Criaminas – uma agência de publicidade virtual feita por mulheres

Esses dias, a Brenda Band nos mandou um email apresentando a Criaminas. Cansadas das mesmas propagandas de televisão, rádio, internet e revistas, um grupo de alunas da Faculdade de Comunicação Social (FAMECOS) da PUC-RS resolveu que estava na hora de mudar. Unindo conhecimentos e vivências, criaram algo para que a luta feminista não fique apenas na utopia.

A Criaminas surgiu dentro do ambiente acadêmico de publicidade com mulheres que querem ver a representação real delas mesmas em campanhas e anúncios. Por isso, fizemos uma pequena entrevista para saber mais sobre o projeto:

1. Como vocês se conheceram e se aproximaram? E já conheciam o feminismo antes da faculdade?

Nos conhecemos na FAMECOS. Quando eu sugeri criarmos uma agência de empoderamento feminino logo fizemos um grupo no whatsapp, e sinceramente, a maioria das meninas que ali estavam mal se conheciam. Alguns rostos eu nunca tinha visto, até porque, a maioria das meninas que hoje formam o Criaminas são do primeiro semestre. O engajamento e a vontade de criar pensando no feminismo veio muito forte da parte delas. Temos, claro, meninas de outros semestres, mas fiquei muito orgulhosa com esse talante delas de participarem imediatamente de um núcleo como a Criaminas.

O feminismo de cada uma de nós nasceu de vivências. Na faculdade pouco é trazido à tona. Quando assistimos a campanhas de carros, pouco enxergamos da projeção da mulher nesse tipo de vídeo publicitário e aí por diante.

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Diversidade de corpos não pode ficar só no slogan

Texto de Flávia Durante.

A nova campanha da marca de roupas C&A mostra total falta de tato e responsabilidade. Pode ser linda, sexy, plus size, curvilínea, sim. Gorda, jamais! Mais um exemplo de grande marca querendo surfar na onda do empoderamento feminino e da diversidade sem incluir de fato pois, o plus size da C&A é até tamanho 48.

O problema de uma campanha mentirosa – não nas palavras, mas na imagem – é que ela reafirma para todas as mulheres que AQUILO é o aceitável de ser gorda. Quer dizer então que ser magra é só se você vestir 38? Qualquer coisa acima do corpo de uma modelo de passarela, já pode ser considerada gorda?! OI?!?! Na verdade, o bonito pra gorda é na verdade ser magra… DE NOVO, GENTE?! Quando vamos parar?  Onde vamos parar? C&A e a propaganda ENGANOSA: close erradíssimo! Por Ju Romano.

Não iria mais falar sobre esse assunto mas só pra colocar um ponto final.

Em todas as camadas da sociedade, as mudanças só acontecem pois as pessoas “mimizentas” compram briga para depois todas poderem desfrutar de suas conquistas. No caso do universo da moda plus size no Brasil foram as blogueiras, empreendedoras e modelos “briguentas” que pressionaram e lutaram para que nosso país tenha hoje um mercado que movimenta mais de 6 bilhões de reais/ano.

Se dependesse do mundo brasileiro da moda — que despreza quem não é 36 — ainda teríamos como única opção lojas de “tamanhos especiais” com roupas horríveis e nomes medonhos como “A Porta Larga” e “A Gorda Elegante” ou a seção de gestantes das grandes redes.

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As Paralimpíadas ainda não começaram mas o capacitismo já ganhou ouro

Texto de Bia Cardoso e Patricia Guedes para as Blogueiras Feministas.

As Paralimpíadas Rio 2016 começam dia 07 de setembro. Já estão pipocando ações e matérias na mídia para divulgar os Jogos. Porém, o que tem chamado mais atenção é o capacitismo e o quanto publicitários e responsáveis demonstram nem se preocupar com isso.

A revista de moda Vogue Brasil lançou uma campanha chamada “Somos Todos Paralímpicos” em que os atores Cleo Pires e Paulo Vilhena aparecem representando atletas paralímpicos. Por meio do photoshop, Cleo aparece sem um dos braços e Paulo está usando uma prótese na perna. A primeira pergunta que muita gente fez foi: por que não usar os próprios atletas paralímpicos?

Após uma chuva de críticas nas redes sociais, o escritor e jornalista Marcelo Rubens Paiva — que é deficiente físico e usa cadeira de rodas — publicou um texto explicando que a campanha era apenas para provocar e causar polêmica. Ele convidou Cleo Pires, Paulo Vilhena e Nizan Guanaes — dono da Agência África, responsável pela campanha —  para serem embaixadores paralímpicos e essa é apenas uma peça de divulgação. A segunda pergunta que muita gente fez foi: por que pessoas sem deficiência e sem qualquer ligação com a causa são chamadas para serem embaixadores paralímpicos?

Infelizmente, não há nada de novo nesse episódio. A invisibilidade é elemento constante na vida das pessoas deficientes. Como complemento, a Vogue Brasil publicou uma foto em seu blog dos atores com os atletas que serviram de inspiração para a imagem: Bruna Alexandre do tênis de mesa e Renato Leite do vôlei sentado. Além disso, a edição de setembro da revista traz um ensaio sensual, onde a protagonista é Cleo Pires: “a atriz se engajou numa campanha para atrair o público às competições e em apoio a causa nobre Vogue a convidou para ser a protagonista do ensaio “Super-humanos” da edição de setembro”.

Por que Cleo Pires é a protagonista de um ensaio para divulgar as Paralimpíadas?

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