Interseccionalidade: como faz para não reproduzir mais exclusão para quem já está marginalizada?

Texto de Raíssa Éris Grimm.

Interseccionalidade.

Localizar e levar em conta os diferentes recortes de opressão e privilégio que nos situam. É um campo de tensão constante… Por um lado, a gente precisa nomear quem nos oprime. A gente precisa nomear os privilégios que se constroem às custas do que nos violenta. Ao mesmo tempo, saber que esse lugar não é fixo, que a pessoa que nos oprime também pode ser oprimida, inclusive pela nossa própria forma de apontar a opressão dela.

É uma parada na qual eu sou bem ruim. Eu sou branca, de classe média, ao mesmo tempo recortada por uma vivência de travestilidade, desde a qual eu me vejo apontando privilégios relacionados a cisgeneridade de pessoas que não são brancas, nem de classe média.

Falar das opressões que eu vivo, dar visibilidade a elas, não é um exercício teórico, é uma necessidade vital. É vital pra mim apontar e falar do poder que pessoas cisgêneras exercem, enquanto grupo, na minha vida. E implica falar dos privilégios que isso constrói. Ao mesmo tempo, várias vezes, a minha forma de fazer isso pesa junto com os tantos recortes de privilégio e minha luta contra a opressão pode se tornar opressora.

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Doenças sexualmente transmissíveis: estigmas e pessoas marcadas

Texto de Raissa Éris Grimm.

Na aula de Biologia da sétima série ensinaram pra gente que o que transmite doenças sexualmente transmissíveis (DST’s) era transar sem proteção. Que não era sobre com quantas pessoas você transa
ou sobre a orientação sexual de quem você transa.

Se você usa proteção, pode transar com quantas pessoas quiser – e tá protegide. Se você não usa proteção, você pode transar com 1 pessoa, e contrair DST com uma pessoa. Isso foi no finzinho dos anos 90 —
muitas de vocês que tão aqui não lembram nada dessa época —
naquela época, rolava uma mobilização forte da comunidade gay
das travestis e mulheres (cis, trans..) profissionais do sexo lutando contra o estigma por serem considerados “vetores de contágio”.

Ah, tinham pessoas bissexuais nesse corre. Porém não tinham visibilidade política.

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Se ninguém precisa ser trans então quer dizer que todos nós devemos ser cisgêneros?

Texto de Bia Pagliarini.

Eu já escrevi bastante sobre isso, mas eu fico injuriada com certas noções sobre as identidades trans. Uma delas é acerca da história das pessoas dizerem, a partir de um certo tom de “crítica aos estereótipos de gênero”, que ninguém “precisa” ser trans “por gostar de x coisa”, sendo x algo relacionado a um outro gênero em relação ao designado ao nascer de alguém.

O que fica implícito nessa suposta crítica é de que as pessoas trans só seriam trans porque estariam seguindo uma noção binária e estereotipada acerca das coisas que gostam de fazer, de forma com que elas estariam se iludindo a serem trans a partir de uma internalização de normas de gênero.

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