Quem crucificamos?

Texto de Thayz Athayde para as Blogueiras Feministas.

Dia 07 de julho aconteceu a 19° Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Paradas de orgulho LGBT acontecem todos os anos em vários lugares do mundo para mostrar que não há vergonha nenhuma em ser lésbica, gay, bissexual, travesti e transexual. Muito pelo contrário, há orgulho em ser LGBT. E esse orgulho, como muitos pensam, nada tem a ver com dizer que essas identidades são melhores que as outras. Esse orgulho de ser lésbica, gay, bissexual, travesti e transexual é para lembrar o quanto essas identidades ainda são marginalizadas e violentadas, além de mostrar as conquistas que foram importantes para o movimentos e quais as que ainda são necessárias.

Viviany Belmont protesta contra a homofobia na 19° Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Junho, 2015. Foto de João Castellano/Reuters.
Viviany Belmont protesta contra a homofobia na 19° Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Junho, 2015. Foto de João Castellano/Reuters.

É comum que algumas pessoas falem que a Parada não se trata de um ato político, conforme falei no texto: A Parada da diversidade e os atos políticos. A meu ver, a Parada LGBT é um ato político, tendo em vista que são corpos de pessoas que são violentadas diariamente e que muitas vezes não podem manifestar sua identidade de gênero ou orientação sexual livremente. Ao saírem às ruas, esses corpos que para muitas pessoas não deveriam existir, mostram que existem e resistem.

Uma das manifestações que acontecem nas Paradas LGBT e outras Marchas são os atos artísticos. Esse ano, um desses atos parece ter chamado mais atenção e criado uma grande polêmica ao mostrar uma mulher trans crucificada como nas imagens clássicas de Cristo. Em algumas discussões, a polêmica em torno dessa performance artística está relacionada a cruz porque algumas pessoas acreditam que seja um objeto sagrado. A discussão que algumas pessoas da militância estão fazendo é: por que outras pessoas podem usar a cruz para fazer atos artísticos ou mesmo como imagem publicitária da mídia e não são condenadas como foi feito com Viviany?

À esquerda, o jogador Neymar na capa da Revista Placar em fevereiro de 2015. À direita, capa do disco 'Eu não sou santo' (1990) de Bezerra da Silva.
À esquerda, o jogador Neymar na capa da Revista Placar em outubro de 2012. À direita, capa do disco ‘Eu não sou santo’ (1990) de Bezerra da Silva.

A grande questão envolvida em relação aos ataques feitos a Viviany gira em torno da transfobia. Não é possível uma mulher trans aproximar-se de algo sagrado como a cruz. O corpo de uma mulher trans é um corpo que não é aceito, é um corpo estigmatizado. É um corpo que não é importante para uma sociedade que tem como base a cisnormatividade. A meu ver, o que teria ofendido e causado polêmica, na verdade, não é a cruz em si, mas o corpo de uma mulher trans que para muitos não deveria existir. O sofrimento que Viviany reproduz no ato artístico diz respeito as mortes brutais e violências que acontecem diariamente contra as pessoas trans. E quem se importa com essas mortes e violências?

Tanta violência que as pessoas trans sofrem diariamente. Tantas pessoas que duvidam, rejeitam, julgam, ignoram, cospem nas pessoas trans. Tantas mortes brutais de pessoas trans. Tantas pessoas querendo “achar a verdade” sobre as pessoas trans, como se houvesse uma cura, como se fossem doentes. Tanta violência. E as pessoas preocupadas com a imagem da crucificação. Preocupadas com uma perfomance que denuncia todas essas violências. A violência contra as pessoas trans sempre me chocará muito mais do que uma perfomance com um crucifixo. Sempre. A violência contra pessoas marginalizadas sempre irá me deixar muito mais chocada do que um objeto, seja ele sagrado ou não. Porque na minha concepção, pessoas são muito mais importantes do que objetos.

