Mulher prendada?

Esse post será curtinho. Ele fala de um pensamento que voltou à minha cabeça nesse último feriadão.

Desde que sou novinha, gosto de fazer trabalhos artesanais. Aprendi crochê, bordado, pintura em tecido e outros trabalhos do tipo. Sempre adorei cozinhar, faço doces, salgados, um pouco além daquela comida básica do dia a dia. Mas, sempre me incomodou quando me chamavam de “menina prendada” e que eu “estava pronta para casar”. Eu não fazia nada disso para agradar nenhum homem, eu fazia por gosto, fazia porque me sentia bem em trabalhar com qualquer tipo de artesanato. Ainda me sinto bem com isso, o que não entendo é ver tantas mulheres que detestam artesanato e culinária fazendo para agradar terceiros. Qual é a obrigação da mulher em ser “prendada”?

Bilro. Foto de Fábio Pinheiro no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Na nossa sociedade existe uma divisão entre “coisas de mulher” e “coisas de homem”. Mulher desde criança aprende que deve saber cuidar da casa, dos filhos, costurar, bordar, cozinhar e etc. Enquanto isso, homem aprende que não precisa cuidar dos filhos, ajudar nas tarefas de casa e que ser bruto é a atitude que se espera de um homem.

Ser prendada, na visão machista, é ser uma mulher feita para agradar seu futuro marido, que vive para a casa e para cuidar dos filhos. Não vejo problema em mulheres serem donas de casa, nem de gostar de cozinhar para agradar quem ama. O que eu acho errado é essa obrigatoriedade da mulher viver para cuidar da casa e agradar seu marido. É como se a mulher não tivesse desejos próprios e não fosse capaz de ser diferente desse molde.

E não falo só de papéis pré determinados para mulheres, homens também sofrem com isso. Para pessoas machistas, homem que cuida da casa, dos filhos, entendem de artesanato ou de culinária é tão errado quanto uma mulher que não deseja filhos, não quer ser dona de casa ou não seja nem um pouco “prendada”. A luta feminista é para que toda e qualquer pessoa possa fazer o que quiser, seja homem ou mulher. Tod@s têm o direito de escolher ser don@ de casa, fazer artesanato, cozinhar e ter uma maior participação na criação de seu filh@.

Autor: Sara Joker

Artista visual, quadrinista, atriz e cantora. Formada em licenciatura e bacharelado em Artes Visuais, pós graduada em Psicanálise. Nerd de humanas, adora RPG, quadrinhos, filmes cabeça, rock e livros. Se interessa por questões relacionadas as lutas pelos direitos das mulheres, negros e LGBTTs.

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