La Vie d’Adèle: notas sobre o que faz polêmica

Texto de Lettícia Leite.

Aviso: esse texto fala sobre a polêmica gerada pelo filme francês “La Vie d’Adele” (2013) e, por isso, contem spoilers sobre o filme e sobre a HQ que o originou. No Brasil, o filme terá como título “Azul é a cor mais quente” e tem previsão de estreia para 06 de dezembro de 2013.

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Acabo de assistir ao belo “La Vie d’Adèle: Chapitres 1 & 2′” (2013). Longa (175 minutos) que rendeu a seu diretor, Abdellatif Kechiche, assim como às atrizes, Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, a Palma de Ouro no último Festival de Cannes. O roteiro do filme, escrito em parceria pelo diretor e Ghalia Lacroix, foi feito a partir de adaptação livre do romance gráfico intitulado “Le bleu est une couleur chaude” (Azul é uma cor quente) de autoria de Julie Maroh. Trabalho que, por sua vez, já havia rendido a sua jovem criadora várias premiações, e cujo reconhecimento se expressa ainda, pela tradução da HQ para outros três idiomas: inglês, espanhol e holandês.

O filme, assim como o enredo que lhe inspirou, centra-se na narrativa do encontro amoroso entre Adèle (cujo nome na HQ é Clémentine) e Emma. Personagens interpretadas respectivamente por Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux. Na história, escrita e ilustrada, por Julie Maroh, a narrativa começa com a tensa visita de Emma à casa dos pais da ex-companheira que acabara de falecer. Uma vez que Clémentine havia confiado seu diário íntimo à companheira com quem vivera durante mais de dez anos (1996-2008). Assim, a narrativa das angústias, alegrias e descobertas vividas por Clémentine — que com apenas 15 anos começa a perceber que seu desejo não é voltado aos garotos — do seu encontro com Emma, da vida em comum e da separação entre elas até sua morte, é contada em flashback, a partir do momento em que Emma começa a ler o diário de Clémentine.

Cartaz francês do filme "La Vie d'Adele" (2013).
Cartaz francês do filme “La Vie d’Adele” (2013).

“La Vie d’Adèle”, na sua versão para o cinema, é o mais novo filme de Abdelattif Kechiche, diretor de 52 anos, nascido na Tunísia (colônia francesa até 1956), mas que vive na França desde os seis anos de idade. Abdel Kechiche dirigiu, entre outros, os notáveis: “L’Esquive” (“A Esquiva”, 2004) e “Vénus Noire” (“Vênus negra”, 2010). Filmes cujas qualidades já haviam conferido reconhecimento ao diretor por parte da crítica francesa e internacional. As escolhas feitas pelo diretor, roteirista e coprodutor do filme, sem dúvida encantaram-me no decorrer de cada um dos instantes que compõem as 2 horas e 55 minutos em que o longa nos permite, desde o primeiro instante, acompanhar o dia-a-dia comum de Adèle. Jovem estudante que vive com seus pais, numa casa modesta, em uma cidade do interior da França.

Abdel Kechiche constrói uma narrativa cinematográfica que prima pelos detalhes mais “banais” que compõem as horas vividas por sua protagonista, assim como de qualquer pessoa comum. A câmera capta em ângulos, que beiram o invasivo, Adèle comendo, dormindo, pegando o ônibus para ir à escola, assistindo aulas, conversando com as amigas. Deste modo, o diretor nos mergulha, de forma lenta e contínua, em alguns anos da vida de Adèle. Isto incluirá, claro, suas primeiras experiências afetivas e sexuais, assim como as angústias e expectativas vividas por ela, que, aparentemente, parecem ser diferentes das demais meninas. Ela parece não conseguir vivenciar da forma como “deveria” o primeiro encontro com um garoto, que parece caber nos sonhos das adolescentes da sua idade: bonito e um pouco mais velho. A personagem sente angústia e tristeza pelo que de tão “natural” ela simplesmente não sente.

