abrir portas de carros.

Já ouvi muito que o cavalheirismo é a parte do machismo que convém às mulheres, que todas as mulheres deixam de ser feministas para aceitar privilégios como esses, que adquirem pelo simples fato de serem mulheres. É bom lembrar disso quando saímos as ruas e sofremos assédio de todos os lados. Gentileza, deveria ser algo comum, uma ação de todas as pessoas. Sem esperar nada em troca. Apenas respeito.

3. Uma pessoa que tem que seguir padrões estéticos e sexuais.

Muita gente costuma dizer que feministas querem ser iguais aos homens, até mesmo fisicamente. A questão é: as pessoas deveriam poder ser como quiserem. Para as mulheres, ser identificada com padrões masculinos é motivo de chacota e desrespeito. Para os homens, ser associado a características tidas como femininas é motivo de chacota e desrespeito. Acabamos limitando a existência de todos. A vaidade se expressa de diversas formas, o importante é que cada pessoa seja livre para ser o que deseja.

4. Uma pessoa que odeia as donas de casa.

Por ter a desigualdade do mercado de trabalho como foco, o feminismo é muitas vezes acusado de odiar as mulheres que não trabalham no mercado formal. O trabalho doméstico sofre com a falta de reconhecimento e remuneração, justamente por ser desempenhado em grande parte apenas pelas mulheres. Porque a cultura ainda prega que “o homem ajude em casa”. O que só demonstra o quanto o trabalho das mulheres é considerado inferior ao dos homens.

5. Uma assassina de bebês.

Ser a favor da legalização do aborto significa acreditar que é direito da mulher ter plena escolha se quer levar adiante uma gravidez ou não. Se não há liberdade para decidir sobre seu próprio corpo, então não há liberdade nenhuma. A questão do aborto não deve ser tratada como uma questão moral ou religiosa, e sim como uma questão de saúde pública, porque independentemente de ser legalizado ou não, continuará sendo realizado, com as complicações abortivas colocando as vidas de centenas de mulheres em risco. É dever do Estado reconhecer o direito da mulher que não deseja estar grávida.

6. Uma pessoa que tem vergonha de se assumir feminista.

Ser feminista é um desafio pessoal diante de uma sociedade tão machista, mas acredito que o movimento feminista seja fundamental na luta por Direitos Humanos. Já recebi muita cara feia em resposta à minha afirmação de que sou feminista. Me pergunto se essas pessoas e suas caras fazem ideia do que realmente estou afirmando – e gosto de imaginar que, num mundo decente, elas sorririam se soubessem.

Autora

Julia Barbosa tem 21 anos e estuda Relações Internacionais.

5 Mitos sobre Aborto

Texto de Thayz Athayde.

Para cada assunto tratado há vários mitos. Já falei de cinco (e outros cinco) mitos do Feminismo. Dia 28 de setembro é o Dia de Ação Global para o Acesso ao Aborto Seguro e Legalizado. Também é Dia da Campanha pela Descriminalização e Legalização do Aborto na América Latina e Caribe. Por isso, quero falar de alguns mitos sobre as militância das pessoas que são a favor da legalização e descriminalização do aborto.

1. Pessoas que são a favor da legalização do aborto odeiam crianças e não querem ter filhos.

Ser a favor da legalização e descriminalização do aborto não significa odiar crianças ou não querer filhos. Defender a autonomia do corpo da mulher não tem nenhuma relação com odiar crianças ou não querer filhos. Esse mito é parecido com aquele de que comunistas comem criancinhas: só serve para dar risada. A mulher é quem deve decidir se quer ser mãe ou quando será, com total autonomia. Você pode ser mãe ou pai e, ainda assim, ser a favor da legalização do aborto. No texto ‘Sou mãe e apoio a descriminalização do aborto’, Ludmila Pizarro diz:

“Como mãe, referendo a decisão do Conselho Federal de Medicina e convido todas as pessoas, com ou sem filhos, que nunca fariam um aborto ou que não pensaram a respeito, a refletir sobre essa questão, lembrando que a criminalização do aborto, além de diminuir a autonomia da mulher, apenas faz com que mais vidas sejam perdidas, independente de crenças e valores morais.”

