É carnaval!

É carnaval, feriado, festa! Uma mulher jovem acorda no sábado muito animada, pensando seriamente em sair para dançar, se divertir um pouco. Passou o dia e a noite de sábado em blocos de carnaval, conhecendo pessoas novas, dançando, rindo e bebendo. Ela está ficando com um carinha interessante, deu uns beijos e, em um determinado momento, decidiu levá-lo para sua casa. Mas não teve coragem de fazer o convite! O motivo: teve medo do que ele, su@s amig@s e @s amig@s dele pensariam dela!

Campanha do SUS para o uso de preservativos - "Lutar por uma causa é ter atitude"

Ainda hoje, por mais que falem  que a mulher tem liberdade sexual, pode fazer o que quer, ela sofre com o medo de ser julgada por suas decisões. Algumas deixam o medo prevalecer nas suas escolhas, medo de ser liberal e sofrer com o machismo de muitas pessoas que ainda acreditam que existem mulheres pra transar e mulheres pra casar. Acho que a única coisa que deveria passar pela cabeça de uma mulher ao conhecer alguém e pensar em transar com essa pessoa é se ela QUER de verdade.

O que faz de nós pessoas boas ou ruins é o nosso caráter e ele não é medido pelo número de parceiros sexuais que temos durante a nossa vida. Quantas vezes eu já tive medo de fazer isso? Quantas amigas minhas já tiveram esse medo também? Aposto que você, que está lendo esse post, também já teve medo de fazer isso. Não falo em um medo legítimo, sei que eles existem, o famoso medo de levar pessoas completamente desconhecidas para casa por motivos de segurança. Mas as vezes nos prendemos a limitações que só existem por causa do machismo, o medo de um homem te considerar “fácil”.

Quando lutamos por igualdade de direitos no feminismo, não lutamos apenas por salários igualitários, por divisões de tarefas domésticas ou para que a mulher possa escolher ser dona de casa ou trabalhar fora: lutamos para que nós, mulheres, possamos exercer nossa sexualidade sem vergonha ou medo de julgamentos! Queremos decidir fazer ou não sexo, esperar pra perder a virgindade quando casar ou transar com uma pessoa que acabou de conhecer na balada! Viver nossos desejos, sem que ninguém nos julgue como certas ou erradas. Acho que isso é o mais difícil de se entender, querer ou não vivenciar sua sexualidade é uma escolha que só diz respeito a mulher, não é da conta da sociedade, não é da minha conta, não é da sua conta!

Campanha da prefeitura de Ponte Nova para o uso de preservativos no carnaval - "Bote camisinha nas suas histórias de carnaval"

É muito difícil falar de luta, legitimar um monte de vitórias nossas e nos esquecer dessa parte que deveríamos nos lembrar sempre. Assim como a conquista da pílula anticoncepcional foi necessária para que começássemos a enxergar o direito da mulher de ter sexualidade. Mas ainda não chegamos no que eu consideraria o ideal. Isso só acontecerá quando uma mulher tiver o mesmo direito de fazer o que quiser sem ser julgada!

 Quero viver em um mundo onde ninguém julga ninguém por suas vontades, onde não exista o medo de realizar seus desejos. Onde todo mundo compreenda que sexo é bom, saudável e deve ser praticado sempre que desejamos. Com ou sem amor, sexo sempre é bom e cabe apenas a nós decidirmos se faremos e com quem faremos!

*Imagem de destaque do post é da campanha da prefeitura de Piripiri para o uso de preservativos no carnaval – “Carnaval com alegria é com camisinha”*