Música e feminismo: Alanis e Madonna

Hoje é meu aniversário e por isso, decidi fazer um “post festa de aniversário” e nada melhor do que música pra animar, ainda mais se a aniversariante sou eu!

Sempre fui viciada em música, minha vida tem trilha sonora, cada momento feliz ou infeliz é recheado por músicas de todos os tipos. Rock, Pop, Samba, MPB, Blues e Bossa Nova. E tem  alguns momentos da minha vida que a trilha sonora é quase toda feita por mulheres. Passando por Madonna, Alanis Morissette, Spice Girls, Garbage, No Doubt, Norah Johnes e Adele.

E nessas mulheres, duas delas me fizeram questionar muito do que via a minha volta. Questionar a liberdade sexual feita apenas para o homem, questionar a mulher ser comportada e não poder andar entre os garotos e virar rebelde sem causa. Essas duas são Madonna e Alanis Morissette. O primeiro álbum que escolhi pra mim, assim que sai daquele momento Maria Chiquinha da dupla Sandy e Junior, foi o Bedtime Stories da Madonna, que ouvi repetitivamente. Assumo que gostei de Madonna muito antes de decidir se gostava mesmo de Chico Buarque e Caetano ou se ouvia porque minha mãe gostava. Ouvi aquela fita (eu não tinha um aparelho de cd na época) até quase arrebentar de tanto rodar e rodar repetitivamente. Passei da fase Madonna e cheguei na adolescência, nessa época me mantive oscilando entre os gostos musicais da família (Bossa Nova e MPB) e os gostos da moda adolescente (Spice Girls, Backstreet Boys e similares). Quando me dei conta, fui apresentada ao mundo do rock, me apaixonei por ele, foi aí que conheci, poucas músicas, desconectadas de uma cantora de cabelos compridos, que usava batom vermelho e tênis All Star. Fui apresentada a Alanis Morissette.

Capas dos discos de Madonna e Alanis Morissete.

Mas o que a Alanis Morissette ou a Madonna têm de tão especial para eu querer falar sobre elas em um post no Blogueiras Feministas? As considero belíssimos exemplares de mulheres independentes, livres para viver como desejam. Foi nas músicas das duas que vi mulheres tendo liberdade de falar o que queriam pela primeira vez. Uma cantava Human Nature, a outra  cantava I’m a bitch I’m a lover. E era tudo tão perfeito, eu podia ser assim!

Madonna fala de ser sexualmente livre, fez vídeos questionadores. Like a Prayer é pra mim o melhor de todos. Ela consegue tocar nos assuntos racismo, violência contra a mulher e fé ao mesmo tempo. Sempre fico emocionada ao assistir a esse vídeo. No álbum em que conheci Madonna ela fala abertamente de sexo em várias de suas músicas. O que não era novidade, já era o lugar comum da música dela nessa época, o cd anterior ao Bedtime Stories era o tão famoso e polêmico Erotica.

Também adoro a música What it Feels Like for a Girl, que fala algo que eu acho bárbaro! Traduzindo de forma grosseira a fala da Madonna, ela diz que mulheres podem se parecer com homens, mas homens não querem se parecer com mulheres, porque seria degradante, pois, para eles, ser mulher é degradante. Essa frase inclusive me lembra muito uma imagem que está rodando pelo facebook do Iggy Pop vestido de mulher. A letra te faz pensar em como se enxerga o tipo de mulher estereotipada, em uma parte da música ela fala que mulheres não mostram sua força.

What it Feels Like for a Girl (tradução)