2. Se o aborto for legalizado quem fará mais aborto são as pessoas pobres.

Esse é um mito que revela um grande preconceito de classe. Normalmente as pessoas que falam isso sempre argumentam que pessoas pobres gostam de ter filhos, são promíscuas, etc. O relatório ‘Aborto e Saúde Pública’ (.pdf), coordenado pela antropóloga Debora Diniz, traz alguns dados sobre a questão do aborto e a renda familiar:

“Nos anos 2000, um estudo com ampla base populacional analisou os fatores associados ao aborto como desfecho da primeira gestação entre jovens de 18 a 24 anos. A pesquisa mostrou que renda familiar e escolaridade constituem tais fatores: quanto maior a renda e a escolaridade, maiores as chances de a primeira gravidez resultar em um aborto.”

É importante destacar que hoje isso já acontece. As mulheres ricas, em sua grande maioria brancas, vão em uma clínica para fazer aborto, para isso é necessário desembolsar um valor considerável em dinheiro. Enquanto isso, mulheres negras e pobres morrem em clínicas clandestinas, em casa ou maltratadas em hospitais. Enquanto o aborto for criminalizado as mulheres continuarão morrendo por racismo e por questões de classe.

3. Pessoas que são a favor da legalização do aborto são assassinas.

Toda vez que uma discussão sobre aborto se inicia, sempre tem alguém para gritar: ASSASSINA! Parece óbvio, mas é preciso dizer que ser a favor da legalização do aborto não significa ser assassina. Aborto é uma questão de saúde pública e não deve ser pautado por uma discussão moral ou pessoal, muito menos podemos divagar sobre quando começa a vida, até porque essa discussão é infinita e sem conclusão, como explicita o médico Drauzio Varella:

“Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente.”

imagem: Pública - Agência de Notícias.
imagem: Pública – Agência de Notícias.

4. Se o aborto for legalizado todo mundo vai fazer aborto.

Tá todo mundo sentado? Mesmo? Vamos lá, vou jogar uma bomba: as pessoas já fazem aborto. Sim! Mesmo que você seja contra, mesmo correndo o risco de ser presa, mesmo o corpo da mulher sendo criminalizado. Segundo a Pesquisa Nacional de Aborto (.pdf):

A PNA indica que o aborto é tão comum no Brasil que, ao completar quarenta anos, mais de uma em cada cinco mulheres já fez aborto. Tipicamente, o aborto é feito nas idades que compõem o centro do período reprodutivo feminino, isto é, entre 18 e 29 anos, e é mais comum entre mulheres de menor escolaridade, fato que pode estar relacionado a outras características sociais das mulheres de baixo nível educacional.

Pois é. O aborto já acontece. O que estamos lutando é para que todas as mulheres tenham acesso ao aborto legal e seguro. Porque, enquanto mulheres ricas tem dinheiro o suficiente para pagar um aborto seguro ou mesmo viajar para outro país, mulheres pobres, e em sua maioria negras, morrem em clinicas clandestinas que usam métodos inseguros.  Portanto, a questão do aborto é de saúde pública, como alerta o relatório ‘Aborto e Saúde Pública’:

Os resultados confiáveis das principais pesquisas sobre aborto no Brasil comprovam a tese de que a ilegalidade traz conseqüências negativas para a saúde das mulheres, pouco coíbe a prática e perpetua a desigualdade social. O risco imposto pela ilegalidade do aborto é majoritariamente vivido pelas mulheres pobres e pelas que não têm acesso aos recursos médicos para o aborto seguro. O que há de sólido no debate brasileiro sobre aborto sustenta a tese de que “o aborto é uma questão de saúde pública”. Enfrentar com seriedade esse fenômeno significa entendê-lo como uma questão de cuidados em saúde e direitos humanos, e não como um ato de infração moral de mulheres levianas.

