Grupos que incentivam mulheres em TI

Texto de Kamilla Holanda.

Tenho participado de encontros de mulheres desenvolvedoras de software em Washington D.C. (EUA) e fico muito feliz quando posso ir e ver mulheres falando sobre tópicos técnicos, dando palestras e transmitindo conhecimento, isso é muito empoderador. Nunca tive a oportunidade de participar de algo assim no Brasil. Estou há quase cinco anos na faculdade de Engenharia de Software e, infelizmente, posso contar nos dedos de uma mão as meninas que conheci. E, mesmo que existam algumas meninas no curso, já vi muitas vezes elas serem “empurradas” para cargos que precisam especificamente de maior socialização e menos programação, com justificativas de que as mulheres são menos adequadas para trabalhar especificamente com programação.

Abri um tópico no grupo das Blogueiras Feministas e tive respostas de apenas três meninas, o que está de acordo com pesquisas do grupo Mulheres na Tecnologia:

Podemos afirmar que as mulheres geralmente representam entre 10 a 30% de profissionais na indústria de Tecnologia da Informação no mundo. Nos Estados Unidos, incluindo os cargos administrativos, elas são 32% dos profissionais de TI. No Canadá, elas representam cerca de 23 a 28% e, na França, são 20%. No Brasil, as mulheres correspondem a aproximadamente 19%, segundo o PNAD/2009. Diversas pesquisas apontam que há preconceito de gênero, e em uma pesquisa realizada em julho de 2012 em um evento da SBC foi afirmado que ‘a resistência – quando a menina diz que quer fazer computação ou alguma área tecnológica- começa em casa, com os pais e familiares; depois as adolescentes acabam esquecendo e não se identificam mais com a área. Referência: Girl (tech) power: as mulheres de TI.

E quando se fala em salário, uma pesquisa realizada pela recrutadora Michael Page revela que as mulheres em cargos de gestão no mercado de TI recebem até 23% menos que os homens.

Não é novidade para ninguém a importância da Tecnologia da Informação e o quanto isso pode mudar os rumos da nossa sociedade. Concordo plenamente com o slogan do Anita Borg Institute: “A tecnologia transforma o mundo e as mulheres transformam a tecnologia”. Por isso, mais do que nunca, é importante que mulheres ocupem seus espaços e assumam seus postos trabalhando como cientistas da computação, engenheiras de software, engenheiras de computação, analistas de sistemas e etc.

Foto de divulgação do site Black Girls Code.
Foto de divulgação do site Black Girls Code.

Tentado ajudar, fiz uma lista com encontros, blogs, listas de e-mail, conferências, organizações que incentivam mulheres em TI e outros textos, tudo inicialmente em inglês. Depois da postagem no grupo das Blogueiras Feministas tive feedbacks com alguns outros links em português. Alguns grupos como Ladies Who Code, PyLadies e Rails Girls têm material para quem quer criar esses grupos na própria cidade. E eu digo que devemos fazer isso! É importante que existam mentoras mulheres incentivando outras mulheres e mostrando que é possível, sim, ser bem sucedida em TI.

Em português:

  • Girl Geek Dinners Brazil: evento voltado para mulheres que tem interesse ou trabalham com tecnologia.
  • LinuxChix: grupo que encoraja mulheres e meninas a usarem Linux e outros softwares. História do LinuxChix.
  • Mulheres na computação: site brasileiro feito por meninas que trabalham com TI no Brasil.
  • Mulheres na Tecnologia – MNT: maior grupo brasileiro que incentiva mulheres em TI. Página do Facebook.
  • Rails Girlsencontro de mulheres que programam em Rails. É o mais fofo de todos os grupos, as meninas são super bem organizadas e o site tem vários materiais para quem quer começar um Rails Girls na sua cidade. O bom desse grupo é que também acontecem encontros em várias cidades do Brasil como: Porto Alegre, Salvador, Fortaleza, Campina Grande, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Natal, Belém, Recife e São Paulo.
  • RodAda Hacker: oficina para meninas e mulheres que querem aprender a programar projetos web.

Em inglês:

  • Anita Borg Institute: um dos maiores institutos que incentivam mulheres em TI, todo ano eles têm um programa de verão específico para mulheres.
  • Being a female software engineer: tumblr engraçadinho.
  • Black Girls Code: organização que apoia e incentiva meninas negras a programarem e muito mais.
  • Feminist Hackerspaces Alliance: lista para quem tem interesse em criar hackerspaces feministas.
  • Gabriella Coleman: autora do livro ‘Coding Freedom: The Aesthetics and the Ethics of Hacking’. Ela é um nome muito conhecido no meio hacker, digital ativismo, produção open source e propriedade intelectual.
  • Geek Chich Programming: treinamentos em desenvolvimento de software para mulheres.
  • Geek Feminism Wiki: Página com material para (e sobre) mulheres mulheres em comunidades geek.
  • Geek Girl Con: conferências para garotas geeks.
  • Girls Who Code: organização que tem como objetivo ensinar programação para meninas do ensino fundamental e médio.
  • Helping Bridge the Gender Gap in Computing Careers: ótimo vídeo sobre mulheres em TI (em inglês).
  • Famous Women in Computer Science: fotos/história de mulheres cientistas da computação famosas.
  • Hive – Anarchafeminist Hackerhive: lista muito legal com muitas discussões feministas/hackers e o papel da mulher em TI.
  • Ladies Who Code: encontro de mulheres programadoras. Participei de dois encontros desse grupo em Washington D.C. (EUA). É um grupo muito bem estruturado com diversas palestras técnicas e gente importante participando.
  • PyLadies: encontro de mulheres que programam em Python. Participei de um encontro em Washington D.C. (EUA) e as meninas são ótimas! Muitos papos técnicos e dicas de programação.
  • She++: conferências para mulheres em TI.
  • Systers: maior lista de e-mail de mulheres em computação.
  • Women in Computer Science: organização estudantil da Stanford University (EUA).
  • Women & Technology in Brazil: site da ThoughtWorks, empresa que tem várias iniciativas para incentivar mulheres em TI.

Mais textos

[+] Feminismo e Software Livre: texto de Liliane Cruz, tradução de Tica Moreno.

[+] Garotas de programa: ótimo artigo com um pouco da história das mulheres em TI.

[+] Gender Codes: Why Women Are Leaving Computing: vários ensaios sobre a participação de mulheres em TI.

Confira também nossa série de entrevistas: Mulheres e TI.

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Kamilla Holanda tem 23 anos, está no último ano do curso de bacharelado em Engenharia de Software da Universidade de Brasília e trabalha atualmente como Guest Research no National Institute of Standars and Technology. É feminista, lésbica, usuária Linux, entusiasta de desenvolvimento open source, programadora Python e atualmente tentando atuar em grupos específicos para mulheres que trabalham com TI.