Girls can wear jeans

And cut their hair short

Wear shirts and boots

‘Cause it’s OK to be a boy

But for a boy to look like a girl is degrading

‘Cause you think that being a girl is degrading

But secretly you’d love to know what it’s like

Wouldn’t you

What it feels like for a girl

Silky smooth

Lips as sweet as candy, baby

Tight blue jeans

Skin that shows in patches

Strong inside but you don’t know it

Good little girls they never show it

When you open up your mouth to speak

Could you be a little weak

Do you know what it feels like for a girl

Do you know what it feels like in this world

For a girl

Hair that twirls on finger tips so gently, baby

Hands that rest on jutting hips repenting

Hurt that’s not supposed to show

And tears that fall when no one knows

When you’re trying hard to be your best

Could you be a little less

Strong inside but you don’t know it

Good little girls they never show it

When you open up your mouth to speak

Could you be a little weak

Do you know what it feels like for a girl

What it feels like in this world

Alanis é uma cantora que me conquistou porque tudo que eu ouvia do primeiro álbum dela parecia que foi feito para mim, isso na adolescência. Fui envelhecendo e seus álbuns seguintes pareciam cair como uma luva, fui amadurecendo e eles me acompanhavam, ela me acompanhava. Claro que ainda ouço músicas do primeiro álbum (nada como gritar e chorar ouvindo You Ought Know pra melhorar de uma dor de cotovelo!), mas me identifico mais com suas músicas mais recentes.

Tem uma música, não muito atual, que fala de relacionamentos amorosos de uma forma que se encaixa tão bem em minha vida. A letra de Precious Illusions fala o tempo todo de como é quando perdemos certas ilusões que nós mulheres somos ensinadas a alimentar sobre relacionamentos. E o vídeo é brilhante, mostra a relação dividida em duas partes, uma parte realista e a outra em formato de contos de fadas.

Passei por uma adolescência muito conturbada, foi nessa época que comecei a questionar minha fé, a religião a que pertencia. Nessa época ouvia muito a música Forgiven, que me fez entender muito o que eu passava. Também me identifiquei com inúmeras outras músicas do disco Jagged a Little Pill que falavam de infelicidade amorosa e relacionamentos problemáticos. Me identifico muito com a Wake Up, que é a música de um relacionamento conturbado, ouvi muitas vezes em vários momentos,  traduzindo dores minhas. Outra música que fala sobre relacionamentos é a Not the Doctor, fala sobre nós desejarmos sermos mais do que uma extensão da pessoa que está ao nosso lado, uma forma de dissipar a dor dessa pessoa. Adoro quando ela fala que não quer ser a metade, que acredita que um e um fazem dois. É uma música de liberdade, de uma mulher que espera ser aceita como um indivíduo, que não se anula ao estar com alguém.

Not the doctor (tradução)

I don’t want to be the filler if the void is solely yours

I don’t want to be your glass of single malt whiskey

Hidden in the bottom drawer

I don’t want to be the bandage if the wound is not mine

Lend me some fresh air

I don’t want to be adored for what I merely represent to you

I don’t want to be to be your babysitter

You’re a very big boy now

I don’t want to be you mother

I didn’t carry you in my womb for nine months

Show me the back door

Visiting hours are 9 to 5 and if I show up at ten past six

Well I already know that you’d find some way to sneak me in and oh

Mind the empty bottle with the holes along the bottom

You see it’s too much to ask for and I am not the doctor

I don’t want to be the sweeper of the eggshells that you walk upon

I don’t want to be your other half I believe that 1 and 1 make 2

I don’t want to be your food or the light from the fridge

on your face at midnight

Hey what are you hungry for

I don’t want to be the glue that holds your pieces together

I don’t want to be your idol

See this pedestal is high and I’m afraid of heights

I don’t want to be lived through

A vicarious occasion

Please open the window

I don’t want to live on someday when my motto is last week

I don’t want to be responsible for your fractured heart

and its wounded beat

I don’t want to be your substitute for the smoke you’ve beeninhaling

What do you thank me for

E o mais interessante tanto da Alanis quanto da Madonna é que ambas foram vistas de formas estereotipadas, a biscate, a revoltadinha, a mal amada, a mulher pistoleira. Afinal, falar de liberdade, falar de sexualidade é ser uma mulher com esses “defeitos”, é odiar homens e todos os comentários que estamos muito acostumadas a ouvir tantas e tantas vezes por dia que já até conhecemos todos de cor.

Para finalizar o post, vou deixar vocês com as duas músicas que eu adoraria que colocassem pra tocar na minha festinha de 27 anos: Crazy (regravação que Alanis fez da música do Seal) e Jump (clipe da Madonna que tem várias cenas de parkour). E espero que tod@s @s leitor@s aproveitem a festa e obrigada pela presença nesse dia tão especial!