#8demarço – Por que um Dia da Mulher?

Dia 08 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Não é para ser um dia qualquer. É para ser um marco da luta das mulheres. Há algumas décadas atrás mulheres não podiam votar, não podiam ser donas de propriedades, não podiam ser livres sem a permissão do marido ou de um homem da família. As pessoas costumam esquecer como as coisas demoram a mudar no que se refere aos direitos das mulheres. Estamos aqui desde que o mundo surgiu. Éramos índias em 1500 quando os portugueses aportaram no Brasil.

Texto de Bia Cardoso.

Dia 08 de março, é o Dia Internacional da Mulher. Não é para ser um dia qualquer. É para ser um marco da luta das mulheres. Há algumas décadas atrás mulheres não podiam votar, não podiam ser donas de propriedades, não podiam ser livres sem a permissão do marido ou de um homem da família.

As pessoas costumam esquecer como as coisas demoram a mudar no que se refere aos direitos das mulheres. Estamos aqui desde que o mundo surgiu. Éramos índias em 1500 quando os portugueses aportaram no Brasil. Em 1532 aconteceu a primeira eleição no país, porém só puderam voltar os considerados “homens bons”. Apenas em 1932 as brasileiras tiveram o direito de votar ratificado, porém com a Ditadura Vargas elas só puderam realmente exercer esse direito em 1946. Então, há apenas 65 anos as mulheres efetivamente votam no Brasil.

Foto de Elza Fiúza/Agência Brasil. Brasília – Lançamento do programa Rede Mulher Cidadã, da Polícia Civil e da Secretaria de Estado da Mulher do Distrito Federal.

Durante a revolução industrial, entre os séculos XVIII e XIX, as mulheres recebiam menos que a metade do salário pago aos homens ao exercerem as mesmas funções. No Brasil, a Constituição de 1932 decretou a isonomia salarial entre homens e mulheres, porém a Constituição de 1937 não mencionou o assunto, o que abriu um precedente para que em 1940 fosse editado um decreto que permitia que os valores dos salários pagos as mulheres fossem 10% menores em relação aos homens. O sexismo no mercado de trabalho brasileiro era legal até a promulgação das Constituições de 1967 e 1988.

Nos últimos tempos o Dia da Mulher foi apossado pelo comércio e transformado em mais um dia para se distribuir presentes e rosas. Rosas são belas e muitas de nós gostam de receber flores e presentes, porém a data não pode se resumir a atitudes sem reflexão. Rosa Luxemburgo deveria ser a rosa lembrada, assim como mulheres brasileiras que lutaram pelos direitos femininos como Bertha Lutz, Chiquinha Gonzaga, Leila Diniz, Luz Del Fuego, Pagu, Heleieth Safiotti, entre outras.

Há muitas pessoas que perguntam: “Por que não existe também um Dia do Homem?”.  Ele já existe e também é apoiado pela ONU, porém, não tem seu nascimento na luta das classes operárias.  Não há um marco que nos lembre a luta dos homens por direitos iguais. Os direitos e privilégios sempre pertenceram aos machos, héteros e brancos. Por que marcar um dia para algo que sempre existiu?

Os homens deveriam compreender que ninguém perde ao tirar deles alguns privilégios, a sociedade melhora quando isso acontece e consequentemente os homens poderão descobrir novos papéis sociais que desconheciam. E importante que os homens comecem a discutir entre si seus papéis sociais, as maneiras de agir e como podem participar ativamente promovendo a igualdade de gênero. O Dia do Homem ainda não tem ampla celebração e isso não ocorre porque os homens são uns pobres coitados oprimidos, mas porque não possuem a visão de que a desigualdade de gêneros está presente diariamente, portanto, será apenas mais uma data inventada pelo comércio para explorar a mercantilização das relações sociais.

A história de como o dia 08 de março se tornou o dia Internacional da Mulher é longa, com diferentes manifestações e lutas das mulheres em vários países. Porém, é importante ressaltar que o 08 de Março como um dia de luta tem como origem acontecimentos envolvendo trabalhadoras da indústria têxtil em Nova Iorque e na Rússia. São mulheres trabalhadoras que decidiram lutar por melhores condições de trabalho e por um mundo mais justo para todos. Lutam para terem voz numa sociedade machista que costuma sufocá-las com obrigações domésticas, maternais e trabalhistas.