No entanto, Adèle começa a despertar de outro modo para este aspecto da vida quando uma outra possibilidade de vivenciar sua sexualidade e efetividade se abrem. O que ocorre a partir do dia em que uma colega da escola lhe dá um beijo e nada mais… O que, por sua vez, já havia sido precedido por um primeiro encontro casual com Emma, como quem cruza ao acaso na rua. Moça de cabelos azuis, que andava abraçada à companheira e, que de imediato invade o imaginário erótico de Adèle. O reencontro entre ambas se dá, tempos depois, num bar lésbico, numa noite em que Adèle acompanhara um amigo a um bar gay e em seguida acabara “escapando” para o bar lésbico que ficava nos arredores. Seguem-se outros reencontros e as violentas reações por parte dos colegas do colégio quando “suspeitam” que Adèle seja lésbica — cena, a meu ver, construída e interpretada de forma magistral.

Desenrola-se, assim (a partir de conversas, risadas, olhares), de forma natural, lenta, delicada e ao mesmo tempo avassaladora, a tensão causada pelo desejo sentido por ambas, a medida em que vão se reencontrando e se apaixonando. E, assim como encontros, desencontros, alegrias, tristezas e outros tantos sentimentos e acontecimentos fazem parte da vida de Adèle, tudo é colocado em cena de forma bastante natural, inclusive, o primeiro encontro sexual entre Emma e Adèle. Cena cuja duração é de cerca de 6 minutos e que casou incômodo, entre outras coisas, por ser demasiado “explícita”.

Cena do filme "La Vie d'Adele" (2013).
Cena do filme “La Vie d’Adele” (2013).

A trama capta outros tantos eventos da vida cotidiana, assim como tensões não menos “banais” e que estão em jogo em qualquer relação entre pessoas, sobretudo as que incluem diferenças mais marcadas de origem social. Distinções que se manifestam de forma sutil ou crua, em todos os aspectos da vida compartilhada entre Emma e Adèle. Emma é artista plástica, vive sua sexualidade de forma aberta, tanto entre amigos como em família, seus gostos foram socialmente construídos num meio privilegiado em que pululam referências filosóficas, artíticas, culinárias, as mais refinadas. Adèle, mais jovem que Emma, é estudante que “apenas” sonha em ser professora primária e cujos gostos foram construídos/pautados por referências culturais em grande parte distintas àquelas da companheira.

Assim, mesmo quando as vidas e as referências de ambas se cruzam, o que Abdel Kechiche procura problematizar diz respeito às tensões que este encontro entre pessoas oriundas de diferentes meios traz à tona; assim como os conflitos que, em alguma medida, todas as pessoas vivenciam quando percebem serem elas mesmas construídas dentro de dinâmicas sociais em parte amplamente compartilhadas, em outras tantas não. Construções que acabam por se inscrever na expressão de suas preferências as mais distintas. Tudo isto se mostra em diferentes momentos ao longo do filme, traduz-se em diferentes escolhas, diálogos e atos enquanto se vive entre amigos, família e fala-se em trabalho, literatura, arte, culinária, (homo)sexualidade. Questão, aliás, pontuada de forma mais evidente na HQ de Julie Maroh, são as distintas vivências da lesbianidade por ambas. Pois, enquanto para Emma a inscrição política da sua homossexualidade é uma questão central, para Adèle trata-se de algo que se inscreve, antes de tudo, na sua intimidade.

Por isto, e por tanta outras fortes sutilezas, o filme causou-me um encantamento inegável. Efeito provocado pela profundidade que está na superfície e banalidade dos “eventos” vividos diariamente, de forma semelhante e distinta, por e entre pessoas tão comuns como Adèle, eu e você que porventura me lê. Assim, muito embora este filme ainda não tenha sido lançado no Brasil, decidi escrever estas notas. Contudo, fui motivada não apenas pelo efeito de encanto que me provocou a interação com este trabalho; mas em grande parte também, pelo incômodo gerado pelas polêmicas em torno das filmagens e imagens do filme.

