Estatuto do Nascituro: sobre quem é esta conversa?

Texto de Marcelo Caetano.

Nas últimas semanas, o Estatuto do Nascituro tem sido tema recorrente nos debates feministas. Muito já foi falado sobre o tema (como você poder ver aqui e aqui, por exemplo), mas há algumas perspectivas, resultado de experiências bem específicas, que não foram mencionadas. E é sobre elas que eu gostaria de falar.

Como um homem transexual, possuo capacidades reprodutivas que, biologicamente, são identificadas como do sexo feminino: útero, ovários, possibilidade de gestar, amamentar, etc. Assim sendo, faço parte do grupo de pessoas que, em algum momento da vida, poderia, por seja lá qual a razão, querer/precisar fazer um aborto. Não que o aborto seja algo permitido atualmente, mas o Estatuto traz uma série de retrocessos que representam uma violência aos nossos corpos, a nossa dignidade e a nossa integridade física e moral.

Assusto-me imensamente diante da possibilidade de ser estuprado, forçado a uma relação sexual sem consentimento. Confesso, no entanto, que o que mais me assusta não é a violência do momento, mas, sim, a possibilidade de sair dessa violação com uma gravidez. Alguns homens trans querem engravidar, e eu não vejo qualquer tipo de problema nisso. É uma escolha que cabe aos sujeitos, individualmente (da mesma forma que compreendo a situação quando se trata de mulheres), mas essa não é a escolha que eu faria. Não penso em engravidar. Não quero, não desejo; tenho minhas razões para isso, mas não querer já me parece razão suficiente para que eu não seja obrigado a vivenciar isto.

Protesto contra o estatuto do nascituro em Brasília. Foto: Antonio Miotto.
Protesto contra o estatuto do nascituro em Brasília. Foto: Antonio Miotto.

Com o Estatuto, então, e a possibilidade de ser obrigado a manter uma gravidez mesmo em caso de estupro, tudo que consigo pensar é que eu não seria capaz de conviver com isso. Talvez, seja um tanto quanto duro colocar as coisas dessa forma, mas diante de uma gravidez, eu escolheria o suicídio. Sim, uma gravidez representaria o maior dos sofrimentos, um sofrimento que eu não conseguiria suportar.

Refletindo um pouco mais, podemos perceber que o aborto reafirma um controle do corpo das mulheres. O controle por parte do Estado, dos pais, dos maridos (e, agora, o controle até mesmo por parte do estuprador, que teria garantida a paternidade da criança); basicamente, o Estatuto do Nascituro declara, de uma vez por todas, que o corpo das mulheres cisgêneras não pertence a elas mesmas e que não serão elas, então, a ditar as regras. É o resultado maior e mais expressivo das estruturas patriarcais que ainda predominam em nossa sociedade. Porém, não podemos ignorar o fato de que pessoas trans têm seus corpos controlados todo o tempo. Suas identidades são patologizadas, suas transformações corporais são vigiadas, controladas e dificultadas (muitas das intervenções desejadas por pessoas trans são realizadas como procedimentos cotidianos para pessoas cisgêneras).

Não estou, acima, criando qualquer tipo de escala; não estou tentando, de nenhum modo, dizer quais corpos são mais controlados, se os das pessoas trans ou os das mulheres cisgêneras. Na verdade, estou estabelecendo paralelos e semelhanças. Não tenho dúvidas de que a transfobia tem suas raízes, e mesmo seu tronco e folhas, na estrutura patriarcal. As opressões sofridas por mulheres cis e por pessoas trans têm a mesma origem, ainda que se expressem de modos diferentes.

Não tenho muitas respostas, esta é a verdade. Creio, contudo, que seja importante pensar nos homens trans quando se discute aborto, Estatuto do Nascituro e outras violências de gênero, especialmente as institucionais, que podem ter reflexos significativos em termos de políticas públicas. Relevante lembrar, também, que a grande maioria dos homens trans, por algum tempo de suas vidas, foram socialmente reconhecidos enquanto mulheres. Deste modo, é muito possível que quase todos, ou mesmo todos, tenham vivido violências de gênero vinculadas à identidade “mulher”.

