Você sabe o que é um estupro?

Carla sentiu um puxão no braço. Quando se virou levou um murro no nariz. Tentou gritar. Logo sentiu algo bem debaixo das costelas e ouviu: “se você gritar eu te mato agorinha mesmo”. Quando ele a jogou no chão sentiu o mato molhado, um cheiro de cocô de cachorro e um pedaço de tronco bem debaixo das suas costas. Pensou em pegar o toco e bater nele. Levou outro murro e viu, ou sentiu, já não lembrava mais, a arma encostada na sua cabeça. Ouviu de novo aquela voz nojenta, que não conseguia identificar: “se mexer de novo, eu te mato, sua vagabunda”. Vagabunda, piranha, puta foi só o que ouviu dali em diante. Sentiu aquela mão pesada, grossa, percorrendo seu corpo, quando ele abriu o botão da sua calça com força começou a chorar. “Cala a boca vadia”. Sentiu os dedos arrancando sua calcinha, passando pela sua vagina, teve vontade de vomitar. Ele enfiou o pau dentro dela. Sentia ele respirando, arfando em seu pescoço. Depois que ele a penetrou, já não sentia nada. Cerrou os dentes. Não pensava mais. Sentia nojo. Ele a xingava. Passava a mão por seu corpo, puxou seu cabelo tão forte que arrancou vários fios de uma vez só. Ela gritou e levou mais um murro na boca. Sentiu ele ejacular, sair de cima dela e falar: “não sai agora sua vagabunda”.

Cena do Filme Irreversível (2002)

Não se lembra quanto tempo ficou lá. Queria morrer, só isso. Morrer. Era a única coisa que esperava da vida agora. Mas não morreu. Teve que se levantar. Chorava, as pernas tremiam, não conseguiu andar. Estava descalça, as calças arriadas, a blusa rasgada, sentia a boca toda dormente, o rosto deveria estar inchado. Andou pela rua, não sabia para onde ir, pensou em atravessar a rua e morrer atropelada. Seria a solução. Mas não deixaram. Um taxista parou, ela tremeu toda, imaginou aquele homem em cima dela de novo; “moça, cê ta bem? Eu levo a senhora pra delegacia”. O que mais podia piorar? Aceitar ajuda de um estranho já não lhe causava horror. O homem a levou a uma delegacia. Se sentou num banco frio, num canto. De lá foi levada para o IML para fazer o exame. Na delegacia não lhe informaram que ela poderia ir primeiro a um hospital, tomar os remédios para evitar doenças sexualmente transmissíveis e pílula do dia seguinte para evitar engravidar. Teve que reviver aquela coisa asquerosa toda de novo, contando para a psicóloga da Deam e a delegada. Depois tomou os remédios e foi para casa.

Não queria ir pra casa. Não queria contar para a mãe e o pai o que lhe aconteceu. Queria morrer. Só isso. Mas foi para casa, chorou como uma criança no colo da mãe, ficou envergonhada, achou que tivesse culpa, “não devia estar andando naquela rua uma hora dessas”, tomou banho, vomitou, não quis jantar. Sentia um embrulho enorme por dentro. A irmã estudante de farmácia lhe deu dois calmantes, ela tomou e desmaiou.

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Cena do Filme Irreversível (2002)

Essa descrição pode ser a história de qualquer uma das milhares de vítimas de estupro desse país. Aí um deputado, que nunca será vítima de um crime desses, que faz parte de um grupo que se diz a favor da vida, resolve criar um projeto de lei que quer incentivar que mulheres estupradas não façam aborto, “pois essa seria outra violência”.

Ora, o que se percebe é que esses grupos não têm o menor entendimento do que é vida. A vida de uma mulher não vale muita coisa para essas pessoas, mas a vida de algo que pode, ou não, um dia vir a se tornar gente, ah isso vale muito. Esse tipo de gente, acha que mulher é cachorro: “ah, tem o filho, depois você dá pra alguém”. Mas também são os primeiros a crucificar uma mulher que entrega o filho para adoção. Essas pessoas não acham que mulher seja ser humano, que tem sonhos, vontades, desejos, responsabilidades, direitos.

