Crianças, adolescentes e o preconceito

Conviver com crianças e adolescentes é sempre um desafio, a militância é ferrenha, real. Quando comecei a conviver com meus/minhas alun@s, descobri como a rotina pode transformar um/uma jovem. As vezes, uma criança que tem uma família extremamente preconceituosa pode ser o fator transformador de uma família, sem que haja uma simples militância de professores. Apenas com a convivência e com o exemplo visto em sua rotina escolar.

Conversando com colegas de trabalho, chegamos a conclusão que a convivência em grupo e com orientação de educadores com pessoas homo, bi e/ou transexuais faz com que uma criança que pode crescer e virar uma pessoa homofóbica, não crie esse tipo de preconceito em sua vida adulta. Parece estranho pensar que a convivência em ambiente escolar possa passar por cima da convivência familiar.

Foto de Michael, Nancy no perfil State Library and Archives of Florida do Flickr, sem restrições de direitos autorais.

Ao conviver com crianças que falam algumas máximas do senso comum machista, noto que essas crianças nunca falam afirmando, elas perguntam se estão corretas, nesse momento temos a oportunidade de modificar essas máximas. Dessa forma podemos modificar a visão de preconceito em relação a homo, bi, transexuais, negr@s, indígenas e outras pessoas que se diferenciam do que é visto como o “comum” (como essa denominação me irrita…). Essa dúvida é inerente da curiosidade da criança, é um cérebro a todo vapor, sempre desejando novas informações, mesmo que contrariem as informações já absorvidas anteriormente. Crianças gostam de perguntar, questionar adult@s e até nos pregar peças quando nos vemos em dúvida sobre suas perguntas. Jovens e crianças adoram desafios, se você mostra que ensinar tolerância em casa é um desafio, eles farão com o maior prazer.

Posso parecer muito otimista na juventude de hoje, mas como não ser? El@s gravam nossas conversas sérias em suas mentes e depois ajudam a passar adiante para @s mais nov@s. Alguns são mais resistentes, mas acabam abrindo a guarda com o tempo. Você sente como é possível, ao conversar, mostrar a el@s uma outra forma de viver a vida, além da que el@s conhecem, onde a tolerância e o amor são carro chefe. E, além de ensiná-las, eu também aprendo com minhas crianças como ser mais flexível, amável, carinhosa e a demonstrar minha opinião sem muito nervosismo. Impor não adianta, conversar e amar funciona de verdade!

Minhas oficinas não são apenas pra ensinar artes, elas são socioeducativas. Eu fui contratada para passar informações artísticas e, com essas informações, educar jovens de forma a construir adult@s mais tolerantes, just@s e que respeitem a diversidade.

Sei que faço a minha parte quando vejo um menino ficar feliz por poder brincar de casinha, quando uma menina se sente no direito de jogar futebol ou quando, simplesmente, um menino que sofre bullying por causa de sua orelha, recebe um pedido de desculpas sincero d@s alun@s causadores do bullying. Passei a ter fé na humanidade depois que comecei a trabalhar com crianças. Sei que tem muito a se fazer, mas se eu mudar pelo menos um/uma alun@ meu/minha, ess@ alun@ poderá mudar uma pessoa de sua família e assim por diante. Criaremos uma reação em cadeia, como a do filme “A Corrente do Bem”.