É tempo, então, de criar mais espaços de diálogo entre as feministas e os homens trans, e acho que essa é uma responsabilidade dos dois grupos. Os homens trans precisam ser protagonistas na luta que é deles, mas não dá para negar as dificuldades de organização, visibilidade e mesmo de existência e esperar que o oprimido se fortaleça e consiga gritar para, só então, tornar-se capaz de ouvir a sua voz e parar para escutá-la não me parece uma boa estratégia para quem realmente deseja pôr fim às opressões.

Ps.: Não tenho dúvidas de que este texto não reflete a opinião, muito menos a experiência, de todos os homens trans. Esses são os meus pensamentos e as minhas impressões e, por isso, refletem apenas isso: os meus próprios pensamentos e as minhas próprias impressões.

Blogagem Coletiva: Dia da Visibilidade Trans

Ontem, 29 de janeiro foi o Dia da Visibilidade Trans. O Marcelo escreveu sobre sua condição. Sobre esse intenso ser e não ser. E, sobre a realidade concreta de quem enfrenta imensas barreiras no texto: Por onde passa a compreensão da transexualidade?

Campanha: “Respeito e dignidade. É isso que queremos”, da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista - BA

Para quem quer saber mais recomendamos o blog do Marcelo, especialmente artigos como: A pele que habito – mas que não é minha. O Subversiveopendiscourse da Hailey Kass. Cultura Crossdresser da Luisa Stern. E o site FTM Brasil.

Convocamos uma blogagem coletiva porque é preciso falar abertamente sobre transexualidade, olhar além dos estereótipos e de nossas limitações cotidianas. Acreditamos que o feminismo tem o compromisso fundamental de apoiar o respeito a diversidade e a garantia de todos os direitos a transexuais, travestis e transgêneros. Obrigada a todas e todos que se juntaram a nós em mais essa luta.

Confira os posts participantes:

Infelizmente, muitas dessas pessoas são alvo de agressões gratuitas, verbais e/ou físicas, haja vista o vergonhoso número de vítimas, fatais ou não, entre os homossexuais, travestis e transgêneros , devido à falta de tolerância de pessoas arrogantes e com profundos traços de psicopatia , incapazes de sentirem aceitação às diferenças opções das pessoas , respeito pela escolha sexual/corporal dos outros.

A transexualidade problematiza os limites do sexo, exigindo novas elaborações, desde políticas específicas de saúde até o uso corriqueiro do banheiro em locais públicos. A heterossexualidade não é o natural, ela é apenas o comum. O modelo rígido de masculinidade e feminilidade não abarca as diversas nuances que os corpos e identidades humanas são capazes de ser. A transgressão as normas de gênero é o que garantirá uma sociedade justa e igualitária, com muito mais liberdade para todos.

Infelizmente somos criados para ser seletivos com os seres de nossa própria espécie. Inclusive eu, estou metida nesse balaio aí. Mas exaltar preconceitos, ao invés de tentar evitá-los e, principalmente, combatê-los, só para fazer coro ao patético movimento do politicamente incorreto, não contribui em porcaria nenhuma para realmente sentirmos que estamos no século XXI, tratando-se de mentalidade.

Para o Direito, você É o seu corpo (um corpo dotado de valores espirituais que integram a personalidade do indivíduo, mas ainda assim, um corpo), e por isso era muito difícil para juristas trabalharem com a inegável existência da ‘transexualidade’. Sabiam que ela existia, mas não sabiam como lidar com ela. E isso fazia com que fosse negado, no âmbito jurídico, todo e qualquer pedido para ‘mudança de sexo’ e as pessoas tinham de ir para outros países para fazê-la.

Campanha: “Respeito e dignidade. É isso que queremos”, da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista - BA

Eu acredito que a ignorância, acima de tudo, seja a causa ou pelo menos a motivação de fortalecer um preconceito. Quando se fala de trans, pessoas não sabem sequer a diferença entre um travesti e um transexual. Vão logo tomando suas conclusões precipitadas, usando termos pejorativos, humilhando e degradando tais pessoas sem sequer saber a luta diária de cada uma dela.

Em um mundo moldado por um conservadorismo de opiniões vazias é muito revolucionário escolher ser diferente do que a sociedade espera que sejamos. Nascer com pênis ou vagina ou hermafrodita é uma fatalidade biológica, tornar-se homem ou mulher é uma revolução que escolhemos operar em nós mesm@s.