Para gente desse tipo, um estupro é um crime pequeno, algo como tirar doce de criança. Aliás, de criança não, porque eles gostam mesmo é de feto. Para eles, toda a violência que uma mulher sofre não é nada, porque para eles mulher é nada. Aborto, mesmo o previsto em lei, é que é uma aberração.

Para o tal deputado que fez essa lei baseada apenas no seu eleitorado, e que se esquece que como representante do povo, ele não representa só a sua igreja na Assembleia Legislativa, fica uma dica: conheça a realidade das mulheres vítimas de violência sexual. Vá a Deam de Goiânia e veja como chegam lá as mulheres que foram estupradas. Caso isso ainda não seja suficiente para entender o que um estupro provoca na vida de uma mulher, pense se sua mulher ou se sua filha fossem violentadas por um homem qualquer, na rua ou na igreja que vocês frequentam. O seu julgamento de que o estupro é um crime menor que um aborto seria o mesmo?

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Lis Lemos

Jornalista, Relações Públicas, feminista. Não necessariamente nessa ordem.

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31 Comentários para: “Você sabe o que é um estupro?

  1. Pingback: Você sabe o que é um estupro? | SedeDeQuê?

    • Caríssimas, acho importantíssimo sensibilizar a todos e todas sobre o direito que nós temos ao nosso corpo. Entretanto creio que a descrição do estupro seja desnecessária e pode, até, estimular doentes que fazem esse tipo de coisa.

      • Jessica, infelizmente, muitas vezes é preciso lembrar as pessoas de que tipo de violência estamos falando. Pois, eles parecem sempre minimizar o sofrimento da mulher em relação a um feto que nem nasceu.

      • Jessica, em momento nenhum o objetivo foi estimular o crime, mas sim tentar mostrar como uma mulher se sente depois de ser violentamente agredida. A descrição foi mesmo para chocar, para chamar a atenção do quão asqueroso é um estupro.

        • Mas sabe que eu fiquei pensando nisso também? Uma par de pervertido deve assistir filme de estupro, ou ouvir relatos assim e se excitar. Conheci um gay que disse achar excitante filmes com estupro. Tipo, achei a coisa mais ridícula que alguém podia ter dito, mas ele é adepto da “sinceridade que machuca”, quando a pessoa se diz muito sincera, e por isso diz tudo o que quer e pensa sem pensar nas consequências, então nem dava pra argumentar algo. Lastimável…

  2. Eu nao sei o que doi mais – a violência sexual em si ou saber que esse estupro vai continuar mesmo depois que o agressor sai de cima da vítima!
    Tal projeto de lei é o segundo de uma sequencia interminável de estupros que essa vítima ainda vai sofrer.
    Esse trecho da matéria me chamou a atencao:
    __
    (…)Conforme a matéria, essa orientação se dará por meio de um sistema audiovisual, como apresentação de filmes que demostrem a formação física do feto e como se dá a realização de um aborto. Dessa forma, gestante ficará ciente dos possíveis efeitos físicos e psíquicos provocados pelo aborto”

    __
    Será que esses prezados senhores, que sempre tem idéias “taaaaaaaaaaaao brilhantes” assim nunca pensaram em produzir e distribuir em larga escala material audio-visual que explique para os homens o quanto é terrível e devastador para uma mulher ser estuprada? Ou que explique que forcar uma mulher a fazer sexo e engravida-la traz consequências devastadoras para ela, para a crianca e para toda sociedade?

    • Pensei nisso também, Fran. Em nenhum momento o deputado menciona o autor do crime e apenas culpabiliza a mulher que é vítima.