Durante a repercussão desses casos, muitas pessoas relembraram o que aconteceu na Marcha das Vadias do Rio de Janeiro em 2013, tentando induzir que os dois eventos teriam acontecido no mesmo dia da Parada de São Paulo nesse ano. Mais importante do que dizer “concordo ou não concordo com essas ações” é compreender o contexto e mensagens dessas ações. Pode-se não concordar com a performance na Marcha das Vadias no Rio de Janeiro. Porém, uma manifestação de repúdio a símbolos de santos é uma crítica a igreja católica, que naquele dia tinha seu representante máximo, o Papa Francisco, no Rio de Janeiro. Onde fazer uma performance como aquela se não numa Marcha das Vadias? Afinal, os corpos das mulheres são quebrados todos os dias pelos dogmas religiosos.

Ao subverter, blasfemar e profanar símbolos religiosos não se está falando da fé individual das pessoas, não se está batendo na benzedeira do interior, na Vovó Candinha e suas novenas, nem no padre bacana da paróquia. A crítica é a instituição igreja cristã, que está viva há mais de dois mil anos, que faz lobby no legislativo e no judiciário contra pesquisas com células-tronco, casamento igualitário e legalização do aborto. O protesto é contra a instituição igreja detentora de rádios e canais de televisão, do Vaticano e suas relações comerciais, da intolerância em seus discursos. Portanto, há crucificações diárias de pessoas excluídas da sociedade e representar isso explicitamente incomoda. Pois é essa a intenção, incomodar!

Pode-se pensar a mesma coisa da Parada LGBT de São Paulo. Num momento em que há uma disputa política entre posições religiosas conservadoras barrando inúmeros projetos de diversidade, onde mais poderia haver uma mulher trans crucificada?

Podemos discordar ou não dos frutos políticos que serão gerados por essas perfomances. Mas há contexto. Há a necessidade de que ocorram nesses espaços. Ao pensar no momento político em que vivemos, com o congresso tão conservador quanto nos anos 1960, onde mais poderíamos nos manifestar se não nos espaços políticos que não estão diretamente ligados as políticas do Estado? Onde mais poderíamos fazer atos artísticos que podem chocar algumas pessoas mas que são necessários para falar sobre o nosso momento político atual, em que as pessoas enxergam como solução para todos os crimes a redução da maioridade penal, mas ignoram os crimes cometidos contra mulheres, pessoas LGBT e o genocídio da população negra?

Algumas pessoas argumentam que os fins não justificam os meios. Viviany Beleboni está recebendo ameaças de de morte e agressões inúmeras. Da mesma maneira que ameaçaram as organizadoras da Marcha das Vadias do Rio de Janeiro e também as pessoas que fizeram a performance artística. Vi muitas amigas que são mulheres trans sendo atacadas por defenderem a perfomance de Viviany. Algumas pessoas diziam “agora virou moda ser LGBT”, “se vocês foram perseguidos e mortos, não achem ruim”. É justamente sobre esse tipo de pensamento que acha que não há problema algum matar, estuprar, violentar pessoas trans que queremos falar. Queremos discutir sobre o conservadorismo, o fundamentalismo e o ódio exarcebado que temos visto contra pessoas que estão a margem da sociedade.

Semana passada, parlamentares da bancada evangélica interromperam a votação da reforma política para protestar contra a ação de Viviany na Parada LGBT de São Paulo. Gritaram palavras de ordem como “respeito” e “família”. De mãos dadas rezaram o Pai-Nosso e finalizaram o protesto aos gritos de “viva Jesus Cristo”. Esse é o respeito ao Estado laico que temos atualmente numa instituição que deveria existir para representar a população brasileira e garantir direitos igualitários a todas as pessoas. Além disso, o deputado Rogério Rosso (PDT-DF) tem um projeto de lei para criminalizar a “cristofobia”. Porque pela própria manifestação dos deputados, estamos vendo mesmo que está difícil ser cristão no Brasil, sentem-se ameaçados diariamente pela imagem de Cristo na cruz, lembrando-os que Jesus pregava amor, paz e andava com doentes, prostitutas, criminosos e qualquer pessoa marginalizada.

