Não precisamos ser inimigas

Texto de Priscila Messias para as Blogueiras Feministas.

Entendo, por experiência própria, que um processo de separação é muito complicado e doloroso, e dependendo das circunstâncias acabamos carregando mágoas por um longo período de tempo, ou, em alguns casos essas mágoas ficam para sempre.

Assim como tenho direito de viver um novo relacionamento, meu ex também vai fazer o mesmo – isso se ele já não o estiver fazendo enquanto estamos juntos como um casal – e, surgirá uma mulher entre eu e meu ex companheiro, caso essa antiga união tenha gerado filhos, será essa nova pessoa que irá se relacionar diretamente com nossos filhos, pois afinal, o pai precisa estar presente na vida dos filhos e a nova namorada estará junto em alguns passeios e momentos, se não em todos.

Desde criança ouvi das mulheres que me cercavam e pela TV que era impossível manter um relacionamento amigável com a mulher atual de um ex-marido.

Quando passei por esse doloroso processo recebi logo a notícia que meu ex cônjuge estava namorando e isso pra mim inicialmente foi um choque, confesso, mas minha maior preocupação mesmo foi como meus filhos reagiriam a essa notícia. E, para minha surpresa, ela logo os conquistou por sua simpatia e carinho com eles. Mas, minha relação com ela não começou bem, e qual seria o motivo? Simples! O indivíduo que fizera parte de longos anos da minha vida e me conhecia como ninguém, fazia de tudo para que eu a odiasse. Dizia coisas que ela fazia (que sabia que me irritaria), falava coisas que ela havia comentado sobre mim mesmo sem me conhecer, e deixava claro como a família dele a amava. E pasmem! Eu acreditava em tudo.

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“Amamos mulheres independentes”. Amam? Até que ponto?

Texto de Pamela Sobrinho para as Blogueiras Feministas.

Ontem minha mãe me disse: “Tenho dó do seu futuro marido, você só pensa em trabalhar”. Fiquei assustada, não imaginava minha mãe me falando uma frase dessas. Reconsiderei, minha mãe tem os reflexos de uma sociedade machista e patriarcal que acha um absurdo uma mulher trabalhar muito.

Às vezes conversando com amigos ou até alguns caras com quem saio, eles dizem: Amamos mulheres independentes. Amam? Até que ponto?

Uma vez um cara me dispensou porque eu era bem sucedida no meu trabalho e ele não. Outra vez disse que a um cara que eu tinha saído dizendo que estava tranquila, saindo pouco e ele me disse: “Agora sim podemos voltar a sair”, é claro que eu não voltei a sair com esse cara e pouco me importei a se a masculinidade do outro foi afetada porque meu salario é maior que o dele.

Esses homens amam mulheres independentes porque talvez elas não tenham amarras, não tenham preconceitos, sejam livres e paguem metade da conta, mas na hora de assumir um relacionamento, eles estão preparados para tanta liberdade?

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Assédio: estar encurralada, viver com medo, sentir a ameaça.

Texto de Pri para as Blogueiras Feministas.

Hoje, por volta das 17:15h, sentei em uma mesa de frente para um espelho. Quem me conhece bem sabe que escovo os dentes no escuro, penteio o cabelo com um olho fechado e outro aberto, e não sou muito adepta a ficar olhando pra mim. Faça as suposições que quiser, se quiser. O que de fato acontece é que sou tão apegada em reparar nos meus sentimentos, nos meus estados da alma, nos sintomas que meu corpo apresenta que a sobrancelha e o cabelo ficam em segundo plano.

Mas hoje foi diferente.

Quando me olhei de relance, percebi mexas cobres no meu cabelo. Dos dois lados algo brilhava, era largo, intenso e diria inclusive- bonito. Há mais de 1 ano adotei a estratégia de não usar nada químico no meu cabelo e deixar que ele voltasse ao seu estado cru, original. Desde então tenho feito descobertas, como, por exemplo, de que ele tem mais curvas do que retas e que seu tom natural é uma interessante mistura genética que muito me agrada.

Bom, hoje me vi. E hoje me vi diferente.

Cada vez mais gasto menos tempo em me arrumar, cada vez mais gosto da menor interferência de maquiagem possível, e continuo me gostando mais depois de sair do spinning e enquanto faço uma máscara de argila, do que toda montada para um casamento. Aprendi que tudo bem ser assim e não estou nem aí por não ter um batom cor de uva na gaveta.

Porém, de uns tempos pra cá tenho ficado sem forças. Não tenho vontade de escolher uma roupa, pego o que tem na frente, repito o mesmo sapato praticamente a semana inteira só para poupar o pensar, e faço os coques mais bizarros da história pós-blogueiras. Um erro conceitual para quem está por ai solta pelo mundo.

Mas, por qual motivo não quero cuidar desse outro lado?

Há alguns meses, quase todos os dias meus braços em algum momento, ficam fracos. Eles adormecem a noite e preciso chacoalha-los para trazê-los de volta a esse planeta. Tenho derrubado ainda mais coisas do que fazia antes, e não tenho conseguido me dedicar a novos projetos. O que aconteceu com aquela energia toda tão presente no meu estilo de encarar o mundo?

De 7 meses pra cá venho sofrendo de algo que demorei para nomear, apesar de ser um tema em constante debate. Venho sofrendo assédio.

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