  3. Não sei o que dizer diante disso. Minha revolta nem sempre me deixa articular bem as palavras.
    Acham que se uma mulher usa minissaia já está claro que ela quer ouvir assobios e insultos, no sentido figurado, lhe chamando de “gostosa” e se ela reage não aceitando isso é insultada, no sentido literal da palavra.
    Se volta do trabalho à noite é uma presa fácil. Parei de voltar para casa de ônibus à noite com receio.
    Porque na maioria dos casos a culpa do estupro recai sobre a mulher.
    Ouvi certa vez, de uma garota de 17 anos, cristã, que disse que nunca abortaria se fosse estuprada, porque essa era a vontade de Deus.
    De qual deus ela estava falando eu não sei. Só sei que quando eu ouvi isso, meu sangue ferveu, minha revolta foi gigantesca. Como ela podia dizer tamanho absurdo?! Não tem como calcular o estrago de um estupro. Só quem passa por ele. Infelizmente.
    Não é só esse deputado que perpetua esse discurso dito cristão e logofalocêntrico, mulheres que deveriam se posicionar acerca de seus direitos e que não o fazem também ajudam e prepetuar esse discurso e essa prática do pós-estupro.

    • Kauana, pela lei a mulher pode ou não optar pelo aborto. Cabe a ela e somente a ela decidir. Por mais que, pessoalmente, eu também ache que uma mulher não deveria seguir com uma gravidez indesejada, só ela deve decidir sobre isso. Mas o Estado deve garantir que ela possa escolher entre abortar ou não, e os serviços de saúde não devem estar impregnados de uma visão moralista.

  4. Muito bom, concordo totalmente. Se algumas pessoas acham errado abortar é só elas não abortarem, mas não tem que ficar se intrometendo na vida das outras, tem que querer que sua vontade vire lei… Aff

  5. Lis, tu sabes qual é o deputado? Acho importante saber quem é, para não ter o perigo de votar nele.

  6. não surpreende nada um “representante cristão” ter uma atitude patética dessas, afinal segundo a bíblia a mulher vitima de estupro deve se casar com o estuprador.

  7. Isso tudo me deixa muito triste. Tenho nojo até de cara que mexe com mulher na rua. Mas muitas mulheres gostam e não conseguem enxergar o machismo por trás da maioria dos comentários. Penso que muitas coisas vem de atitudes pequenas e rotineiras, e que vão ficando no nossa dia, sem deixar que o machismo acabe. Enquanto aceitarmos uma cantada ou um gesto de cavalheirismo como algo bom, nunca teremos igualdade e continuaremos a ser subjugadas como objetos frágeis e sem vontade própria (ou sem vontade própria relevante). Muita coisa tem que mudar para que a mentalidade da sociedade mude, e com isso acabe a violência contra mulher (ou para que, no mínimo, sejam os malfeitores punidos adequadamente). Deus, “se existir”, tenha piedade de todas nós.

  8. Sabe, muitas vezes não tenho uma opinião formada sobre o aborto em geral. Muitas coisas passam pela minha cabeça, e eu fico pensando se por acaso minha mulher, enqunto namorávamos, tivesse engravidado sem que quiséssemos. Sinceramente, como sempre digo, só na hora que acontece é que a gente consegue responder de forma adequada. Não adianta quem nunca passou pela situação ficar dando opiniões, argumentando, defendendo pontos de vista. O que é o ponto de vista em relação à vida real?