Antes, porém, quero comentar o caso do cartunista Laerte, e a polêmica do uso do banheiro feminino. Vi alguns comentários bastante ignorantes a respeito do assunto, como por exemplo a possibilidade de “ter sido visto mijando”. Alguém que diz uma coisa dessas ou é muito mal informado, ou está de má fé mesmo.

O fato é que ambas enfrentam o estranhamento e a intolerância no seu dia-a-dia, sendo muitas vezes discriminadas, até mesmo por homossexuais. “De modo geral, muitas transexuais e travestis são postas para fora de casa pelos seus próprios familiares, por volta dos 13 ou 14 anos. Normalmente, neste período é que começa a busca pela nossa verdadeira identidade sexual”, explica a transexual pernambucana Aleika Barros, representante e coordenadora da Articulação e Movimento de Transgêneros em Pernambuco (Amotrans-PE). “Este ato de exclusão já contribui bastante para que estas pessoas sintam na pele a intolerância”, garante.

Precisamos sair um pouco da caixinha e deixar de pensar em termos de gêneros binários (homem/mulher, geralmente nessa ordem). Claro que isso é mais fácil falar do que fazer. Mas um primeiro passo é respeitar quem é diferente (lembrando que, de uma forma ou de outra, tod@s somos diferentes). Não cabe a ninguém ser um guardião da “normalidade” e sair por aí decidindo a identidade sexual de uma pessoa.

Segundo Cosi, tratar o transexualismo como uma singularidade de cada pessoa é entender a personalidade de cada uma delas e fugir dos estereótipos. “Transexual não é apenas a pessoa que solicita a cirurgia de mudança de sexo. Há homens que vivem como mulheres e mulheres que vivem como homens mesmo com o órgão sexual oposto. Eles lidam bem com isso e sentem que não precisam fazer a cirurgia. Para muitos deles, sua redesignação civil, a mudança de nome, já lhes é suficiente, assim como o reconhecimento e o respeito do outro.”

Desde que veio a público, a Laerte está tendo que lidar com toda sorte de transfobia nos níveis mais variados e sutis; desde gente que pergunta se ela “vai cortar o pinto fora” a gente que quer saber se agora ela é homem ou mulher.

Há, ainda, pessoas transexuais, transgêneros e travestis. Enquanto transexuais identificam-se com um gênero que não aquele atribuído a ele ou ela pela medicina de acordo com o aparelho reprodutor na hora do nascimento, travestis identificam-se com e vivem mais de um gênero ao mesmo tempo. Esta semana o cartunista Laerte, conhecido socialmente primeiro como homem e mais recentemente também como mulher, tendo assumido-se travesti, recorreu à justiça pelo direito de usar o banheiro feminino quando “estivesse” mulher.

Respondi algo muito parecido com o que o urologista Eloísio Alexsandro recentemente afirmou em entrevista à Folha de São Paulo, que eu cito aqui: “As pessoas falam em prioridade, por exemplo, que tem pacientes com câncer que precisam operar. Mas o fato de [o procedimento] ter sido incluído no SUS não exclui ninguém. Precisam entender que, para aqueles que desejam a cirurgia de transgenitalização, é um sofrimento imenso essa incongruência de corpo e mente.”. Declaração perfeita se analisada à luz do conceito ampliado de saúde e dos princípios do SUS.

Dito isso, voltamos à pergunta inicial, por que chamar a atenção para as pessoas trans? Vários são os motivos: o Brasil é o país que mais tem assassinatos de pessoas LGBT’s (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) do mundo, uma pessoa a cada dois dias – e vem aumentando; a mínima parcela de pessoas trans no mercado formal de trabalho; a evasão escolar dessas, e como relacionamos essas pessoas à prostituição. Tudo isso em razão do preconceito, seja do mercado de trabalho, seja do Estado por não possuir leis e reconhecer seus direitos, seja o nosso próprio preconceito.

Após alguns anos, quando eu finalmente adquiri conhecimento, informação e entendi que as pessoas são o que são e ninguém tem nada a ver com isso, lembrei daquela transexual. Me senti envergonhado.

