A importância da luta contra o machismo para a revolução

Texto de Natália Alves para as Blogueiras Feministas.

Quando se toma a decisão de ser comunista, esse ato é carregado de uma compreensão da necessidade de entregar a vida para a luta social. Nesse sentido, sua vida passa a fazer parte de um processo coletivo de transformação da sociedade. Todas as escolhas no âmbito privado, ou pessoal, afetam direta ou indiretamente esse processo coletivo. O “coletivo” não é abstrato, mas uma síntese das escolhas de indivíduos que o compõe.

Entretanto, a ideologia burguesa resiste em nós, e uma artimanha para manter sua influência em nossas atitudes é a divisão entre o que é considerado como vida pessoal, particular ou privada, e a vida pública ou política. Romper com a ideologia burguesa, pequeno-burguesa ou liberal, é romper a cadeia da alienação que o sistema nos impõe para dominar. É afirmar que nenhum aspecto da sua vida “pessoal/privada” pode ser entendido como algo separado da política. Essa compreensão é central para o entendimento da necessidade de se combater os traços da ideologia burguesa que se alojam em nossa consciência impedindo o avanço de nossa luta e minando a nossa relação com o povo.

O pessoal é politico

As relações pessoais não estão fora da política e, muito pelo contrário, refletem as relações de poder dominantes na sociedade e o grau de combate cotidiano que damos a ideologia da classe dominante.

A sociedade burguesa não surgiu da cabeça de iluminados, mas da luta de classes no seio da sociedade feudal. Ao ser vitoriosa, a classe burguesa não construiu uma sociedade do zero, mas se aproveitou e reformulou várias estruturas de dominação existentes para se firmar como classe dominante e trair as classes populares que a auxiliaram a chegar ao poder. A sociedade capitalista dominada pela burguesia adaptou o patriarcado para continuar a alienação do povo e a desigualdade de poderes entre homens e mulheres.

“As concepções atrasadas, feudais e patriarcais que julgam a mulher como um ser inferior, continuam, tal como no passado, a ser o principal obstáculo (à libertação da mulher). Sem quebrar estas concepções que oprimem e paralisam a sua personalidade e as suas energias, sem ultrapassar esta barreira, não se pode assegurar o seu progresso e o de toda a nossa sociedade no caminho do socialismo.” (HOXHA, Enver. A luta ideológica e a educação do homem novo)

A sociedade atual se vale do machismo para continuar a opressão histórica das mulheres porque isso esta de acordo com os interesses da burguesia. Manter as mulheres oprimidas realizando gratuitamente o trabalho do cuidado, além de lucrativo, pois desresponsabiliza o Estado de suas funções, presta um grande serviço à divisão da classe trabalhadora, composta de homens e de mulheres.

Nesse sentido é incompatível com o comunismo a opressão das mulheres. Um comunista deve estar atento e autocriticar-se quando se coloca na postura de opressor. Colocar a vida em prol do coletivo é combater os privilégios dos homens ao se valerem da exploração das mulheres.

A opressão das mulheres, portanto, é estrutural e se manifesta em todos os âmbitos e aspectos da vida social. Devemos lutar contra violência física e sexual a que as mulheres são submetidas. Porém essas não são as únicas violências vividas pelas mulheres. O machismo também se manifesta em posturas de desqualificação das mulheres, inclusive nos espaços de militância, estigmatizando as mulheres como “frágeis, fresca, choronas, incapazes para certas tarefas”. As mulheres não são uma coisa geral e abstrata, são as companheiras de luta, colegas de trabalho, namoradas, mãe, irmãs e parentes em casa realizando o trabalho doméstico e assumindo um papel social inferior ao do homem. E muitas vezes é bastante confortável para o homem compactuar com a super-exploração de outra mulher para benefício próprio.

Nas palavras de Marx:

‘’Com a divisão do trabalho, na qual estão dadas todas estas contradições, e  a qual por sua vez assenta na divisão natural do trabalho na família e na  separação da sociedade em famílias individuais e opostas umas às outras,  está ao mesmo tempo dada também a repartição, e precisamente a  repartição desigual, tanto quantitativa como qualitativa, do trabalho e dos  seus produtos, e portanto a propriedade, a qual já tem o seu embrião, a sua  primeira forma, na família,  onde a mulher e os filhos são os escravos do  homem.’’ (MARX,Karl e ENGELS,Friederich. A Ideologia Alemã. Cap. 1.).