    Porém, no caso de estupro, seja da minha esposa, de uma namorada, de uma conhecida ou de uma desconhecida, cabe a ela, a mulher, decidir pelos seus próprios meios, o que fazer com essa gravidez indesejada. Deve haver algumas mulheres muito fortes, física e psicologicamente, que queiram levar uma gravidez fruto de estupro a termo, e eu apoiaria, porém não me oporia nunca a uma mulher estuprada que queira abortar. Acho que nem sequer cogitaria dizer um “se…” ou “nós podemos criá-lo”. Não é que um feto de um estupro seja menos (ou mais) importante que um feto fruto de um descuido, mas a situação do “descuido” (tô chamando assim, porque tô compreguiça de pensar em termo melhor), creio eu, é bem menos traumatizante que a de um estupro. Aliás, passei um caso em que uma amiga engravidou, e veio conversar comigo. Embora, sinceramente, eu tivesse a maior vontade de dizer pra ela “não aborte, crie este filho” (tive um filho recentemente, e estou curtindo muitíssimo), fiquei quieto, e ouvi muito o que ela tinha a dizer, jamais tomando partido em nada. Ela decidiu levar a gravidez a frente por si só, e conversando com seu companheiro.

    • Só deixando claro no meu comentário que o feto, em ambos os casos (estupro ou “descuido”) não está em questão. O que está em questão é a mulher e seus interesses. Daria opiniões em uma gravidez indesejada por falta de prevenção anticoncepcional (desde que pedissem minha opinião, e essa opinião depnderia muito do grau de relacionamento que tenho com a mulher em questão). Nunca no caso de estupro.

  9. É impressionante como querem nos reduzir a nada! Será que será preciso um caso de proporção nacional, envolvendo alguma filha de um certo alguém famoso para realmente levarem esse assunto a sério! Sinceramente espero que não… onde já se viu?
    Sou cristã, mas o Deus que eu acredito não é condizente desse tipo de violência e muito menos dessa conformidade erroneamente pregada por certas igrejas!
    Já não basta a dor,a vergonha, o medo e outros traumas; Já não basta a quantidade de crianças rejeitadas e abandonadas espalhadas nas ruas, lares e ongs, ainda querem forçar a mulher a aguentar mais nove meses de sofrimento, sendo lembrada diariamente que a criança em seu ventre é resultado de uma violência brutal?

    Por que não se cria um projeto de lei, que incentive a castração, apedrejamento ou pena de morte para esses monstros?

    É revoltante!

    • Tatiana, não somos a favro de castração, apedrejamento ou pena de morte. Acreditamos na justiça. Por mais que seja um crime horrendo e hediondo, acreditamos que não podemos fazer justiça pelas próprias mãos. Até porque muitos casos de estupro são cometidos por parentes das vítimas. Da mesma maneira que exigimos que a mulher seja respeitada e que tenha direito a decidir fazer ou não um aborto, achamos que qualquer pessoa que comete um crime deve ter direito a um julgamento humano. Senão acabamos incorrendo na mesma crueldade.

  10. Quando se fala em estupro, nós, muitas vezes, reificamos o esteriótipo do agressor desconhecido que ataca a mulher. O estupro é uma violência que muitas vezes, dependendo da média de idade isso é superior a 50%, é realizada por um agressor conhecido da vítima. É necessário destacar que, a despeito da descrição hipotética do início do texto, a vítima não esconde do pai e da mãe a violência, pois o estupro em boa parte dos casos é realizado pelo pai, irmão, tio, padastro, vizinho, avô, namorado, e muitas vezes os familiares (mãe, pai, irmãos etc) ignoram a violência em detrimento de encarar o fato.

    A violência do estupro, figura e literalmente, é mais embaixo! Considerando as estatísticas e probalidades é muito mais provável sermos estupradas por pais, irmãos, tios, avôs, cunhados, padastros, maridos, namorados, do que por desconhecido.

    abs

    Xênia Mello

    • Oi Xênia! Valeu pelo comentário. Quando pensei em escrever o texto, levei muito em consideração esse dado, de que os estupros ocorrem dentro de casa e os criminosos são os parentes. No entanto, na hora de escrever, me pareceu mais fácil (ou menos difícil pq foi uma experiência perturbadora tentar descrever uma cena de estupro e o que sente uma mulher depois disso) descrever uma cena que talvez esteja mais “no imaginário” das pessoas, não sei. Mas valeu demais o comentário. Vale outro post.