Campanha: “Respeito e dignidade. É isso que queremos”, da Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista - BA

Aos 22 anos Guta encontrou algum alento ao descobrir a existência da transexualidade e que havia quem desse cuidados especiais a cada caso, mesmo que experimentais. Estudou, se informou, sonhou ainda mais. Aos 28, começou tratamento e acompanhamento médico e aos 31, finalmente, sintonizou mente e corpo.

É hoje, aos 27 anos, uma mulher transexual em início de tratamento. Aguarda na fila o acompanhamento psicológico que autorizará sua cirurgia e acredita que esse será um marco na solução dos seus problemas.

acho que a única coisa que posso dizer é que eu espero que a inciativa do Laerte seja um exemplo pra vári@s trans, travestis e crossdressers não aceitarem calad@s a discriminação. E que como Laerte deu visibilidade a um caso de preconceito, devemos olhar isso tudo e rever nossos preconceitos, rever se vale a pena magoar uma pessoa por um motivo que não muda em nada a nossa vida.

Sobre a questão, há dados, há números, há estatísticas (de óbito, muitas vezes, fato sintomático por si só). Preferimos aqui o exercício simples e rápido da realidade: olhe a sua volta e conte quantas travestis ou transexuais estão ao redor. Alguma atrás do balcão da padaria? Dando aula de história? Na cadeira da gerência da sua empresa? Fazendo o mesmo curso que você na universidade? As respostas tendem a zero, geralmente.

São as travestis que mais encontram dificuldades de ingresso no mercado de trabalho, de acesso aos serviços públicos. Sofrem com a falta de atendimento e tratamento adequado, com a carência de políticas públicas que atendam suas especificidades. São elas que são as mais apontadas na rua, na escola, alijadas do meio familiar, invisíveis para o poder público. Sob elas ainda pesa o estigma da marginalidade. E a elas muitas vezes, é negado um dos direitos mais fundamentais do ser humano: o direito a um nome!

E, me arrisco a dizer, essa binária de gênero é ainda mais cruel para quem é trans. Se você, trans, possui comportamentos ou gosta de vestimentas associadas pela sociedade ao sexo que lhe foi atribuído ao nascer, você não tem sua orientação sexual questionada – como acontece com os cisgêneros – : você tem a sua identidade de gênero, ao ouvir comentários como “se gosta disso/faz isso por que mudou de sexo?”.

Blogagem Coletiva: Dia do Orgulho LGBT.

Em 28 de Junho de 1969, gays, lésbicas e travestis que estavam no bar Stonewall Inn em Nova York decidiram reagir à constante perseguição de policiais. Diariamente a polícia invadia clubes e casas que funcionavam de forma praticamente clandestina mas eram tradicionais pontos de encontro LGBT. As pessoas tomaram as ruas, tombaram e incendiaram carros, levantaram barricadas e transformaram o Stonewall Inn em “marco zero” da luta contra a homofobia.

Em 05 de maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal do Brasil reconhece por unanimidade a união estável homossexual. Muitos saíram às ruas para comemorar entre amigos, o reconhecimento dos direitos humanos que um parlamento retrógrado teima em negar.

Em 23 de junho de 2011, durante a Marcha para Jesus, o reporter Ricardo Galhardo do IG entrevistava pessoas quando Jovelina das Cruzes, evangélica, mostra a humanidade que falta a tantos religiosos:

“Enquanto a reportagem entrevistava os jovens, a aposentada Jovelina das Cruzes, de 68 anos, ouviu a conversa e fez uma intervenção. “Vocês estão falando sobre o que não conhecem. Meu sobrinho é gay e é um rapaz maravilhoso. Ótimo filho, muito educado, muito honesto e estudioso. Já o meu filho é machão e vive batendo na esposa, não respeita ninguém, não para no emprego.”

Quando Jovelina virava as costas para continuar a marcha Natanael, que não se deu por vencido, fez uma observação. “Cuidado, tia. Se o pastor escuta a senhora falando uma coisa dessas ele não deixa mais a senhora entrar na igreja”. E Jovelina respondeu. “Igreja é o que não falta por aí. Se me impedirem de ir em uma, vou em outra. Não tem problema.”