Por que não vemos deputados indignados com a morte de uma adolescente no Piauí que foi violentada, estuprada e após dias no hospital, morreu? Por que não criamos “polêmica” ao ver a morte do menino Eduardo no complexo do Alemão? Por que nos silenciamos com o feminicídio? Por que não nos importamos com as mortes e violências lesbofóbicas, homofóbicas, bifóbicas e transfóbicas? Por que fingimos não ver o genocídio da população jovem negra? Por que uma mulher trans precisa fazer uma perfomance numa cruz para que seja lembrado que seu corpo existe?

Vocês podem dizer que esse tipo de ato não ajuda em nada e que só atrapalha. Mas, na verdade, sem esse ato nem estaríamos discutindo sobre tudo isso. Vocês podem dizer que pessoas serão perseguidas por conta desses atos mas a verdade é que elas já são perseguidas, violentadas e mortas. O Brasil lidera o ranking do número de mortes de travestis e transexuais. Vocês podem dizer que o melhor é esperar e ser pacífico, que todo esse momento vai passar. Mas, como esperar de forma calma, sendo que violências e mortes estão acontecendo diariamente? Os fins não justificam os meios? Ora, eu acho mesmo é que nada justifica violência e morte.

Um objeto, seja ele sagrado ou não, nunca terá o mesmo sofrimento que pessoas marginalizadas passam. Um objeto pode ser construído novamente, a concepção das nossas crenças podem ser mudadas. No século passado pessoas negras eram consideradas “sem alma”, segundo a Igreja Católica. Isso mudou. Quem sabe veremos as crenças mudarem e então perceberemos finalmente que um objeto não nos faz falta, mas uma pessoa faz.

Os filhos da mãe: gays, lésbicas, bissexuais e trans*

Texto de Amanda Vieira.

A luta pelo respeito às lésbicas, gays, bissexuais e trans* (LGBT) é antiga. É preciso reconhecer que essas pessoas vêm lutando há muitos anos para que hoje um brasileiro comum possa dizer hoje, em público – e com orgulho – que tem um amigo gay. Dia 28 de junho é o Dia Internacional do Orgulho LGBT em lembrança a um marco histórico dessas lutas: no dia 28 de junho l969, em Nova York, os homossexuais e pessoas trans* (ativistas importantes como Sylvia Rivera e Marsha Johson – que receberam, inclusive, maior carga de violência da polícia) participaram da revolução de Stonewall: reagiram às constantes agressões da polícia, viraram o jogo e interromperam aquele ciclo de violência. Importante destacar que o público trans* da sigla nem sempre foi bem acolhido pelas lideranças das entidades LGBT mas vem conquistando, a cada dia, mais visibilidade.

Poder dizer que tem um amigo gay não prova que a sociedade é segura para as pessoas de todas as sexualidades e identidades. Ter amigo gay (para usar uma expressão comum entre os que desejam expressar um tímido sinal de aprovação à causa) ainda é pouco para uma sociedade que se acostumou a bater, violentar e até a matar quem tem um comportamento diferente daquele que é estabelecido como norma.

Em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou a homossexualidade do rol de doenças. Mesmo assim ainda temos políticos brasileiros tentando aprovar projeto de lei que propõe “Cura gay”. Enquanto o público homossexual sofre com ameaças de retrocessos, as pessoas trans* ainda lutam pela despatologização de suas identidades.cura

Atualmente ainda é raro ouvir pais e mães declarando com a mesma tranquilidade: “eu tenho um(a) filho(a) gay/lésbica/bissexual/trans*)”. Se ser LGBT ainda é perigoso, ser mãe de um LGBT, mais perigoso ainda. Ser LGBT e ter um filho, então, é mais do que proibido.

