Trans não-binário e bissexual, presente

Texto de Klaus para as Blogueiras Feministas. 

Sabemos que basta uma pessoa se reconhecer bissexual, para que ela sofra toda sorte de apagamentos e discriminações possíveis. Principalmente dentro do próprio movimento LGBT. E não adianta virem com o discurso de que o inimigo é outro, porque militância e transformações sociais começam com autocrítica. Com arrumar a própria casa primeiro. Quando se é uma pessoa trans, o reconhecimento de sua própria bissexualidade se configura como um passe livre para que os outros se sintam no direito de inferir sobre a legitimidade da sua identidade. E para outros tantos, a letra T da sigla nem sexualidade tem… Somos duplamente apagados. Pela medicina, somos duplamente patologizados. E se você é trans não-binário, você sequer existe. Ainda mais se for bissexual.

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Sapatão Bissexual, prazer!

Texto de Jussara Cardoso para as Blogueiras Feministas. 

Sapatão, sapata, sapatona, caminhoneira, bofinha, fancha, masculina, entendida e outras palavras, são termos que ouço direcionados a mim desde criança. Fui uma criança sapata/sapatinha, sou hoje uma adulta sapatão. Boa parte da minha infância e adolescência, sempre preferia roupas consideradas masculinas. Gostava de brincar, correr, pular e quando estava de vestido não podia brincar com tanta liberdade. Então, odiava usar vestidos e saias. Mas o fato de eu odiar saias porque não me deixavam brincar usando elas, acredito não ter sido considerado por muitas pessoas. A conclusão óbvia era “essa menina vai ser sapatão”, afinal ela se veste “como um menino”. “Veste outra coisa, tá parecendo homem”, deve ter sido a frase que mais ouvi em toda a minha vida.

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