Ao legalizar o aborto retiramos a questão da área criminal para incluí-la na área de saúde. A partir dai, políticas públicas mais efetivas são desenvolvidas. Tanto na área de planejamento familiar e prevenção de gravidez, como no atendimento as pessoas que decidem realizar um aborto. O Uruguai descriminalizou e legalizou o aborto em 2012. Este ano foi divulgado que no período de dezembro de 2012 até maio de 2013, nenhuma mulher faleceu vítima do procedimento. No período, 2.550 abortos foram realizados no país.

Segundo o Ministério da Saúde Pública uruguaio, dez em cada mil mulheres entre 15 e 44 anos já fizeram pelo menos um aborto. O subsecretário da Saúde Pública, Leonel Briozzo, informou, ainda, que o dado coloca o país entre os que registram as menores taxas do procedimento ao lado dos países europeus. Referência: Desde a legalização, Uruguai não registra mortes de mulheres por aborto.

5. As pessoas que são a favor da legalização do aborto não seguem religião ou não acreditam em Deus.

Esse mito é bem fácil de ser quebrado, basta acessar esse site: http://www.catolicasonline.org.br/. Há várias pessoas religiosas, ou que acreditam em Deus, que entendem que o aborto não é uma questão pessoal ou moral. Muitas dessas pessoas não fariam um aborto, porém, entendem que essa decisão pessoal não invalida o fato de que outras pessoas podem decidir abortar. Ou seja, opinião pessoal não pode pautar uma decisão que cabe apenas as pessoas que estão grávidas. Vale lembrar que não apenas mulheres engravidam, mas também homens trans*.

Uma opinião pessoal não pode pautar políticas públicas. A Pesquisa Nacional de Aborto e o relatório ‘Aborto e Saúde Pública’ apontam que a maioria das mulheres que fazem aborto são cristãs:

A religião não é um fator importante para a diferenciação das mulheres no que diz respeito à realização do aborto. Refletindo a composição religiosa do país, a maioria dos abortos foi feita por católicas, seguidas de protestantes e evangélicas e, finalmente, por mulheres de outras religiões ou sem religião.

Os poucos estudos analíticos com amostras selecionadas de mulheres indicam que entre 44,9% e 91,6% do total de mulheres com experiência de aborto induzido declaram-se católicas. Entre 4,5% e 19,2% declaram-se espíritas, e entre 2,6% e 12,2% declaram-se protestantes. É possível sugerir algumas tendências regionais, havendo uma maior concentração de mulheres católicas nos estudos da Região Nordeste e de mulheres espíritas nos da Região Sul. Um estudo com 21 mulheres que induziram o aborto identificou que 9,8% delas não tinham religião.

Blogagem Coletiva: #MitosFeminismo

Lá no post “Um Guia para você que tem vergonha de se assumir como feminista” fizemos a convocação. E aqui estão os posts participantes da blogagem coletiva que tem como objetivo acabar com diversos mitos sobre o feminismo:

Selo para a Campanha por Tatiana Anzolin Michels

[Blogagem Coletiva] Blogueiras Feministas, por Tatiana Anzolin

Chega de estereótipos, chega de histórias, chega de Cinderela. Feminismo é uma luta plural. Eu luto, ela luta, nós lutamos. Entre quatro paredes, em casa, fora, ali, lá e lá também. Em primeiro lugar precisamos vencer o silêncio, mas nem sempre conseguimos. eu me calo, nos calamos, perdemos todas. Um movimento plural e VIVO, não fazemos caras e bocas, ou fazemos, isso não nos define. Erramos e nos desculpamos publicamente, um movimento onde a palavra de lei é respeito. Livre expressão, o debate é rico, carinhos nascem, distâncias desaparecem e não estamos mais sozinhas.