Nesse sentido, as relações no interior da família refletem relações de poder mais amplas da sociedade. Essas relações são, portanto, profundamente políticas e podem servir para fortalecer a luta pela emancipação do povo, ou a dominação burguesa. O tempo consumido pela mulher realizando as tarefas domésticas é o tempo que falta a ela para ir a uma reunião, se informar sobre o mundo e se engajar na luta. Agir como um explorador é fortalecer o domínio da exploração. As relações de dominação também se refletem em posturas de desrespeito quanto às opiniões, vontades, desejos das mulheres, tidas na sociedade como pessoas sem personalidade própria e como apêndice da vontade dos homens. Portanto é profundamente contraditório com a causa do comunismo fazer discurso contra a opressão da porta para fora de casa e no interior dela oprimir e se valer da sua condição de privilegiado.

É preciso lembrar que o contrário também é verdade: o político também é pessoal. A forma como desenvolvemos a nossa luta reflete na vida individual e em última instância define qual sociedade defendemos para o futuro. Colocar a luta contra o machismo como uma das questões centrais é assumir um compromisso com uma sociedade sem opressão para as mulheres.

Duas trabalhadoras costuram bonecos do Fuleco em fábrica na China. Foto de REUTERS/Stringer.

Nada é natural

Marx dizia que não há natureza humana fora da sociedade humana. Isso quer dizer que tudo o que existe na sociedade não é obra de um ser abstrato, mas dos seres humanos que constroem a sociedade. O fato de uma mulher ter capacidade de gerar filhos não a faz ser naturalmente mais apta a cuidar da casa, do marido, das coisas do marido, dos idosos, das roupas, da comida, do cachorro, do dever de casa das crianças, das doenças etc. Ela foi ensinada a fazer tudo isso e foi colocada no papel social de ser responsável por esse conjunto de atividades.

Entretanto, esse é um argumento bastante usado pelos homens para aliviarem sua consciência ao não repartirem as atividades domésticas. É preciso ter claro que esse é um pensamento profundamente anti-marxista e, ao naturalizar a situação de exploração na sociedade, serve à ordem dominante. A burguesia quer naturalizar sua exploração propagandeando ideias de que é da natureza humana ser competitivo, querer levar vantagem, ser ganancioso. Esse pensamento afasta o povo da luta, pois “pra que se esforçar tanto para ir contra a natureza humana”. O mesmo acontece com as tarefas domésticas e de cuidado na sociedade. Devemos ter em mente as palavras do poeta comunista alemão Bertold Brecht: “nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar”.

“Ela faz porque quer”

“A essência humana não é uma abstração inerente a cada indivíduo. É, em sua realidade, o conjunto das relações sociais.” (MARX, Karx, Teses sobre Feurbach. VI.)

Com certeza alguns companheiros devem estar pensando agora: “minha mulher, companheira, namorada, mãe, irmã ou qualquer outra mulher da sociedade gosta de fazer as tarefas domésticas, gosta de ser oprimida, gosta de falar mal de outras mulheres”.

Primeiramente, esse é um discurso profundamente liberal, pois legitima qualquer discurso individual como válido ou apolítico. Ademais as/os comunistas precisam refletir mais profundamente que a estrutura social, a ideologia dominante e as relações pessoais e sociais fazem com que várias mulheres pensem assim e acabem por reproduzir o machismo presente em todos os momentos de suas vidas. Ou ninguém nunca ouviu operárias/os defendendo patrões? E por que fazem isso? Porque a exploração capitalista aliena os mecanismos de funcionamento da sociedade são escondidos, não são escancarados. É preciso lutar e estudar para entender a exploração. É preciso lutar e estudar para entender por que elas, mulheres, foram colocadas socialmente em uma postura inferior. Ou como diria Rosa Luxemburgo: “quem não se movimenta, não sente as correntes que a/o prendem”.

