Não deslegitime a luta das pessoas trans por meio de estigmas transfóbicos

Texto de Bia Pagliarini com contribuição de Vinicius Medeiros.

Uma reflexão vale aqui por um enunciado que eu li sobre os “perigos” do pós modernos. Sujeito diz: “acho muito mais importante lutar pelos trabalhadores do que lutar para que playboy use saia em universidade”.

Eu gostaria de falar muitas coisas sobre esse raciocínio e o centro do meu argumento seria de que essa frase é transfóbica. Alguns poderiam objetar: “mas Bia, a luta de pessoas trans “de verdade” nada tem a ver com playboy que quer usar saia em universidade pra ‘zoar'”. Eu me pergunto: será mesmo? Qual é a visão e o imaginário social sobre pessoas trans? Nossas vidas trans não são vistas como dignas de serem vividas e qualquer deslegitimação da nossa causa política é efeito disto — mesmo que sob o véu da distorção.

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#BlogFem entrevista candidatas feministas: Amara Moira

Esse mês, estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas feministas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Amara Moira é candidata a vereadora pelo PSOl na cidade de Campinas/SP.
Perfil no Facebook: Amara Moira.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Faz apenas dois anos e meio que comecei minha transição, que pedi pra primeira pessoa me chamar de Amara, mas esse pouco tempo foi transformador na minha maneira de existir no mundo. Antes, vivendo como o homenzinho padrão, parecia que meu lugar ao sol estava garantido, agora eu tenho que me superar para garantir o básico e isso fez com que a militância assumisse um papel importantíssimo na minha vida. Assédio passou a ser experiência cotidiana também, assim como o medo de sofrer violência, não voltar pra casa viva. Me jogar de cabeça na militância foi a saída que encontrei pra lutar por um mundo onde mulheres e LGBTs possam existir em segurança, aí fui atrás de formação feminista, transformando o meu olhar e meu discurso, levando essa formação pras palestras que tenho dado em escolas, faculdades, Câmaras Municipais, SESCs, trazendo luz ao debate de gênero, às violências cometidas contra grupos oprimidos, violências que são naturalizadas muitas vezes.

Hoje faço parte da Associação Mulheres Guerreiras, que reúne profissionais do sexo de Campinas, do Grupo Identidade (LGBT) e do Coletivo TransTornar, primeiro coletivo trans de uma universidade brasileira, a Unicamp, onde faço doutorado em teoria literária. Para além disso, sou autora do livro recém lançado “E se eu fosse puta” (hoo editora), onde escrevo sobre as minhas experiências como prostituta de uma perspectiva feminista ao mesmo tempo que literária, tentando apresentar em detalhe as violências que enfrenta a travesti que exerce a prostituição.

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#BlogFem entrevista candidatas feministas: Indianara Siqueira

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Indianara Siqueira é candidata a vereadora pelo PSOL na cidade do Rio de Janeiro/RJ.

Coligação: PSOl/PCB. Página do Facebook: Indianara Siqueira.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Sou ativista desde que me conheço por gente e tomei consciência da vida ao redor e suas opressões. Mas comecei ativamente em 1995 quando me torno a Presidente do Grupo Filadélfia da Baixada Santista na luta de enfrentamento e prevenção ao HIV/AIDS,Hepatites Virais e outres DSTs. Sou Vegana desde de 2003 por entender o sofrimento animal e estender meu amor e luta a todes os animais: Humanes e não-humanes.

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