Iguais, porém diferentes

Texto de Catarina Corrêa.

1° Semana de Blogagem Coletiva pela Visibilidade Lésbica e Bissexual, organizada pelo site True Love.
1° Semana de Blogagem Coletiva pela Visibilidade Lésbica e Bissexual, organizada pelo site True Love.

Mulheres lésbicas. Tanto mulheres quanto LGBTs, mas nem tão somente mulheres e nem tão somente LGBTs. É, por vezes, difícil se enquadrar em uma militância de qualquer um dos dois lados, embora seja natural fazê-lo também.

Encurraladas as vezes por militâncias LGBTs misóginas, invisibilizadas também em alguns espaços do movimento feminista, transitar em espaços aos quais supostamente pertencemos pode ser mais difícil do que parece.

Na tentativa de celebrar “O direito a ser igual quando a diferença discrimina; [e] O direito a ser diferente quando a igualdade oprime”, como sugere ser necessário Boaventura de Souza Santos, e na vontade de reafirmar que toda forma de amor vale a pena, é mais um dia de lutar pela visibilidade lésbica.

E não é que somos tão diferentes quanto iguais? Somos iguais a qualquer casal no trocar de carinhos e injúrias, que se ama e se desentende. Nosso amor é qualquer um. Como qualquer pessoa, posso encostar meus dedos nos seus ao sentar ao seu lado na mesa, e pouco me importar se vêem o entrelaçar de nossas mãos, posso suar frio, posso esperar a ligação, posso mandar uma mensagem cheia de ansiosidade e me arrepender, depois sorrir surpreendida por uma resposta correspondida.

Ilustração de Catarina Corrêa.
Ilustração de Catarina Corrêa.
Ilustração de Catarina Corrêa.
Ilustração de Catarina Corrêa.

Nosso amor pode ser igual aos outros, e você pode ser igual às outras. O nosso amor é um qualquer. As experiências de amor e de parceria, que passam e passaram, serão iguais, haverão outras quaisquer, e eu serei uma qualquer, na vida de alguma de quem não me lembrarei.

O nosso amor não é um qualquer, ser tão igual a você nos coloca em perspectivas tão particulares e distintas em relação ao nosso amor, nosso relacionamento e nosso futuro (ou não futuro) juntas. Me descobrir tão particular na minha condição de mulher e tão próxima à sua particularidade que por sua vez é tão distinta da minha me faz questionar e repensar o que é ser mulher a cada instante.

O nosso amor não é qualquer amor. Juntamos as trouxas e dobramos o guarda-roupa, dividimos TPMs e construímos um amor diferente de todos, tão nosso, tão novo e tão lésbico.

Nosso amor é qualquer um. 

O nosso amor é um qualquer, meu bem. 

O nosso amor não é um qualquer.

O nosso amor não é qualquer amor.

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*Esse texto faz parte da 1ª Semana de Blogagem Coletiva pelo Dia da Visibilidade Lésbica e Bissexual, convocada pelo True Love.

Autor: Catarina Corrêa

Num passado longíquo, tinha um futuro brilhante, mas resolveu ser quem é para ver no que dá. Hoje, transita entre desenhar, construir contrapúblicos e ser uma pessoa séria.