2° Marcha Contra Homofobia - maio/2011. Manifestantes em frente o STF. Foto de Roberto Jayme/UOL Notícias

Posts Participantes da Blogagem Coletiva:

28 de junho: reflexões sobre o toctoctoc do facismo em nossas portas, da Luka

Durante as décadas a história do 28 de junho acabou por se perder, apenas lembrada nos guetos dos guetos da política. Servindo de base para uma disputa contra o machismo e o femismo nas organizações anticapitalistas ou reformistas. É importante lembrarmos que esta data dialoga diretamente com a luta contra a criminalização dos movimentos sociais e o extermínio da juventude negra e pobre tão noticiado por aí.

A eterna parada dos sem noção, da Lola Escreva

Ao invés de competirmos numa espécie de Olimpíada da Opressão para ver quem sofre mais preconceito, temos mais é que nos unir. E mais: precisamos ter orgulho de estar na companhia de outras minorias igualmente aguerridas. Tod@s nós lutamos por um mundo melhor, livre de preconceitos.

A inacreditável Myrian Rios, do Imprença

Pois bem, eis que Myrian Rios, no auge de sua sabedoria e amor ao próximo {{é o que está na bíblia, ou não?!}} resolve demonstrar o motivo pelo qual ela é contra a PEC 23/2007 {{uma espécie de PL 122 do Rio, como diz o vídeo abaixo}} e, bem, saiu isso aqui:

A Nossa KKK, da Mari Moscou

Paralelamente talvez valesse a pena também encontrarmos um termo para aquelas pessoas que não necesariamente tem essa “fobia” gay mas que defendem que gays são inferiores e logo não devem ter os mesmos direitos que heterossexuais. Sexualismo? Heterossexualismo? Que tal? Estabelecer estas categorias similares talvez ajude as pessoas a entenderem a gravidade e a urgência do PLC122. Afinal de contas, se a própria constituição propõe direitos iguais a todos os cidadãos…

Basta estender a mão, da Karla Avanço

Em outras palavras, entre jovens e velhos, brancos e negros, homens e mulheres, cristãos e não cristãos, heterossexuais e homossexuais quem usufrui mais da tão aclamada igualdade? Por outro lado, quem corre mais riscos de perder seus direitos?

Com o microfone: dama Tiely Queen, da Bruna Provazi

Quem circula pelos rolês ativistas e culturais paulistanos com certeza já trombou com esses dreadlocks por aí. Figura conhecidíssima na capital paulista, a rapper Tiely Queen coordena o projeto HIP HOP MULHER, que completa responsáveis três anos de existência. Além de rapper, Tiely é atriz, cineasta, e já jogou muito futebol. Ela também é uma das curadoras do LesFest. Conversamos sobre o festival na feira da diversidade do 15º Mês do Orgulho LGBT.

Dia do Orgulho LGBT, da Barbara Araujo

Hoje é dia do orgulho LGBT e a escalada da homofobia no país e no mundo cresce como nunca. Mas, vejam, a resistência também cresce. Hoje é dia de orgulho porque estamos ocupando os espaços, estamos pautando discussões, já não queremos nem podemos nos esconder.

E se fosse o contrário, da Thayz Sardenta

Preconceito, pra mim, é ignorância pura. E se você é daqueles que não se dizem preconceituosos, mas não deixam a sexualidade do outro em paz, tenho uma novidade: isso é preconceito.

É tão mais fácil amar, da Borboleta nos Olhos

Com precisão ela apontou minha dor, meu choque e minha indignação com a onda moralista, cruel e violenta que tem nos sufocado a todos e, mais especificamente, às pessoas de orientação sexual não heteronormativa. É tão triste ver como as pessoas se encastelam e se defendem magoando, agredindo, diminuindo o Outro.

Eu sou gay e tenho orgulho disso, da Suely

É cada dia mais evidente a necessidade de uma lei que puna a homofobia e a discriminação contra a população LGBT. Certamente uma lei não vai conseguir acabar com o preconceito, mas as manifestações homofóbicas, os xingamentos, os crimes e todos os tipos de violência serão coibidos.

Amor não tem gênero, não tem sexualidade. Algo que ouvi muito durante minha infância, devido ao fato de ter crescido numa igreja evangélica, foi a frase “se Deus me fez assim, assim vou louvar”. Deus (pra quem acredita em Deus, diferente de mim), nos fez homo, bi, hetero ou seja o que for. Somos assim e não é algo que possamos lutar contra. É uma questão de aceitar sua própria felicidade ou decidir ser infeliz pra seguir um padrão que “vai te levar pro céu”.

