Mas o que feminismo tem a ver com isso?

Tal como post de ontem, este também tem por tema as manifestações que começaram por conta do aumento das tarifas no transporte coletivo. E há quem possa pensar que estamos solidárias apenas porque o exercício democrático da manifestação é importante, mas que esta pauta não nos atinge diretamente. Ledo engano.

As mulheres enfrentam assédios constantes nos transportes coletivos, a ponto de terem sido criados vagões especiais para elas. Uma medida que atenua o problema, mas não questiona os dois principais facilitadores dessa violência, as superlotação do transporte público que obriga as pessoas a viajarem em condições indignas e o machismo estrutural.

Muitas mulheres que vivem a situação de serem as únicas responsáveis pelos seus filhos, tem dificuldades para conciliar os horários de trabalho e creche/ berçário, já que por vezes gastam mais de uma hora neste percurso. As habitantes das periferias dos grandes centros urbanos, que concentram grande parte da população mas não as melhores ofertas de emprego acabam segregadas do mercado de trabalho formal. Mesmo aquelas de condições menos vulneráveis, que usam o transporte privado, não estão imunes a essas questões.  Além disso, sendo as mulheres ainda as principais responsáveis pelas tarefas domésticas, as dificuldades de locomoção, estressantes para todas pessoas, tornam a vida de quem encara dupla jornada ainda mais sacrificada.

Por fim, cabe dizer que as manifestações em Brasília e no Rio também é para protestar contra a política de despejo promovida para a construção de estrutura para realização dos grandes eventos esportivos dos próximos anos. Quando uma comunidade inteira é despejada as pessoas perdem não só a moradia, mas se vêem privadas de sua rede de apoio que lhe permite realizar suas atividade cotidianas. Assim, as mulheres que, pela falta de creches, confiam em alguém de sua comunidade, parente ou não, para cuidar de seu filho enquanto trabalham ou para ajudar com um idoso doente, vêem-se de repente não só desabrigadas, mas desassistidas. Realocações forçadas muitas vezes ignoram a necessidade social de manter uma comunidade reunida.

As mulheres são grandes prejudicadas pelas políticas urbanas que nos privam do nosso direito à cidade. E sim, sofremos de maneira geral, como todos os habitantes, mas também de maneira específica, por conta dos papéis desempenhados por muitas de nós. Então essa luta é feminista também, e te convocamos pra lutar conosco.

Em São Paulo haverá concentração de militantes feministas às 16hrs na FNAC da Pedroso. Para mães e pais que não tem com quem deixar x filhx, está sendo organizada uma creche para as crianças. Interessados entrar em contato com FemMaterna.

Divulgação do FemMaterna no Facebook.
Divulgação do FemMaterna no Facebook.

 

Segue o link com as manifestações que acontecerão no mundo inteiro: https://www.facebook.com/events/138080783058718/