  11. Olá.
    Caríssimas blogueiras. Escrevo esse comentário com lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Só posso dizer que enquanto mulher que passou por uma experiencia dessas,esse post so me faz chorar por dolorosas lembranças que me desperta, mas também esse texto me faz aplaudi a quem o escreveu e dizer que so posso concordar com ele ao extremo.
    Me sinto tão culpada pelo que me aconteceu, me sinto tão enojada por cada lembrança, e principalmente me sinto invisível por conta de tanta hipocrisia e machismo que impede que nós mulheres sejamos tratadas como seres humanos.

    Esse texto faz a minha história e a da tanta mulheres algo menos deescatavel. Obrigada por nos dar uma voz que sempre nos é Roubada.

    • Oi Ludmila. Quem se encheu de lágrimas agora fui eu. Não tenho o que dizer, a não ser agradecer os elogios e que você se sinta abraçada por mim e por todas as Blogueiras Feministas.

  12. Sem palavras! Ótimo post! O que mais complica nisso tudo é que ninguém, homem ou mulher, sabe o q alguém sentiria em um momento desses. Eu acho que qualquer decisão deve ser tomada pela vítima. Se já acredito q a mulher deveria decidir ou não interromper a gravidez em casos onde não há violência, imagine em um caso desses.
    Eu não saberia conviver o dia a dia com uma lembrança de algo tão doloroso refletido nos atos, ações e rosto de um@ filh@.

  13. Esse tipo de gente acha estupro crime menor, e aposto que estupra a mulher dia sim, dia sim.

  14. Parabéns à autora, excelente texto, aliás excelentes também o blog todo e a audiência em geral.
    Somos mulheres, sensíveis, e diante dessa situação, como relatou uma leitora acima, ficamos frágeis… mas precisamos ter força. Se nós não lutarmos contra o preconceito e a favor dos nossos direitos, quem lutará? Os corporativistas machistas é que não irão! Eles querem mais é a classe feminina permaneça desunida para continuar cometendo suas atrocidades sem maiores barreiras.
    Vamos erguer nossas cabeças e lutar! E deixaremos uma sociedade melhor para nossos filhos.

  15. Ótimo texto.

    Infelizmente a mulher sempre vai ser vista como uma coisa sem forma e sem vontades, aquela que pode ter sue corpo marcado, maculado, mandado e desmandado por aqueles que querem controlá-la.

    Abraço!