Por isso é fundamental que exista o Dia da Mulher, para que todas as pessoas saibam das lutas das mulheres por melhores condições de vida, trabalho e pelo voto. As conquistas dos movimentos de mulheres são extremamente recentes, não podemos permitir que as pessoas acreditem que a luta chegou ao fim.

Milhares de mulheres são violentadas todos os dias, a grande maioria por companheiros ou familiares. Mulheres ainda ocupam menos cargos de chefia e ganham menos que os homens quando exercem as mesmas funções. Ainda sofrem com jornadas triplas, pois além de trabalharem são as únicas responsáveis por cuidar da casa e dos filhos.

Nós somos culpabilizadas todos dias, seja porque andamos com uma saia curta numa universidade, seja porque a mídia explora nossos corpos e nos repassa um padrão de perfeição estética que não condiz com a diversidade humana. Você acha que a luta realmente acabou? Que o feminismo não serve para nada? Que Dia da Mulher é uma bobagem? Pois saiba que a luta está acontecendo todos os dias. E o mais importante, você pode fazer parte dela, basta querer e tomar atitudes para que o mundo seja mais igualitário. Saia do armário, sua feminista!

[+] Dica de Livro: As Origens e a Comemoração do Dia Internacional das Mulheres de Ana Isabel Álvarez González. São Paulo: Expressão Popular: SOF – Sempreviva Organização Feminista, 2010.

[+] Dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher do Coletivo Feminista EXNEL.

#8demarço – Por que o Feminismo é um movimento político?

Texto de Barbara Lopes.

O feminismo é a luta pela igualdade de direitos entre homens e mulheres e, como tal, é político, num sentido mais amplo de política, que leva em conta as relações sociais. Quando mulheres se organizam para estudar, protestar ou pensar em soluções estão fazendo política. Além disso, existe uma relação entre o feminismo e a política institucional, pois várias reivindicações passam por mudanças em leis e programas de governo. Por isso, a própria participação no ambiente político institucional – dentro dos partidos e dos cargos públicos – é uma das lutas das feministas. No Brasil, as mulheres são apenas 9% na Câmara dos Deputados e 12% no Senado Federal, um dos índices mais baixos do mundo.

Presidenta Dilma Rousseff e a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, encontram-se com as mães e avós da Praça de Maio, na Casa Rosada, na capital argentina. Foto: Roberto Suckert Filho/PR/Blog do Planalto.

Mulheres em movimento

Existem muitas entidades de mulheres que não adotam bandeiras feministas, mas que, por serem espaços de organização política, têm um papel importante. No livro ‘Movimentos Sociais e Redes de Mobilização no Brasil Contemporâneo’, a socióloga Maria da Glória Gohn explica essa divisão:

“[As feministas] levam à frente campanhas e lutas onde as demandas estão centradas nas mulheres propriamente ditas, tais como … a violência física contra as mulheres, as discriminações do mercado de trabalho … O Movimento de Mulheres é mais numeroso, mas quase invisível como movimento de ou das mulheres. O que aparece ou tem visibilidade social e política é a demanda da qual são portadoras – creches, vagas ou melhorias nas escolas, postos e equipamentos de saúde, etc.”.

“As mulheres fazem política o tempo todo para sobreviver. Há um paradoxo, nós fazemos política e nós não temos cargos políticos”, disse em entrevista ao Blogueiras Feministas a militante feminista Maria Amélia Teles, a Amelinha, fundadora da União de Mulheres da Cidade de São Paulo. Por exemplo, os Clubes de Mães nas periferias de São Paulo: têm um modelo religioso e conservador, onde as mulheres se reunem para conversar sobre costura e afazeres domésticos, mas foram fundamentais para o surgimento do Movimento do Custo de Vida (depois Movimento contra a Carestia) em meados dos anos 1970, o primeiro movimento social de impacto depois da ditadura.