Para o senso comum, a pessoa LGBT nasce em família desvirtuada ou em família que não reprimiu suficientemente sua prole. Para o senso comum mais agressivo, os LGBT são, simplesmente “filhos da mãe”, colocados no mesmo patamar de ladrões, corruptos, criminosos e facínoras.

O senso comum impõe um modelo de maternidade: aquela que obriga as mulheres a reproduzir determinados valores sociais (neste caso, a obrigatoriedade de se criar um filho heterossexual e cisgênero). Se esses valores não são devidamente reproduzidos, as mulheres são as primeiras a serem desqualificadas (que raio de mãe é essa que colocou no mundo um filho LGBT? E o aceitou, ainda por cima? ). Depois, se culpar a mãe não for suficiente, a ira social se volta contra os pais, a escola, e todos os segmentos sociais que ousarem defender a causa LGBT.

Quando a sociedade critica a mãe da pessoa LGBT, é como se o conjunto do tecido social não participasse dessa “criação”. É como se a pessoa LGBT não pertencesse a esse mundo. Ou como se não tivesse desenvolvido autonomia suficiente para arcar com suas orientações, tendências e escolhas. A sociedade tenta, de diversas maneiras, apagar a existência da pessoa LGBT.

É preciso que nós, mães feministas, comecemos a interromper esse ciclo. A gente precisa dizer não: não vamos aceitar o preconceito social contra os nossos filhos! Não vamos aceitar o preconceito contra os filhos das outras mães e das outras mulheres! Nós vamos acolher nossos filhos LGBT e contrariar as expectativas da sociedade!

transfobianaopassaraA escritora e professora universitária Edith Modesto é uma mãe que subverteu as imposições sociais. Em 1992, descobriu que o caçula de seus sete filhos (seis homens e uma mulher) é homossexual. Desesperada, sentindo-se muito só, ela procurou outra mãe como ela para conversar e não encontrou. E assim, com muita coragem, ela começou a trilhar o caminho da aceitação, enfrentando todos os obstáculos impostos pela sociedade.

Hoje Edith Modesto compartilha com outras mães e outros pais os seus saberes. Ela é autora do livro “Mãe sempre sabe? Mitos e verdades sobre pais e seus filhos homossexuais” e lidera a organização não governamental Grupo de Pais de Homossexuais (GPH).  Esse ambiente de ajuda mútua criado por Edith Modesto é reflexo de uma sociedade que ainda é violenta e pouco segura para as pessoas LGBT e suas mães, seus pais.

Portanto, para que a sociedade passe a respeitar a pessoa LGBT, não basta “ser amigo do gay”. É preciso ser mãe da pessoa LGBT, pai da pessoa LGBT, colega de classe,  irmão, cunhado, tio, professor, padre… Pessoas LGBT existem, têm mães, têm pais, são mães, são pais: acostumem-se com isso! E viva o movimento LGBT!”

*Esse texto utiliza o termo “trans*” como abreviação de várias palavras que expressam diferentes identidades, como transexual, transgênero ou travesti.  O asterisco é adicionado ao final da palavra transformando o termo trans em um termo guarda-chuva [umbrella term]. O termo também pode incluir pessoas trans* que se identificam  dentro e/ou fora do sistema normativo binário de gênero, ou seja, da ideia normativa que temos de “masculino” e “feminino” que forma um binário.

** Nota da autora:  agradeço a leitora Daniela Andrade, que chamou a minha atenção em relação às pessoas trans* que participaram ativamente da revolução de Stonewall. As pessoas trans*, incluindo os nomes de Sylvia Lee Rivera e Marsha Johnson, foram acrescentados na segunda edição deste texto. Lamento por não constar na primeira versão! Peço desculpas pelo equívoco e desde já me coloco à disposição para rever outras possíveis falhas deste texto.

Blogueiras feministas contra a homofobia

Texto de Bia Cardoso.

O que é Homofobia?