  16. Pesquisando na internet sobre o ocorrido no BBB12 na madrugada de domingo encontrei um post em seu site intitulado Isso não é um convite para me estuprar e constatei que o que aconteceu no programa da Globo foi de fato um estupro… já há um movimento na internet pedindo a expulsão e prisão do participante que se aproveitou de uma mulher inconsciente de bêbada, mas mesmo com toda a repercussão do caso nem a tv globo nem Ministério Público tomaram qualquer providência até agora, o que é simplesmente tão repugnante quanto o crime em si…
    Gostaria de fazer um apelo a vocês, já que a Renata Lima é delegada de polícia, se vocês tiverem como entrar em contato com algum meio de comunicação a nível nacional, entrar em contato com algum representante do Ministério Público do Rio de Janeiro, ou qualquer coisa que possa ser feita para que haja justiça nesse caso tão grotesco… Veja bem, se permitirmos que um estupro ocorrido porque a mulher estava embriagada seja passado ao vivo na televisão por assinatura (no Pay Per View do BBB) e ignorado pelas autoridades, imagina o que acontecerá com os casos tão comuns que vemos todo dia por este país de mulheres sendo estupradas porque estavam bêbadas e os estupradores dizendo que foi consensual.. Ajudem por favor, infelizmente já passei por algo parecido mas mesmo muito bêbada e não tendo lembrança de todo o ocorrido sei muito bem que disse NÃO, NÃO, NÃO, tive a roupa e a calcinha rasgadas, reagi muito e fiquei toda roxa, braços, tronco, pernas e costas, mas num momento de apelo emocional (já que conhecia o cara que era meu “ficante”, mas nunca tinha rolado nada além de beijos na boca) consegui distraí-lo por um segundo, o que me deu a chance de me desvencilhar e correr para o quarto de minha casa em que se encontra o botão de pânico do alarme e apertá-lo… infelizmente, por ser de uma cidade pequena e ser nova na época e estar tão bêbada no momento que não conseguia pensar em nada a não ser chorar e gritar dizendo que a polícia estava chegando e que era para ele sair imediatamente da minha casa porque tudo que eu queria era aquele cara longe de mim , por acreditar que seria extremamente difícil provar a tentativa de estupro sem testemunhas e sabendo que eu seria execrada pela sociedade, não tive coragem de denunciá-lo…
    Felizmente consegui impedir o ato, mas somente depois do que me pareceu serem horas de luta, e agradeço muito por ter a sorte de contar com o sistema de alarme que tinha sido instalado recentemente em minha casa… sinto muito por todas as mulheres que já sofreram esse tipo de violência, nada te prepara para isso, mesmo não tendo sido estuprada nunca mais me senti segura com homem algum, é algo que a gente carrega pra sempre… não deixem esse covarde que está no BBB ficar impune, por favor, façam com que a globo tome alguma atitude pois até agora o caso foi simplesmente ignorado, e o Pedro Bial fez até piada na edição ao vivo de domingo, quando após mostrarem apenas alguns segundos editados do que aconteceu entre os dois ele comenta “o amor é lindo”… REVOLTANTE.
    Não precisam publicar meu comentário, na verdade eu até gostaria que não fosse publicado mas se tiver que publicar não tem problema, este é um desabafo, um pedido de ajuda para as mulheres não se sentirem culpadas como eu me senti e até hoje me sinto, mas mesmo ainda tendo esse sentimento de culpa sei que o que me aconteceu não foi culpa minha, homens decentes nunca agiriam da maneira que essa pessoa agiu, o homem que tenho ao meu lado hoje seria incapaz de fazer algo assim e nunca me culpou pelo que aconteceu comigo… por favor, ajudem essa moça que estava desacordada e foi estuprada e nem sabe já que não lembra… desculpem os erros de português e desculpem a minha fraqueza em não ter conseguido denunciar o cara, admiro muito as mulheres que lutam por justiça. Abraços

    • Oi Julia, estamos enviado emails a ouvidoria da SPM. Infelizmente, não sabemos bem como chegar até o MP, porque eles teriam que requisitar os vídeos para avaliar. E a família dela também pode agir. Também achamos o caso um absurdo!

    • Gente, sei que coro o risco de ser apedrejado muito aqui por ir contra o senso-comum. Mas devemos lembrar que emissoras de TV são maquiavélicas quando se trata de conseguir audiência.

      Estava conversando com um pessoal sobre isso, e alguém disse “nada que acontece naquela casa é por acaso”. O BBB é um show bem estruturado, que segue roteiros, e que nada foge ao controle do “senhor” Boninho. Há a possibilidade de vocês terem visto uma encenação de uma garota muito bêbada e um estupro. Assisti as cenas, e realmente, são muito convincentes. Porém é nisso que a TV é especializada: fazer com que aquilo que é fictício se pareça com a realidade, se possível fazendo com que os telespectadores sintam alegria, raiva, tristeza, etc. em resultado ao “show” exibido. E em tempos de vale-tudo, a Globo pode, sim, ter pensado em algo muito sujo para conseguir audiência.

      Há de se averiguar, e se houve de fato um estupro, punir o(s) culpado(s). Mas se tudo não passou de uma encenação, deve-se punir a emissora por mostrar um espetáculo tão grotesco na TV.

  17. Pingback: Em caso de dúvida, não estupre.Blogueiras Feministas | Blogueiras Feministas