As primeiras polêmicas foram concomitantes ao lançamento oficial do longa, ocorrido em Cannes. Uma vez que, no dia 23 de maio, o jornal Le Monde veiculou um comunicado da CGT (Confederação Geral do Trabalho, na França), em que o Sindicato dos profissionais da Indústria do Audiovisual e do Cinema tornava públicas as denúncias feitas por parte da equipe técnica que trabalhou nas filmagens do mesmo. Apontou-se aí, inúmeros desrespeitos aos direitos trabalhistas. Irregularidades que teriam sido causadas, em grande parte, pelo prolongamento das filmagens — cuja previsão inicial de dois meses e meio de trabalho teriam se transformado em pelo menos mais três meses —, sem que no entanto, o valor do orçamento fosse alterado.

Parte da equipe técnica alega que teriam chegado a ouvir uma proposta de que as pessoas continuassem a trabalhar como voluntárias, já que não haveria mais dinheiro e a recompensa seria a oportunidade de ter trabalhado num filme realizado por Kechiche. Dentro deste quadro, não por acaso, as acusações que pesam contra Abdel Kechiche beiram ao ponto de serem caracterizadas como assédio moral. Uma vez que o ritmo de trabalho imposto pelo diretor, que era também coprodutor do filme, teria acabado por gerar dentro da equipe um clima pesado, para dizer o mínimo. Situação esta, que teria levado muitas pessoas a optar por abandonar o trabalho no decorrer das filmagens.

Diante disso, em uma entrevista concedida recentemente pelo diretor a Serge Kaganski da revista Les InRockruptibles (N° 932, 9-15/10), Kechiche se defende, pontuando entre outros, o fato de que tais denúncias são todas anônimas e por isso covardes. O diretor afirma que nunca explorou e desrespeitou qualquer pessoa de sua equipe, embora reconheça que trabalhar em seus filmes demanda exaustiva dedicação. Ele alega também, que o contrato inicial de parte dos técnicos foi feito por um período inicial de apenas um mês, com vistas à renovação a medida em que as filmagens continuassem.

Assim, nas suas palavras, as pessoas estariam livres para continuar ou não. O diretor faz ainda questão de ressaltar que, desde seu primeiro filme ele tem trabalhado com uma núcleo fixo composto por oito técnicas e técnicos — o que por si só seria indício da relação de respeito que estabelece com a equipe. Fidelidade que, aliás, seria reconhecida e financeiramente compensada, já que mesmo uma estrela como Léa Seydoux (acostumada com somas mais diferenciadas graças ao seu status), neste caso recebeu um cachê que é igual ao dos técnicos que compõe este núcleo central de produção.

A este quadro, porém, viriam a se juntar ainda, algumas declarações feitas por Julie Maroh, a autora da HQ que inspirou o roteiro do filme. Ela, que esteve em Cannes, reclamou da invisibilidade a que teria sido relegada durante a cerimônia. Além disso, se queixa de não ter sido recebida pelo diretor durante as filmagens do longa. A jovem autora sublinhou, igualmente, seu incômodo já existente pelo fato de não ter tido nenhuma de suas mensagens enviadas a Abdel Kechiche respondidas desde o ano de 2011. No entanto, quanto a isto, esclareço que não consegui ter acesso a nenhuma reação por parte de Kechiche.

Porém, foram as declarações feitas pelas atrizes Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux as que mereceram maior atenção por parte da imprensa francesa e internacional. Não apenas por seus respectivos conteúdos, mas também pelas reações que provocaram por parte do diretor. Adèle Exarchopoulos — cujo nome real acabou substituindo o nome da personagem que encarnou, proposta que lhe foi feita por Abdel depois do começo das filmagens — já havia feito comentários que deixavam entrever seu incômodo com relação ao processo de realização do filme. Em uma entrevista concedida a revista Elle (edição N° 3532, de 06/09/2013), já sublinhava o fato de que a obssessão de Kechiche por “projetar a realidade”, fazia com que por vezes ela tivesse a sensação de que, momentos que ela qualifica como de sua profunda intimidade, tivessem sido captados pela câmera do cineasta sem que ela sequer percebesse.