Casada, depilada, maquiada, de unhas feitas, medo de lagartixa, ama a cozinha e… FEMINISTA?, por Mari Moscou

Se você acredita que as diferenças entre homens e mulheres não podem ser usadas nem pra oprimir e limitar as mulheres, nem pra oprimir e limitar os homens, então, surpresa amiga, você já é feminista. Pode escolher não dizer isso, usar outra palavra, enfim. Mas que você é feminista, isso é. Se você acha que o fato de engravidarmos não pode significar um salário menor (já que a outra metade do bebê é do homem né?) ou uma “baixa” na carreira – a não ser que nós mesmas escolhamos isso – então você é feminista. Se você acha injusto que um homem seja massacrado por outros homens porque decide resolver as coisas sem violência, então você é feminista. Se você acha um absurdo um homem ou mulher deixar de fazer qualquer coisa, seguir qualquer plano de vida, simplesmente porque lhe dizem que aquilo não é adequado a um homem/mulher, então, voilà, você é feminista. E infelizmente essas “sutilezas” da desigualdade ainda acontecem no nosso cotidiano. Se você acha injusto que você nunca deu uma cantada pedreira ofensiva em ninguém na rua mas já levou várias e se sentiu constrangida, você é feminista sim. Se você acha injusto ter que limitar seus horários de sair de casa simplesmente pela possibilidade de ser estuprada (e saiba que isso não acontece com homens), você é feminsta. Se você acha que ter filhos ou não ter deve ser uma escolha e nenhuma mulher deve ser crucificada porque quis ou porque não quis ter filhos, bem-vinda ao clube. 😉

Cozinhando com Feministas, por Barbara Lopes

O mito é: Feministas não têm senso de humor. A prova contrária é o vídeo abaixo, com a participação de Jane Fonda e Gloria Steinem no programa de Steve Colbert. Elas estavam lançando uma estação de rádio voltada para mulheres. Infelizmente, o projeto funcionou por menos de um ano.

A entrevista se dá em uma cozinha cenográfica, dentro do quadro fictício “Cozinhando com Feministas”. Além de falar sobre a rádio, Jane Fonda e Gloria Steinem aproveitam para combater alguns preconceitos associados ao feminismo. Por exemplo, Colbert pergunta como diferenciar uma feminista de uma mulher que apenas está zangada. Ele mostra uma imagem de Steinem como coelhinha da Playboy. Ela explica que naquela foto, ela estava zangada, mas tinha que sorrir. E diz que uma feminista é uma mulher que sorri ou fica zangada sem precisar disfarçar seus sentimentos.

Dos Mitos e dos Esclarecimentos, por Iara

Mas nem é esse o principal problema, na verdade. O complicado é preencher a frase “você é feminista, logo___” com um estereótipo qualquer. E sabe qual o problema dos estereótipos? Eles no geral, não são mentirosos, mas tendem a ser muito limitados. “Você é feminista, logo não usa maquiagem” pode ser muito válido. Há feministas que não usam maquiagem não só porque não querem, mas porque vêem a exigência social das mulheres usarem maquiagem como uma opressão. E concordo também que exigir isso das mulheres é uma exigência social bem sexista com nossa aparência. Mas uso porque gosto e quando quero, não porque me sinto obrigada.

“Ah, mas então se eu gostar de tudo na minha vida, não tenho porque ser feminista, né?”. Não, não é por aí. É preciso sair do lugar comum. É preciso ao menos questionar suas escolhas, tentar entender o porque você gosta de algo, principalmente se sustentar este gosto te traz problemas. Nossos gostos não são inerentes, mas resultados de uma construção cultural, e não há nada de errado com isso. O problema é quando nossas escolhas nos oprimem, nos fazem sofrer, e a gente não se dá conta disso. Daí entra o feminismo. Não pra dizer que “feminista não usa batom”. Mas pra te alertar que se você perde minutos preciosos de sono toda manhã pra se maquiar porque se acha feia, talvez se maquiar não seja exatamente uma escolha. E que se você não tem dinheiro pra voltar de táxi e é obrigada a aceitar carona com aquele cara pegajoso porque sua grana foi gasta na cabeleireira e na manicure pra ir pra balada, talvez você esteja refém do papel social que está desempenhando.