O ambiente privado também é público (e político)

O feminismo lida com a dualidade privado x público: o que acontece em um reflete no outro. As mulheres “ajudam” no orçamento da família (e ganham menos que os homens para exercer a mesma função) da mesma forma que os homens “ajudam” no trabalho doméstico. Portanto, precisamos ocupar espaços públicos para mudar situações de discriminação mesmo que do âmbito privado. Um desses casos é a luta contra a violência contra as mulheres. Quase um quarto das mulheres afirmam já ter sofrido agressões ou ameaças físicas. Para combater essa violência, é preciso criar mecanismos, como a Lei Maria da Penha, para proteger as vítimas e punir os agressores.

Problema das mulheres?

“Os problemas que as mulheres levantam, se forem encarados, vão trazer solução para toda a sociedade, não só para as mulheres”, defende Maria Amélia Teles. Com a divisão sexual do trabalho imposta, são as mulheres, mesmo as que trabalham fora, são responsáveis pela casa e pela família. São as mulheres que sentem com mais intensidade a falta de equipamentos públicos como creches, escolas e abrigos para idosos, as dificuldades do sistema público de saúde, o preço dos alimentos, etc., e por isso são (nem sempre, é claro) mais sensíveis a esses assuntos no exercício da vida política.

Círculo vicioso

Um dos motivos que dificulta a participação de mulheres na política institucional é justamente a falta de políticas públicas para romper com o ciclo de discriminação. A Lei 9.504/1997 determina que “cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”, o que garantiria uma cota mínima de mulheres candidatas para os cargos proporcionais. Porém, na última eleição, a regra foi largamente desrespeitada (apenas 13% dos candidatos eram mulheres) e é considerada meramente simbólica por representantes – homens e mulheres – da Justiça Eleitoral (veja estudo em PDF e as estatísticas de participação das mulheres em diversas áreas).

“A forma de fazer política nos partidos é extremamente desfavorável a uma ampla participação das mulheres. Não só a forma como o próprio conteúdo. As mulheres precisam e querem resolver problemas do seu cotidiano, porque é um cotidiano violento, discriminador, com grandes obstáculos. E os partidos querem discutir praticamente só a questão do poder e o processo eleitoral. Os partidos políticos de forma geral não trazem nas suas plataformas uma sustentação para  a participaçãao das mulheres, que corresponda aos interesses e às necessidades das mulheres”, explica Amelinha.

A dupla jornada na política

As mulheres que atuam na esfera política têm as mesmas dificuldades (ou até maiores) das outras trabalhadoras, para dar conta das tarefas domésticas e familiares, que ainda recaem sobre elas, e da vida profissional e política. “Tem que haver uma mudança no campo privado, para que se dê uma maior ocupação dos espaços políticos institucionais pelas mulheres”, diz Maria Amélia Teles.

Mas essa não é a única dupla jornada que afeta as políticas. As mulheres que conseguem vencer as barreiras e entrar na vida política institucional – principalmente em cargos executivos e legislativos – precisam dar conta tanto das demandas relacionadas a gênero como de temas mais gerais, já que os primeiros são vistos como menos importantes. Uma pesquisa feita na Argentina sobre a atuação de mulheres no legislativo (onde chegam a 40% da Câmara dos Deputados) aponta nesse sentido. Sua autora, a cientista política americana Jennifer Piscopo, afirma que “as mulheres legisladoras têm que desenvolver projetos de gênero (assédio sexual, saúde sexual e reprodutiva, reformas trabalhistas para as mães, etc.) e também militar na política ‘normal’, quer dizer, a política diária: a lei de comunicação, a reforma eleitoral, as prisões no campo. Então, têm uma dupla jornada”.

#8demarço – Ser Feminista!

Texto de Thayz Athayde.

Esse é um vídeo sobre ser feminista nos dias de hoje, lutamos sempre contra os estereótipos e todo mundo nos enche disso!

E também, hoje estreamos o nosso canal do youtube: www.youtube.com/blogueirasfeministas

Confiram!

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Posts das Blogueiras Feministas especiais sobre o Dia da Mulher:

[+] No Dia Internacional da Mulher de Karla Avanço

[+] ‘Mulheragem’ As Catadoras da Granja Julieta de Maria Frô

[+] Meu Feminismo não é pra mim da Lola.