A atriz, de 19 anos, diz que ela e Léa Seydoux teriam filmado ao todo aproximadamente 700 horas e não sabiam o que resultara do processo de montagem. Ela deixa entrever, entre outras, o mal-estar sentido quando viu em Cannes o resultado final do filme no que concerne às cenas de sexo. Cenas para as quais o diretor exigira absoluta improvisação e naturalidade. A atriz, que atualmente namora o ator Jérémias Laheurte (com quem contracena no filme), declara que a cumplicidade com Léa Seydoux facilitara a tarefa, sem no entanto deixar de ressaltar a insegurança e o profundo cansaço envolvidos no processo de filmagem. Pela insistente curiosidade manifesta pela imprensa com relação às cenas de sexo “explícitas”, ela ressalta o fato que que ambas usavam uma proteção de latéx que impedia o contato íntimo. Caso contrário, nas suas palavras, seria o mesmo que filmar um pornô.

Cartaz brasileiro do filme "Azul é a cor mais quente" (2013).
Cartaz brasileiro do filme “Azul é a cor mais quente” (2013).

O jornal The Independent em matéria publicada no dia 04 de outubro, por sua vez, não hesitou em destacar uma das frases ditas por Léa Seydoux no sentido de traduzir/denunciar o mal-estar e o sentimento de exploração excessiva experimentados por ela e sua parceira de cena: “Nós no sentimos como prostitutas”, ela declarou. Frase que, obviamente, pode ser lida e mesmo questionada (pela comparação com a prostituição) de diversas maneiras; mas que expressa um mal-estar presente na relação estabelecida entre atrizes e diretor e que a meu ver merece atenção e reflexão. Pois, parece colocar-se em jogo um “pacto” estabelecido (ou em parte tácito) entre a exigência de doação ator/personagem/filme e diretor/produção, cujas questões contratuais e éticas parecem por vezes, ultrapassar certos limites, assim como expor os limites éticos e morais que constroem a nossa trama social. Matéria que, claro, guardadas as devidas proporções, remeteu-me às polêmicas em torno de uma das cenas do, hoje clássico, O Último Tango em Paris (1972).

Neste sentido, as reações da parte de Abdellatif Kechiche também falam muito. O diretor, em entrevista dada a revista Télérama (25/09/2013), declarou sua profunda tristeza e incômodo — particularmente com relação às declarações feitas por Léa Seydoux — ao ponto de dizer que preferiria que o filme não chegasse mais a ser lançado (declaração que ele reconheceu mais tarde como força de expressão do momento). Ele alegou que graças ao teor das declarações da atriz, o longa teria tido sua pureza maculada aos olhos do expectador. Kechiche reconhece que ele mesmo não iria ao cinema assistir ao filme de um diretor cuja imagem se encontra associada a tamanha tirania e sadismo. E vai além, ao explicitar o que, a seu ver, muitas outras pessoas poderiam vir a questionar: “Será que este homem não teria assediado estas duas jovens? Será que ele não as tocou e elas não ousam dizer?”.

Mas os embates não pararam por aí. Abdel Kechiche criticou Léa Seydoux ainda pelo viés de sua origem social, fazendo referências às origens burguesas da atriz em contraste com as suas. Pois, segundo o diretor, algumas das declarações de Seydoux encontram suas raízes nestas tensões. Tensões que, sem dúvidas, tecem o quadro social da França atual, assim como tantas outras questões/tensões que Kechiche trabalha neste filme e trabalhou em outros longas. A querela é, portanto, certamente mais complexa e longa do que pretendo expor neste espaço.

Termino apenas chamando atenção para uma preocupação, ou um “fantasma”, que em diferentes medidas e formas foram expressas pelas atrizes, pelo diretor e pela imprensa. Inquietação que, a meu ver, diz muito sobre o que (ainda) perturba quando o assunto em pauta é sexo e amor entre mulheres. Abdel Kechiche, ao se sentir acuado pelas declarações de abuso por parte das suas protagonistas, chegou a insinuar que talvez as atrizes tivessem gostado de fazer as cenas de sexo… As atrizes, por sua vez, insistem em ressaltar a cumplicidade e confiança entre ambas, que as ajudaram a dar verossimilhança ao que para elas não era evidente: o que fazem duas mulheres na cama, afinal?