Faça você mesma!, por Tica Moreno

Mas, a gente tá falando de orgasmo. Que tem que fazer parte do sexo, mas que você também pode alcançar sozinha. E, aliás, é sempre bom dizer que conhecer seu próprio corpo e sua cabeça facilita muitíssimo chegar lá com outra pessoa.

 Assim, foi muito importante pro feminismo separar sexo de reprodução (a Igreja ainda não separou). Sexo antes do casamento também foi outra coisa boa que já avançamos nesse mundo. Separar sexo do amor ainda tá num processo, porque o tempo todo ficam empurrando pra cima da gente um ideal de amor romântico, e dizem que sexo é muito melhor quando é com quem você ama. Funciona pra algumas pessoas, mas pelo que eu vejo por aí, o amor tá longe de ser um pré-requisito pra um bom sexo.

Feminismo faz bem, por Bete Davis

Resumindo de forma meio curta e grossa o que passei a entender por feminismo desde então foi a necessidade de colocação da mulher em todos os setores da vida (casa, trabalho, sexo e política) de forma que a mulher tivesse os mesmos direitos que os homens têm (porque quanto aos deveres me parece, que temos bem mais – cuidar da casa, da família, de sermos lindas E magras, doces, amorosas etc., etc., e por aí vai). Direito de sermos igualmente competitivas no mercado de trabalho, direito de dividir os cuidados de família e casa com os parceiros e não a falsa benção de –“ que fofo, ele lava a louça! Aos domingos…”.

Nunca achei que o feminismo era esquecer que existem diferenças óbvias genéticas entre mulheres e homens, e essas diferenças não fazem um melhor que o outro, mas simplesmente diferentes. Nunca achei que feminismo fosse ser melhor ou pior que os homens; sempre achei, e acho, que feminismo é ter uma sociedade com direitos iguais para homens e mulher, lembrando que a noção jurídica mais atual de direitos iguais para todos é tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais, isto é, procurar entender as diferenças entre posições que não são iguais e minimizar ao máximo as diferenças, com o objetivo de se buscar uma igualdade efetiva.

Feministas são Mulheres que lutam por seus direitos, por Liliane Gusmão

Acho que esses são os mitos mais frequentes que eu pessoalmente encontro por perto de mim: feministas odeiam homens, feministas são radicais. Mas também há os que dizem que feministas não se maquiam, ou não se depilam, ou não se casam, ou não tem filhos e que ainda são abortistas. Ou mais montes de outras besteiras possíveis.

A realidade não é assim, odiar homens ou ser radical não é pré-requisito para ser feminista. Feministas são gente, e gente é tudo diferente entre si, podem existir feministas misandrias ou radicais, mas isso não é o que nos une como grupo. O que nós feministas temos em comum é o desejo da liberdade e da igualdade e da autonomia das mulheres.

#MitosFeminismo, por Srta. Bia

O Feminismo está por aí lutando pela igualdade. Homens e mulheres são diferentes. O que queremos não é que sejamos iguais perante nossos corpos, mas que coloquemos um fim na desigualdade social que existe entre os gêneros masculino e o feminino. Feministas, mulheres ou homens, estão por aí lutando contra a violência que aflige as mulheres, contra a falta de creches, contra a divisão sexual do trabalho, por igualdade nos salários, educação para todos e saúde. Lutando para que a sociedade não tenha papéis de gênero rígidos e que as mulheres não sejam vistas como mais um bem patrimonial dos homens.

