Hoje é dia de abraçar as mulheres indígenas

Hoje é dia de abraçar as diversas mulheres indígenas, das mais de 220 etnias, que estão por aí sambando na cara da sociedade preconceituosa brasileira. De acordo com dados do IBGE, os povos indígenas estão espalhadas em 80,5% dos municípios brasileiros. O número de pessoas que se autodeclaram indígenas praticamente triplicou nos últimos trinta anos, passando de 294.131, em 1991, para 817.963, em 2010, o que corresponde a aproximadamente 0,4% da população brasileira.

II Encontro Regional de Mulheres Indígenas do Regional Leste. Foto: Alepi - Articulação Ecumênica Latino Americana de Pastoral Indigenista

Esqueça a virgem Iracema dos lábios de mel ou qualquer outra imagem clichê que você tenha colada na sua mente e tente se lembrar: quantas mulheres indígenas brasileiras você conhece? Em outras palavras: que mulheres são essas que você vai abraçar hoje?

Vou começar por uma que me marcou bastante nos últimos tempos: a advogada Joênia Batista de Carvalho (wapichana de Roraima), que defendeu os indígenas no Supremo Tribunal Federal (STF), na sessão que definiu a demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em 2008. Ela fez uma defesa que considero emocionante e que serve de reflexão para muitas das questões que envolvem indígenas e direito à terra.

Joênia Batista de Carvalho, primeira índia do País a conquistar o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Recentemente entrevistei a jovem Olinda Muniz Wanderley, que está lutando bravamente pelo seu povo, sem medo de denunciar violências. Ela abriu o Blog de Yawar Tupinambá para divulgar notícias sobre sua comunidade Pataxó Hãhãhãe, do Sul da Bahia.

Numa conversa rápida com o Renato Santana, que trabalha no Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foram lembrados os nomes de Gricélia Tupinambá da Serra do Padeiro, que foi presa junto com seu filho recém-nascido na luta pela terra, mas que segue lutando, apesar das dificuldades;  Edilene Bezerra, mais conhecida como Pretinha Truká, que tem um histórico internacional de luta por direitos humanos e Elisa Pankararu, outra mulher atuante da causa indígena. Também lembramos o nome de  Maninha Xukuru-Kariri, de Alagoas, ideóloga do movimento de mulheres do Nordeste, que se tornou exemplo para mulheres indígenas, negras e brancas – faleceu na porta de um hospital em 2006, sem atendimento médico.

Mas é claro que existem muitas outras mulheres indígenas de destaque! E esse post aqui não tem a pretensão de levantar um histórico acadêmico ou uma hierarquia – a escolha desses nomes se baseia apenas na memória afetiva. Sei que a lista é bem pequena, mas garanto que o meu abraço é para todas, todas as mulheres indígenas brasileiras que estão por aí, sobrevivendo, lutando, resistindo, apesar de toda a ignorância espalhada por aí, inclusive pela mídia como mostra o texto do Observatório da Imprensa: Índios, vítimas da imprensa.

E você, consegue somar mais mulheres indígenas a essa lista? ;-)

Amanda Vieira

Gosto de futebol de várzea, de cinema, de poesia, de política e de música, mas principalmente de deitar na rede e esquecer isso tudo.

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11 thoughts on “Hoje é dia de abraçar as mulheres indígenas

  1. Pingback: Uma semana de luta pela terra, uma semana de luta das mulheres

  2. Bom, tem um bocado aqui onde eu trabalho, algumas servidoras da FUNAI, que batalham arduamente pela causa indígena!

    • Oi Lilian! Valeu pelo comentário – você quer sugerir o nome de alguma delas para eu entrevistar futuramente, pra gente divulgar permanentemente a causa? Abraços!

  3. Adorei o post..Só para complementar….

    Sambamos e bonito sobre todo e qualquer forma de preconceito. A linda sociedade, em suas histórias ridículas da carochinha prega que o índio é preguiçoso. Com que base? A sociologia? Enquanto eles se preocupam por algo sem sentido, estamos produzindo e inseridos no que eles consideram improvável e inconcebível(Universidades, etc). Minha vó, uma índia Funiô e meu avó Xukuru morreram lutando, mas não abandonaram suas concepções, suas raízes mesmo perseguidos por uma sociedade medíocre. Eu tive o prazer de dançar na tribo e conservo de minhas origens muito do que aprendi. Nunca negarei quem sou e não será a sociedade quem dirá o que faço ou deixo de fazer…afinal em que somos diferentes? Na cor da pele? No liso ou na ondulação capilar? Como diz Rita Lee: “todo dia é dia do índio”..podem até tentar, mas só desisto de lutar pelo que quero e sou quando partir desta para outra vida; e se por ventura tiver a oportunidade de voltar desejo voltar com mais gás e literalmente viver na tribo…ahahhahha

    • É isso aí, Josivânia! Valeu pelo seu comentário – se quiser sugerir reportagens ou temas da causa indígena é só avisar a gente. Abraços!

      • Aviso sim Amanda…

        Tem no meu blog(www.fagulhasdeminhavida.blogspot.com) um pouco do histórico e das limitações que a tribo de minha avó sofreu. Pode ficar a vontade, se por ventura, tiver interesse em algum dado.

        Ciberabraço.

  4. Oi Amanda!
    Acho desafiador não só nos lembrarmos da luta das mulheres indígenas, de seu nome e de seu papel como transformadoras da sociedade como um todo, como também incorporar sua experiência, suas causas e suas lutas às nossas. Muito legal seu post!!! Só tenho uma sugestão: que na legenda da segunda foto se substitua “ganhar” por “conquistar”, afinal, como bem sabemos, ninguém ganha o registro da OAB, e no caso de uma mulher indígena essa conquista percorre um caminho ainda mais longo e recheado de lutas ainda más árduas.
    Beijos,

    • Oi Brunela! Obrigada pelo comentário e pela sua atenta leitura. Acatei a sua sugestão – a legenda foi feita na correria, acabou passando esse detalhe… Abraços!

  5. Parabéns pela lembrança afetiva de mulheres que fazem parte da história da luta e resistencia da população indígena,estou no Mato Grosso do Sul mais precisamente em Dourados e também lembro de algumas mulheres indígenas que fizeram e fazem parte dessa Luta, Marta Guarani ( já falecida) que organizou a Associação Kaquateka; Priscila, Edith, que no dia a dia ajudam a comunidade a se organizarem e reivindicarem políticas públicas para seu povo nas Aldeias Bororó e Jaguapiru…enfim são muitas mulheres em todo o Pais que estão em alerta pelos direitos, sobrevivendo, resistindo….

    • Valeu Bárbara! A gente vai tentar trazer as histórias dessas mulheres aqui no blogueiras ao longo do ano, agradeço desde já pela sua contribuição. Se você tiver material de referência (links) é só registrar aqui que a gente vai ler e pesquisar ;-)