Adèle Exarchopoulos declarou ter recorrido à Internet na busca de referências, pois não sabia o que faria, nem como se colocar em cena. Os jornalistas, por sua vez, querem saber: Léa Seydoux e Adèle Exarchopoulos fizeram sexo “de verdade”? No entanto, a pergunta tácita parece ser: duas mulheres podem fazer sexo “de verdade”? Ou são as “eternas preliminares”, contato que gera tesão por ser “doce” e esteticamente bonito (se feito entre duas mulheres lindas, claro!)… Para fazer eco a um clichê vez por outra explicitado aqui e ali, tal como aparece numa recente entrevista concedida por Bianca Jahara ao programa “Gabi Quase Proibida”, para ficar apenas num exemplo recente.

Ora, apenas num quadro social e cultural configurado em termos que sexo é igual a penetração de um pênis de “verdade”, de um homem “de verdade”, em uma mulher igualmente “de verdade”, parece fazer algum sentido a questão: sexo entre mulheres é “pra valer”? No entanto, é bom lembrar, estamos falando de um filme! Quanto a isto, se restam curiosidades e dúvidas, basta procurar entrevistas concedidas por atrizes e atores de filmes pornôs (o que em nenhuma medida tem a intenção de ser “La Vie d’Adèle”), para ouvir em seus relatos sobre o quanto a presença das câmeras, a prolongada duração das cenas, a falta de qualquer envolvimento prévio com a(s) pessoa(s) com quem se contracena (salvo, claro, alguns casos), a voz do diretor incessantemente cortando e orientando o que se deve fazer ou não… Enfim, para perceber como todo este aparato cênico parece, em geral, impedir que haja “verdade” ali.

No entanto, aproveitando a deixa da “verdade”, podemos nos desafiar a pensar em certos contextos e gestos que muitas vezes codificam a “verdade” da nossa performance sexual. Contexto no qual, muito embora não haja a presença de um diretor a nos informar o que se deve ou não fazer para se obter a avaliação de “bom de cama”, é sem dúvidas permeado por uma saturação de imagens socioculturais nos informando sobre como se faz sexo “de verdade”, entre homens e mulheres “de verdade”, claro! O que aliás, faz com que muitas vezes, de tão informados, percamos a possibilidade de “apenas” tentar descobrir prazer na troca que o contato com o corpo, cheiro e calor de outra pessoa poderia nos proporcionar…

Apenas para lembrar, a França passou recentemente por um período de intensas manifestações e debates que acompanharam o processo de aprovação do direito ao casamento e à adoção para todos os casais: sejam eles formados por uma mulher e um homem, por duas mulheres ou por dois homens. Também neste quadro, e apesar de todas as polêmicas, é importante ressaltar o fato de que a crítica ao filme de Kechiche foi majoritariamente positiva. O que, a meu ver, é politicamente pertinente. Embora ele e as atrizes (ao menos no que consta no material ao qual tive acesso) não se assumam em nenhuma medida porta-vozes de causas LGBT’s.

O que Abdel Kechiche queria, sobretudo, era contar uma história de encontro, de amor, de descobertas. Contar isto através de uma vida e um encontro capaz de transformá-la. Ressalto ainda que, mesmo com todas as graves questões postas em cena com as polêmicas, técnicos e, sobretudo, atrizes, não hesitaram em reconhecer a qualidade artística do que se pode ver na telona.

Ainda assim, é certo que vale sempre a pena questionar e refletir sobre as matérias que formam e informam a arte. A intenção aqui, foi apenas compartilhar algumas reflexões e, quem sabe, suscitar outras tantas questões. Pois, seria ainda pertinente questionar, por exemplo, e como muitas feministas fizeram, os motivos que fazem com que dos 19 filmes indicados para a 66° edição do Festival de Cannes apenas um tenha sido dirigido por uma mulher (Valeria-Bruni Tedeschi por “Un château en Italie”).

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Trailer do filme “La Vie d’Adele” ou “Blue is the warmest colour” (2013).

Autor: Lettícia Leite

Tem 33 anos e continua apreciando os barulhos que consegue ouvir nos momentos de silêncio.

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