Então, quando você ver alguém comentando sobre um bando de mulheres rindo num programa de tv porque um cara teve seu pênis decepado pela esposa, saiba que isso não é feminismo. Quando você ver alguém citando apenas Valerie Solanas como a única feminista verdadeira, saiba que isso não é feminismo. Quando você ver alguém repetindo que as feministas não aceitam que mulheres façam sexo em determinadas posições sexuais, saiba que isso não é feminismo.

#MitosFemininos: Sou feminina e não feminista?, por Clara Guimarães

O feminismo nasceu dessa tensão da identidade sexual construída, assim ser feminista é ter o entendimento que existem diferenças anatômicas entre homens e mulheres, todavia, ter a certeza que não deve existir diferenças nos papéis sociais, uma mulher deve ter os mesmos direitos civis que os homens.

 Ser feminista não significa achar que as mulheres são melhores que os homens, pois essa é uma atitude preconceituosa, mas sim entender que apesar das diferenças temos direitos iguais, pois somos todos seres humanos.

 Nem toda mulher é feminista, assim como nem todo homem é machista. Acredito que devemos trabalhar em conjunto por um mundo mais justo e tolerante, ser feminista é ter o entendimento que as diferenças podem ser positivas, afinal todos somos diferentes, mas apesar delas, todos temos o direito de construir a nossa felicidade e não existe felicidade sem respeito.

O que é Feminismo?, por Luka

O feminismo é um pensamento científico, explicativo e transformador da sociedade. É uma revolução, talvez a maior revolução dos tempos modernos. Uma estranha revolução na qual não se derramou uma gota de sangue, pelo menos de sangue estrangeiro, no entanto, como bem apontam Gallizo Almeida ” é a revolução que mais mudou coisas na vida diária das pessoas, e acima de tudo, produziu mudanças irreversíveis “.

A revolução feminista é e tem sido a resposta das mulheres ao poder patriarcal, sem esquecer que as mulheres têm promovido outras revoluções desde a era cristã, além de sua própria e, periodicamente, saem delas de mãos vazias. A alegação de que durante séculos tem motivado a luta das mulheres e caracteriza o feminismo é a igualdade. Igualdade também tem direito aos direitos, tem alimentado a teoria, ou melhor, as teorias que inspiraram a revolução feminista e movimento de mulheres em geral. Assim, podemos dizer que o feminismo é a doutrina da igualdade de direitos para as mulheres, com base na teoria da igualdade dos sexos. Para não mencionar que a igualdade está intrinsecamente ligada a outros direitos como a liberdade, por exemplo, porque, tal como expresso no artigo 19 da Constituição, os direitos humanos são indivisíveis, inalienáveis ​​e interdependentes em seu exercício.

Sim, sou Feminista!, por Asa Heuser, uma atéia de bom humor

Uma pergunta comum é porque há poucas mulheres no ateismo, por exemplo. Uma das explicações é que socialmente ainda é mal visto quando uma mulher bate pé por suas opiniões e posicionamentos. Espera-se que a mulher ceda, seja diplomática, não confronte. Ser afirmativa e sustentar as suas opiniões é considerado “não-feminino” muitas vezes, até mesmo em ambientes ateistas.

Ser tachada de feminista no Brasil muitas vezes equivale a ser vista como pouco feminina, raivosa, uma mulher que odeia homens, etc. Por isso acredito que muitas mulheres independentes financeiramente não se assumem como tais.

Tentativas, por Ana Rusche

aí lembrei agora da festa que não fui

que queria vestir uma máscara de gorila

igual uma guerrilheira-girl, mas não ia ficar

pelada, tenho vergonha, ia vestir o vestido

rosa choque que comprei da menina

que a faculdade inteira apontou “puta! puta!”.

e o vestido é de rosa e de choque pq não é fácil

(viu que faculdade também tem f de fácil?)

embora todo esse rosa me enjoe, pink stinks,

– pobre das meninas sempre para sempre princesas.

Criação de Tatiana Anzolin, @Labucaneira