#BlogFem entrevista candidatas feministas: Rafaelly Wiest

Esse mês, estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas feministas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Rafaelly Wiest é candidata a vereadora pelo PC do B na cidade de Curitiba/PR.

Coligação: PTC / PPL / PC do B. Página do Facebook: Rafaelly Wiest.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Quero colocar toda minha experiência política e capacidade de trabalho para ajudar a fiscalizar e melhorar as políticas públicas do município de Curitiba. Com mais de 15 anos de acúmulo de experiência nos campos da política, da educação e da saúde, das lutas sociais e na área dos direitos humanos. Desde 2009 atuo diretamente na construção, formulação e debates sobre questões de Direitos humanos, Gênero, Identidade de Gênero, Machismos, Racismo, Xenofobia e Orientação Sexual. Minha trajetória de lutas é testemunha de meu compromisso com a justiça social em Curitiba, Paraná, Brasil e cenário Internacional, fui anfitriã em 2010 da ILGA-LAC (Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Intersexuais para a América Latina e o Caribe) participei na abertura do PRIDE Toronto – Canadá 2015 e fui Palestrante convidada pela Organização Mundial de Saúde para a IAS (International AIDS Society) 2015 Vancouver-BC – Canadá.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

Minha área de atuação de prioridade será a promoção e defesa dos direitos iguais para Mulheres, Pessoas Trans, LGB, pessoas em situação de vulnerabilidade e população Negra, defesa de uma saúde pública de qualidade com acesso e permanência aos serviços SUS, educação pública gratuita e de qualidade, inclusive com a valorização da política participativa, através do controle social.

Defender a luta contra todas as formas de preconceito, estigma, discriminação, opressão e violência, inclusive propondo a criação de Centros de Referência em Direitos Humanos.

Cobrar a efetivação na cidade de Curitiba dos Estatutos da Criança e do Adolescente, do Idoso, da Igualdade Racial, do Índio, da Juventude, da Lei Maria da Penha e do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, com a realização de audiências públicas, apoio aos movimentos sociais, recebimento e encaminhamento de denúncias e acionamento do Ministério Público.

Segurança pública – lutar por uma segurança pública cidadã que respeite as Mulheres CIS e TRANS, Pessoas LGB, Negras e Negros, pessoas em situação de rua e emigrantes e refugiadas/os, com valorização das/dos agentes de segurança e o respeito aos direitos humanos.

LGBT – trabalhar para a criação da Coordenadoria municipal LGBT na estrutura do Governo municipal e apoiar a implementação do Plano Municipal de Políticas Públicas para Promoção e Defesa dos Direitos de LGBT de Curitiba. Articular apoio e votar pela aprovação do Conselho Municipal de Promoção e Defesa dos Direitos de LGBT e fiscalizar para que todas as ações do Plano sejam executadas pelo Executivo.  Trabalhar para que as políticas públicas para LGBT em Curitiba tenham orçamento adequado para sua execução. Propor leis que proíbam a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

Juventude – Defender os direitos da juventude à educação, lazer, esporte, cultura, saúde, segurança. Lutar pela implantação do Estatuto da Juventude na sua integralidade na cidade de Curitiba do Paraná. Lutar pelo respeito à assistência estudantil, inclusive pelo Passe Livre Estudantil municipal, pela moradia estudantil e pela criação de Restaurantes Universitários nas universidades públicas que ainda não têm.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Transformar a Secretaria Especial da Mulher em Secretaria Municipal da Mulher como órgão formulador e executor de políticas de gênero com dotação orçamentária própria e estatuto e com participação das instâncias de governo/poder e decisão, nas mesmas condições que as demais secretarias.

Implantar um banco de dados sobre a situação de violência que atinge mulheres (qualquer idade), no município, com dados especiais de tipo, motivo, locais,

Criar condições para um melhor funcionamento, com infraestrutura adequada, atendimento humanizado (mulher) da delegacia da mulher, com plantão 24 horas;

Combater todo tipo de violência e discriminação, em especial a violência sexual e doméstica, além da discriminação por orientação sexual;

Formação, capacitação e sensibilização dos servidores públicos, em particular na área de saúde, segurança e educação para o reconhecimento, atendimento e encaminhamento adequados das mulheres vítimas de violência;

Realizar campanhas públicas de combate à violência sexual e doméstica, em todas as áreas de atuação do governo municipal;

Ampliação da rede de creches e de vagas em período integral e noturno para que a mulher possa estudar;

Eliminar conteúdos sexistas e discriminatórios e promover a inserção de conteúdos de educação para a equidade de gênero e valorização das diversidades nos currículos;

Ampliar o acesso e a permanência na educação de grupos específicos de mulheres com baixa escolaridade;

Ampliar a educação e alfabetização de mulheres jovens e adultas.

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

Pensar em uma pessoa trans feminista se colocar a candidata a vereadora em Curitiba, cidade que nasci, amo e vivo desde meu nascimento, contudo uma cidade extremamente machista e preconceituosa ao mesmo tempo que me assusta me faz acreditar na importância de nós mulheres feministas, trans ou cis, nos colocarmos sim, ocupando esses espaços onde até então são ocupados por homens. Tenho muito orgulho de ser uma mulher trans feminista, ser da Marcha das Vadias de Curitiba, grupo este que me acolheu e me respeita e luta junto, contra todas as formas de opressão e violência contra as mulheres. Desta forma acredito que o desafio é imenso, porém acredito na força e transformação do nosso país, onde podemos juntas construir uma sociedade que respeite as mulheres trans e cis.