Portanto, ao invés de se contentar com o pensamento fácil “ela faz porque quer”, os comunistas devem lembrar que as vontades que temos no capitalismo são moldadas pelas relações sociais e a ideologia dominante e não somos plenamente livres e autônomas/os para fazer qualquer coisa enquanto existirem classes sociais e exploração de classe.

Cuidando do broto

A compreensão da opressão da mulher é fundamental para a tarefa de assistência de militantes. É impossível prestar uma boa assistência a uma companheira e ignorar as dificuldades adicionais que a sociedade impõe ao seu desenvolvimento, seja por ter que dar conta de atividades domésticas, seja pela educação que as mulheres recebem para serem recatadas, tímidas, passivas, e por não serem nunca educadas para se exporem em espaços públicos.

É preciso perceber que uma relação de assistência pode se tornar um abuso, caso o assistente homem aproveite-se da sua posição para exercer poder sobre a mulher, criando situações de constrangimento para manter relações com a assistida ou até ter uma relação discriminatória ou de silenciamento, reproduzindo estereótipos do tipo, “ela tem muitos problemas, não tem condições, não é capaz”, etc. Relações abusivas podem ser desenvolvidas por companheiros que assumem postura de destaque no movimento e passam a encarar sua posição de forma vaidosa e machista, se relacionando com várias mulheres para satisfazer seu ego e, no alto de sua arrogância e autossuficiência, nunca ouvirem as opiniões das companheiras ao seu redor.

“A cada um segundo suas necessidades”

O comunismo sempre reconheceu as diferenças existentes no interior da classe explorada. Não atoa a fórmula clássica do comunismo é “De cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades” (MARX, Karl. Críticas ao Programa de Gotha. Cap. 1.). Ou seja, ao contrário do que os nossos adversários afirmam, que o comunismo defende que somos todos uma massa igual e sem identidade, afirmamos que existem necessidades diferentes na sociedade que devem ser consideradas e respeitadas. O que eliminaremos numa sociedade nova, comunista, é o que o capitalismo faz, transformar diferenças em desigualdade e opressão. Nesse sentido, lutar contra a opressão da mulher é lutar contra a transformação das mulheres em objetos e propriedade do homem, educados para serem os proprietários privados da vida das mulheres.

Autora

Natália Alves é uma revolucionária, negra e feminista em formação e transformação. Jornalista nas horas vagas.

Mudanças grandiosas podem começar do micro

Texto de Natália Ribeiro para as Blogueiras Feministas.

Dia desses, minha professora de Assessoria de Imprensa comentou que deu um forninho rosa para o afilhado dela de cinco anos. Não preciso nem dizer que ela foi mais rechaçada que a presidenta em dia de panelaço. A família toda caiu matando em cima do “grande absurdo”: onde já se viu uma tia dar um fogão – justamente na cor rosa – para o sobrinho? O que ela estava querendo? Que ele virasse gay? Jamais! Filho meu não toca em brinquedo de menina.

Fico me perguntando quantas pessoas ainda possuem esse pensamento arcaico como o dos familiares da minha professora. Não posso quantificar ao certo. No entanto, ouso arriscar que a maioria da sociedade faz parte desse grupo. Não sei o que é pior: achar que um forninho rosa é brinquedo de mulher ou ter medo de que o filho vire homossexual, como se homossexualidade fosse doença.

Vivemos numa sociedade machista e sexista que não pretende perder seus “valores tradicionais”. Como se não fosse bom mudar e ampliar como vemos o mundo e especialmente as pessoas. O patriarcado, palavra derivada do grego que pode significar ‘mandar’, ‘pai’ ou se referir a um território ou jurisdição governado por um patriarca, representa a estrutura social de autoridade a qual estamos subordinados em sociedade. Há um poder interno na sociedade que determina quais nossas posições sociais e que é estimulado por nosso sistema de organização social, tornando as relações entre as pessoas desiguais e hierarquizadas. O que é fundamental para que quem está no poder não perca seu lugar.

