#BlogFem entrevista candidatas feministas: Ivone Pita

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Ivone Pita é candidata a vereadora pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro/RJ.

Coligação: PSOL/PCB. Página no Facebook: Ivone Pita.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Descobri a política na adolescência, logo depois vieram as manifestações das Diretas Já, fui para as ruas na primeira candidatura do candidato operário, o Lula, depois vieram os protestos sobre Collor, paralelamente, o engajamento estudantil na minha escola, depois a participação na coordenação do diretório acadêmico da faculdade, as reuniões e os movimentos promovidos pelo DCE, as marchas, as passeatas, os protestos.

A descoberta do feminismo, da lesbianidade, o engajamento nas manifestações feministas, no ativismo LGBT, a militância nas redes, as rodas de conversa, os textos, as páginas no Facebook, as ações conjuntas, o desejo de participar da política institucionalizada, a candidatura à deputada estadual em 2014. Tudo isso se constitui num processo de construção de identidade, de força, de amadurecimento. Tudo isso me trouxe até onde estou agora: tentando a vereança para ocuparmos os espaços de poder, os lugares decisórios e termos uma cidade pensada também por e para as mulheres.

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“Já que não me entendes, não me julgues, não me tentes”: um relato sobre a II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas

Texto de Julia Kumpera e Daniele Biscoito, Mulheres do Grupo Identidade.

Um relato sobre a II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas – 25 de junho de 2016.

Você, sapatona, acha importante pautar a sua lesbianidade politicamente? Ou estamos falando apenas de expressão de um desejo individual?

Na sociedade em que vivemos, ser lésbica significa romper com o pressuposto da heterossexualidade (compulsória) e com o sexo centrado no falo. Ser lésbica escancara que sentimos desejo a partir do nosso próprio corpo e que não precisamos de um homem para ter orgasmos. Quando adentramos neste imenso mar que é a sexualidade lésbica, descobrimos que podem existir mil possibilidades de (re)inventar o sexo e que o desejo brota em qualquer parte do nosso corpo.

Entendendo a importância de valorizar e dar visibilidade às mulheres lésbicas e de escancarar nossa potência juntas, nos reunimos para a construção da II Caminhada de Mulheres Lésbicas, Bissexuais e Transexuais de Campinas/SP. Entendemos que este seria um importante momento para dar visibilidade às questões lésbicas, além de celebrar nossas ferramentas de resistência contra o cis-tema patriarcal. Este ano nossa homenageada foi a sapa-diva Cássia Eller!

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Eu me recuso a ser invisível

Texto de Marcielly Moresco para as Blogueiras Feministas.

“Eu tenho tido de lutar por isso a minha vida inteira, pai. A minha vida inteira estranhos, namoradas! Porra, até contra os meus pais! Todos me pedindo para ser algo que eu não sou. Você tem alguma ideia de como é isso? A puta da sua existência ser negada, como: ‘Opa, seria melhor se você fosse invisível?’ ‘sim’. Eu me recuso a ser invisível, papai. Nem por você, nem pela mamãe, nem por ninguém.” – Big “Carrie” Boo (Orange is the New Black – 3×04 – Finger In The Dyke).

A invisibilidade tem algumas facetas. Ela pode ser considerada um poder e uma estratégia ou uma segregação aliada à violência da negação do indivíduo.

Na linguagem popular da ficção científica, da literatura, do cinema e dos quadrinhos o poder de ser invisível serve como proteção às personagens contra perigos e inimigos, ajudados por um objeto que os tornam invisíveis ou não. A invisibilidade pode também ser um instrumento para que se exerça outros poderes sobre os inimigos. Alguns exemplos famosos da temática invisibilidade como poder estão na capa da invisibilidade do bruxo Harry Potter; na Mulher Invisível do Quarteto Fantástico; no Homem Invisível (publicação de 1897); no Um Anel que torna os Hobbits invisíveis na saga do Senhor dos Anéis; nas naves espaciais invisíveis de Star Trek; na personagem Violeta de Os Incríveis; no Gato de Cheshire (personagem de Alice no País das Maravilhas); no filme publicitário “Homem Invisível” de uma marca de cerveja, entre outros.

No entanto, fora do mundo ficcional, a invisibilidade atinge seres socialmente invisíveis pela diferença, pelo preconceito, consistindo em uma forma simbólica de segregação e uma prática que estigmatiza os sujeitos como negados e/ou não aceitos socialmente.

A lesbianidade, de acordo com algumas teóricas feministas, constitui uma das formas mais invisíveis de representação social, pois o senso comum considera as trocas de afetos entre mulheres como práticas comuns do gênero feminino. Embora, contemporaneamente, o que se sente na pele são outras mulheres evitando abraçar, beijar e/ou demonstrar carinho em uma mulher sapatã por medo e vergonha de serem associadas a essa orientação sexual.

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