Um Convite aos Homens

O texto abaixo é um extrato do vídeo A Call to Men e é o assunto que trago hoje. Este vídeo do TED apareceu em nosso grupo de discussão essa semana. Nele, Tony Porter — educador e ativista no combate à violência sexual nos EUA — cita dados do Centro de Saúde Americana que classifica a violência contra mulher como epidêmica, não só nos EUA como também fora dele.

I grew up in New York City, between Harlem and the Bronx. Growing up as a boy, we were taught that men had to be tough, had to be strong, had to be courageous, dominating — no pain, no emotions, with the exception of anger — and definitely no fear — that men are in charge, which means women are not; that men lead, and you should just follow and do what we say; that men are superior, women are inferior; that men are strong, women are weak; that women are of less value — property of men — and objects, particularly sexual objects.

As histórias que Tony Porter conta no seu chamado aos homens são cheias de emoção, pois ele relata suas experiencias como pai, filho, adolescente e educador. Ele enumera as regras e padrões de comportamento que se espera de um homem para que ele seja reconhecido, pela sociedade como tal, ele chama esse conjunto de regras e padrões de ‘caixa de macho’. Segundo ele, para manter seu status de homem é preciso manter-se na caixa. transcrevo aqui quais são as regras:

Don’t cry or openly express emotions with the exception of anger  – Não chora ou demonstra emoções e sentimentos com exceção apenas para raiva

Do not show weaknes or fear: Não demonstra medo ou fraqueza

Demostrate power controlespecialy over women: Demonstra poder e controle, especialmente sobre mulheres

Agression – Dominance: Agressão – Dominação

Do not be “like a woman”: Não age “como uma mulher”

Heterosexual: Heterossexual

Do not be “like a gay man”:  Não age “como um homem gay”

Though – Athletic – Strength – Courage:– Valente- Atlético – Forte – Corajoso

Make decisions – Does not need help: Toma decisões – Não precisa de ajuda

Views women as property/objects: Vê a mulher como um objeto/propriedade

Esses padrões, explica ele, por oposição, remetem as mulheres a papéis de fraqueza, a serem sujeitos de menor valor, propriedade dos homens, objetos sexuais. Ele explica que esses são os ingredientes cujo resultado é a violência sexual. Ele nos convida a nos implicar no grande desafio que é questionar, desconstruir e redefinir esses padrões, para que os homens entendam que é possível sair da caixa, sem colocar sua masculinidade em perigo. Enquanto os homens funcionarem conforme esses padrões, a violência contra mulher vai continuar a existir. Na nossa sociedade os homens são, na maioria dos casos, os atores das agressões sexuais e da violência contra mulher, mas não se veem como parte do problema, embora o sejam e por isso também precisem agir em prol da igualdade, pois a solução passa obrigatoriamente por eles.

Image: campanha pelo fim da violência contra mulher do Grupo Católicas pelo Direito de Decidir

Por isso achei essencial trazer esse vídeo aqui, fazer esse convite, por que é muito importante ter homens implicados na luta pela igualdade. Enquanto essa adesão não existir, a violência contra mulheres vai continuar existindo. Não estou com isso dizendo que todos os homens são agressores, mas são sempre homens que violam sexualmente as mulheres. Talvez não por perversidade ou psicopatia, mas pelo simples fato de não verem as mulheres como sujeitos. Quantas vezes nessas últimas semanas, li comentários como: “com tanta coisa mais importante para reivindicar, vai para rua reivindicar a roupa que usa” (sobre as marchas das vadias), ou “com tantos outros assuntos importantes ficam reclamando que não podem amamentar em público” (sobre os mamaços) ou ainda “Não se pode levar uma piada a sério”… Qual o motivo para os protestos e reivindicações de mulheres não serem valorizados? Por que nossas reivindicações são fúteis ou infundadas? Talvez o motivo seja que, para sociedade, não somos válidas como sujeitos, logo o nosso clamor não tem razão de ser.

Então convido tod@s a serem sujeitos ativos na luta pela igualdade, nossa liberdade como mulheres está atrelada a liberdade dos homens. Somente juntos conseguiremos construir um mundo onde mulheres não sejam vítimas apenas pelo fato de ser mulheres. Onde homens possam expressar suas emoções e sentimentos sem medo de serem julgados inferiores. Para isso é preciso o comprometimento de todos. E, como Tony, esse é o mundo que eu desejo para mim e para minhas crianças.

Autor: Liliane Gusmão

Feminista, sim eu sou!

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