Homofobia é a aversão, o ódio ou a discriminação contra homossexuais e, consequentemente, contra a homossexualidade. Significa não aceitar ou não respeitar pessoas apenas por sua orientação sexual. É a palavra que dá nome ao preconceito sofrido por gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. A palavra homofobia também representa a não aceitação da cultura LGBTTT, a aversão a comportamentos, aparências e estilos de vida. A homofobia funciona muitas vezes da mesma maneira que o machismo e pode incluir formas sutis, silenciosas e insidiosas de preconceito e discriminação.

Atualmente, a homofobia tem aparecido nas falas cotidianas, na mídia e sua discussão está tomando uma dimensão maior. Porém, a religiosidade, o conservadorismo e o preconceito trabalham para mascarar a gravidade da homofobia. Há situações e mecanismos sociais relacionados a violência e discriminação que compõe o caldeirão cultural da homofobia. Porém, o que a torna mais grave é a violência que existe em decorrência do ódio e as restrições aos direitos de cidadania. A homofobia pode impedir pessoas de estudarem e trabalharem. Também pode cercear seus direitos à saúde, segurança e aos direitos humanos, apenas porque uma pessoa gosta de outra pessoa do mesmo sexo. É por isso que homofobia deve ser crime.

A Reação e o Preconceito

Vivemos num mundo heterocentrando. Todos os valores e fundamentos difundidos em nossa sociedade ajudam a reforçar a sacralidade do casal heterossexual. Qualquer coisa que fuja disso não é vista como normal ou comum. Não existem vidas sexuais plurais, há somente a vida dentro da heterossexualidade.

Toda vez que uma determinada minoria social começa a se organizar, ganhar voz, exigir direitos e combater preconceitos há a reação conservadora. Há a reação de quem quer ver gays apenas em seus guetos. Confinados em mundos subterrâneos e notívagos paralelos. De quem afirma que o cara pode até ser gay, mas não pode ser afeminado. É nessa hora que surgem na boca das pessoas palavras extremamente cruéis como: heterofobia, ditadura gay, privilégios. Queremos respeito aos homossexuais por serem quem são. Queremos que ofensas e violências sejam punidas. E as pessoas vem dizer que queremos privilégios sociais. Veja bem, querer respeito significa ser privilegiado? Numa sociedade em que qualquer criança ouve desde pequeno que menino não pode ser bicha, que menina não pode fazer coisas de menino, querer o fim do preconceito significa privilégio?

Não existem piadas nem zombarias sobre a heterossexualidade. Um hétero não precisa temer perder o emprego por ser hétero, ou ter medo de ser espancado por andar de mãos dadas com alguém na rua. Não existem olhares, risinhos ou comentários sussurados para a heterossexualidade, não existem igrejas pregando contra e nem grupos específicos que matam apenas heterossexuais. Porém, chega uma hora em que é preciso reagir. É preciso esfregar na cara das pessoas o preconceito diário. O gueto torna-se pequeno demais. E a cada passo e direitos conquistados a intolerância vem em avalanche. É um Bolsonaro aqui, um Rica Perrone acolá, mostrando que o caminho é longo e a sociedade ainda não percebeu seu papel fundamental na consrução dos direitos humanos.

Apesar de você, estamos reagindo. Quando um jogador de vôlei é violentamente xingado num jogo, inclusive por crianças numa turba enfurecida, a mídia começa a estampar a homofobia. E o grupo que apoia Michael reage fazendo uma das coisas mais belas que poderiam ser feitas, pinta a reação com as cores do arco-íris e levanta bem alto a bandeira pelo fim do preconceito. Então, acertadamente, a Maria Frô pergunta: Entre o Brasil de Bolsonaro e o Brasil do Vôlei Futuro, de que lado você quer estar? Porque agora estamos reagindo também, não tem mais volta.

Foto de Tom Giebel no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Crimes de Ódio e o PL 122

Na sexta-feira (15/04) a travesti, Daniel de Oliveira, foi morto a facadas em Campina Grande. Neste mês, Adriele Camacho 16 anos, foi morta pelo pai da namorada. Um homossexual é morto no Brasil a cada 36 horas. Os crimes de ódio contra homossexuais e transexuais no Brasil se acumulam a cada dia nos noticiários. Por isso o PL 122, que prevê sanções às práticas discriminatórias em razão da orientação sexual das pessoas, torna-se fundamental no combate a violência.