Penso que ser feminista significa lutar contra essa estrutura. Também penso algumas vezes que ser feminista deveria ser uma condição natural das mulheres, já que somos tão violentadas diariamente, tanto nos espaços públicos como nos privados. Já sei o que você está pensando: mas e as donzelas machistas, ainda tão presentes (infelizmente!) no mundo atual? Bom, o pensamento machista está espalhado por toda sociedade. Somos expostas diariamente a julgamentos e manuais de como as mulheres devem ser, viver e se comportar. Aposto que você que está lendo esse texto já ouviu quando pequena que menina não fala palavrão. O patriarcado é essa estrutura que está não apenas nas relações de trabalho e de violência mas também nos pequenos espaços do cotidiano.

Marcha das Vadias de Recife/PE 2015. Foto de Carol Botelho.
Marcha das Vadias de Recife/PE 2015. Foto de Carol Botelho.

O feminismo é uma das portas para questionarmos essas amarras do machismo e do patriarcado. E acaba se tornando uma luta diária, pois as pessoas insistem em reproduzir preconceitos, afinal é assim que conhecem o mundo. O pensamento binário, por exemplo, está presente em quase todos os âmbitos da vida moderna – e ele faz mais mal ao progresso do feminismo do que se imagina. Binarismo significa pensar pequeno: ou é hétero ou homo. Ou certo ou errado. Ou bonito ou feio. O mundo nos mostra uma infinidade de dualidades, que não têm a menor pretensão de se expandirem para, no mínimo, uma trialidade.

Para tentar dar um exemplo, julgamos o ser humano que é gay. Afinal de contas, se ele pega alguém do mesmo sexo, ele só poder ser homossexual, não é mesmo? Bissexualidade não existe no dicionário do preconceituoso: ou é sim ou é não. Gostar de alguém e, ainda assim, sentir-se atraído por outra pessoa – mesmo que seja de outro sexo – não é uma possibilidade. Mais absurdo ainda seria ter um caso de uma noite só com uma pessoa do mesmo sexo. Isso não pode existir e, se existe, significa – necessariamente – um comportamento homossexual. Algo que poderia ser simples, uma pessoa viver plenamente sua sexualidade com quem quiser em sua intimidade, acaba se tornando uma polêmica para definir o que pode ou não pode.

É fácil julgar e generalizar quem não está dentro dos padrões heteronormativos. É fácil para o patriarcado definir entre as mulheres quem é puta ou santa. O que está fora dos padrões será sempre excluído e não há respeito, muito menos tolerância. O que devemos fazer? Aceitar o julgamento da esmagadora maioria ou remar contra a maré?

Ao refletir sobre isso, sempre me dá uma pequena “coceira” para mudar a realidade opressora que ainda vigora. No entanto, há o comodismo de viver num mundo em que na maioria das vezes eu não sou alvo desses preconceitos. Porém, sinto que é preciso fazer alguma coisa, por maior que seja o pessimismo. A mudança deve começar em nós mesmos. Querer mudar o mundo como um todo é bem difícil, mas podemos pensar em ações pontuais mais diretas. Então, eu me propus como mudança interior: não julgar o outro. Assim, espero dar os primeiros passos nessa construção da revolução.

Autora

Natália Ribeiro tem 20 anos e é estudante de jornalismo na Universidade de Brasília. É amante da literatura e das boas produções audiovisuais – sobretudo os longas metragens. Você pode encontrá-la no Instagram, Facebook ou Twitter: @natiribeiro95.

Vamos revolucionar!

Hoje quero falar de revolução. Quero convidar você a revolucionar-se. Perceber a revolução que vivemos. Começando por aquela que queremos fazer com nossas vidas. Quero falar sobre o mundo que desejamos para nós e para os que virão depois de nós. Essa semana, me peguei pensando muito em revolução, mudanças, pontos de partida, em como fazer uma revolução ampla, gigantesca para mudar o rumo da humanidade. Me chamem de megalomaníaca, provavelmente eu vou responder.

Wangari Maathai na Conferencia das Nações Unidas de 2009. Foto: UN / Mark Garten – Imagem em CC – Africa Renewal

Fiquei pensando nisso e lembrei de duas mulheres que, nos últimos tempos, me chamaram atenção.