Faz parte da defesa feminista de liberdade, há muito tempo, o questionamento à heterossexualidade obrigatória e o direito de viver de forma livre e autônoma nossa sexualidade.

Gay, pra mim, é sinônimo de amor, da Daniela Luciana

Minha família nuclear tem gays. Têm talento, competência, sociabilidade, garra, alegria. Ainda tem generosidade, inteligência, amor à família. O blog não daria conta das qualidades, saibam. Temos muito orgulho. Muito amor. Amb@s casad@s. Minha Mãe está na Europa e… para prestigiá-l@s… foi à Parada Gay.

Homofóbicos, o problema está em vocês, da Lia de Lua

Pior é que o preconceito se manifesta tão perto da gente, de formas cruzadas, por parte de pessoas queridas. Às vezes relevamos, porque nos recusamos a limitar essas pessoas a seus preconceitos.

Lésbicas e Bissexuais em Marcha, da Fuzarca Feminista indicação da Tica Moreno

a heterossexualidade obrigatória é reforçada como um dos pilares que sustenta a sociedade patriarcal e capitalista. A sexualidade continua sendo padronizada conforme os papeis ‘naturais’ de mulheres e homens, perseguindo e estigmatizando como “minoria” qualquer um/a que fuja desse padrão – seja por conta da sua sexualidade, sexo ou cor da pele.

Lésbicas Masculinas? da Zaíra Souminha

uma leitora questiona porque algumas mulheres lésbicas se vestem e se portam de forma “masculina”. E tentando responder aos questionamentos dela, acabei escrevendo longamente, e achei que seria interessante reproduzir aqui minha resposta a ela.

LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, da Tainá

Nós homossexuais temos os mesmos direitos que todos os seres humanos, afinal, tendo ou não esta orientação trabalhamos, estudamos, e fazemos o mesmo que todos os outros, não temos doença contagiosa, muito menos somos os culpados pelas doenças sexualmente transmissíveis.

Lost and delirious, da Emanuele

Because love is. It just is and nothing you can say can make it go away because it is the point of why we are here.

Não é só Fervo da Sara Joker

Temos o costume de acreditar que, se não passamos por bullying ou não somos expulsos de casa por causa da nossa orientação sexual, não há motivos para lutar, está tudo bem. Mas não é verdade, não é porque não passamos por preconceito que ele não existe e tudo é fervo e alegria.

Orgulho Gay, da Liliane Gusmão

Eu mudei por que deixei de me achar diferente, melhor do que os outros. Muitos amigos se descobriram homossexuais, e eu quando me descobri feminista entendi um pouco o sofrimento dessas pessoas.

Orgulho pela coragem de lutar, da Aisla Araújo

Já notaram como o machismo está intimamente ligado à homofobia, talvez por depreciarem tudo o que lembre uma mulher, e se um homem mostra um jeito, digamos, ‘feminino’ – já é a escória do mundo.

Porque você não precisa. (uma pequena contribuição ao 28 de junho), da Camilla de Magalhães Gomes

É difícil identificar o pior ou o mais desonesto dos argumentos usados pelos homofóbicos para atacar a luta LGBT ou para mascarar seu preconceito. Mas uma leitura só um pouco mais atenta desses discursos raivosos e infundados pode ajudar a identificar alguns tristes padrões.

Tenho Orgulho da LGBTTT, da Dani Montper

Até que tod@s sejam livres para viverem sua homossexualidade e/ou transexualidade com dignidade, eu apoiarei e terei orgulho da comunidade LGBTTT. E até depois disso também!

Uma “parada” de afirmações e contradições, de Tiago Costa

Muitas pessoas homossexuais já escondem seus sentimentos por medo da violência por parte da sociedade. Alguns apelidos como viado, bicha, baitola, sapatão já me soam como violência, mesmo na brincadeira. Os corpos de homossexuais são frequentemente passíveis a essa violência, que vai desde o toque não consentido das genitais até os casos extremos de estupro!

Viver a Diversidade, da Clara Guimarães

Não interessa que você não entende, porque é diferente, tente se solidarizar com o outro, amor é amor, beijo é beijo, não interessa quem está amando ou beijando quem. Se todos os seres aprendessem a amar incondicionalmente, nós viveríamos em um mundo melhor.