O Felipe Shimaka fez um post bem bacana sobre o PL 122, resgatando seus caminhos:

Se a proposta virar lei, qualquer ato discriminatório de origem homofóbica será passível de condenação penal no Brasil. Na prática, a medida apenas complementa a chamada Lei das Discriminações, que além de já proibir e criminalizar manifestações de discriminação por raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, acrescenta: gênero, sexo, por orientação sexual, por identidade de gênero.

A então relatora da Comissão de Direitos Humanos, senadora Fátima Cleide (PT/RO), apresentou voto favorável à aprovação do projeto e discorda daqueles que vêem na proposta uma ameaça aos direitos de liberdade de expressão e de liberdade religiosa. Segundo ela, “não há inconstitucionalidade na proposta, do ponto de vista formal. Esse argumento é uma estratégia dos movimentos religiosos, no Senado, que querem que o projeto sofra modificações para voltar à Câmara e ser derrotado”. Referência: Da janela vemos o óbvio, mas será que queremos ver?

A verdade sobre o programa Escola Sem Homofobia

Apelidado de “kit-gay” é vendido pelos homofóbicos como um kit que vai incentivar nossos filhos a virarem gays. A afirmação é tão absurda que para retrucá-la basta afirmar que nossa sociedade inteira incentiva as pessoas a serem héteros, mas nem por isso gays, lésbicas e bissexuais mudam suas orietações sexuais. Na verdade, o projeto Escola Sem Homofobia organizado pelo MEC em parceria com instituições LGBTTT prevê a formulação e utilização de material didático, além da capacitação de professores, para abordar o tema em sala de aula. É essencial ler, viralizar e disseminar o ótimo artigo de Karla Joyce no Eleições Hoje e assistir os vídeos do projeto para se informar melhor:

Por isto da importância do kit! É uma iniciativa que vem para discutir a questão da diversidade sexual no ambiente escolar. É mostrar para nossos jovens que é normal ser diferente. Você pode questionar: mas tem tanta coisa que a escola pública precisa (como carteiras, livros, equipamentos, etc) e por que vão se preocupar logo com isso? A minha resposta a você que faz este questionamento é que essa ação é válida sim, pois pretende a construção de uma boa educação pública que forme cidadãos capazes de lidar com as diversidades e o resgate muitas alunas e alunos que são expulsos da escola devido ao preconceito. Ou vai me dizer que o combate ao bullying também é desnecessário?

O termo “kit gay” foi criado para confundir as pessoas, tanto leigos quanto conhecedores do assunto, que já são carentes de informações a respeito disso. Nos comentários que vi, a primeira impressão que o termo passa às pessoas é que ele está ensinando as crianças e/ou adolescentes a virarem gays, uma apologia ao “homossexualismo” ou à promiscuidade. Todas as informações que postei aqui vem para mostrar que nada disso é verdadeiro. O kit pretende fazer uma abordagem responsável do que vem a ser a realidade do jovem LGBT, que são seres humanos e merecem respeito para viverem da forma que realmente são. Referência: Digo NÃO ao “Kit Gay”!.

Blogueiras Feministas Contra A Homofobia

Nosso coletivo é contra qualquer tipo de preconceito e nos preocupamos com a morosidade com que a sociedade brasileira e o Estado vem tratando os direitos dos homossexuais e transexuais. Para isso, lançamos a campanha “Blogueiras Feministas Contra A Homofobia”. Por um mundo mais justo e igualitário. Por um mundo em que possamos reescrever a música do Tim Maia e cantarmos que “também vale dançar homem com homem e mulher com mulher”. Pegue seu selo aí embaixo e espalhe a mensagem. (O crédito dos selos é da Claudia Gavenas).