Uma delas foi a queniana Wangari Maathai sobre quem fiz um post no meu blog no ano passado, de tanto que sua vida e sua luta me inspiraram. Ela, ativista politica e ambiental revolucionou seu país plantando árvores.

Fundou o movimento The Green Belt Movement que modificou sua comunidade, e o impacto disso no país culminou com a deposição do poder do ditador Daniel Arap Moi.

Ela foi membro do parlamento queniano após a queda do ditador e colocou o exército queniano para plantar árvores. Trinta e cinco mil árvores foram plantadas no Quênia. O grupo que ela fundou e liderou trabalha ainda, mesmo depois de sua morte em setembro do ano passado. Seu legado vive nas florestas restauradas do Quênia. Ela mudou o destino do seu país, ela deu o primeiro passo que foi seguido por muitos em direção ao futuro que ela imaginou para seu país e seu povo.

Uma outra mulher que tem me inspirado e fascinado muito é Birgitta Jonsdottir. Ativista islandesa que está por toda parte. Digite seu nome no google e voce se surpreenderá com a quantidade de informações sobre ela.

Escritora, poeta, editora, mãe solteira, membro do parlamento Islandês desde abril de 2009, porta-voz de diversos movimentos sociais e perseguida política pelos Estados Unidos por causa da sua colaboração com o WikiLeaks. Defensora e porta-voz do IMMI (Icelandic Modern Media Initiative – Iniciativa islandesa da mídia moderna).

Birgitta Jonsdottir – Foto: Florian Apel-Soetebeer / Government 2.0 Netzwerk Deutschland. No Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Ela liderou as manifestações em 2008 quando a economia Islandesa quebrou por causa da crise dos mercados financeiros. Comandou a ação do povo contra a medidas restritivas e as manobras financeiras que dariam aos bancos o socorro financeiro e imporiam aos islandeses uma dívida que seria paga por gerações e gerações de pessoas. O povo islandês pagaria pelos empréstimos que os bancos particulares e multinacionais contrairam durante a crise dos mercados finaceiros . Ela se posicionou contra essas medidas. Juntos, ela e o povo da Islândia votaram contra essa medida e os bancos foram todos nacionalizados.

Ela defende o WikiLeaks onde já foi voluntária. Assumiu a co-produção do vídeo que mostra oficiais americanos abrindo fogo contra civis em Bagdad e que foi estopim para a investigação dos crimes de guerra cometido pelos EUA. Ela luta pela transparência nos assuntos do Estado e sobretudo pela internet livre, sem censuras ou regulações, pela transparência na regulação do sistema financeiro. A sua vida e sua luta são tão incríveis e fascinantes que um post não é o suficiente para falar sobre tudo que ela já conquistou.  Judith Ehrlich está produzindo um documentário sobre ela.

Curiosamente, nada do que aconteceu na Islândia é notícia nas grandes redes de televisão do mundo. Sob a sua liderança, a Islândia não cedeu a pressão feita pelos EUA e sofreu sanções, mas ressurgiu e está de pé. Não passou incólume pelo golpe financeiro, mas se refaz. A democracia do país se fortaleceu e talvez, ouso dizer, passou a ser democracia no sentido mais literal do termo. As decisões políticas agora estão transparentes.  O povo tomou consciência do seu poder e responsabilidades para manter a política livre de agentes externos que a forcem financeiramente a decisões que não priorizam a população.

Essas mulheres estão separadas em épocas e continentes diferentes, impulsionando seu povo para mudar o meio ambiente, a política, a economia e os rumos de seus países. Essas mulheres não são diferentes de mim ou de você. E no entanto, suas lutas e a determinação com que buscam seus objetivos levaram-nas a atingir enormes conquistas. Provocaram e ainda provocam transformações enormes em seus países, no nosso mundo, na nossa sociedade.

Eu convido você a mudar, a revolucionar, a refletir, a rever preconceitos, a rever seus discursos, suas opiniões, seus objetivos de vida. E então, mude o que você acha que não está bom na sua realidade, no seu cotidiano, na sua rotina. Repense, reflita, sejamos a primeira pedra do dominó a cair e derrubaremos juntos toda a opressão.