Viajar sozinha? Que tal?

Texto de Nathalia Marques para as Blogueiras Feministas.

Uma pesquisa realizada pelo site TripAdvisor apontou que apenas uma em cada quatro brasileiras viaja sozinha. Quando problematizamos esse número sabemos que muitos fatores influenciam no resultado. Pode ser que seja financeiro, já que ganhamos menos então viajar se torna algo mais difícil. Somos culturalmente ensinadas a ser dependentes. Além das inseguranças nos destinos gerados pelo machismo.

Desta forma, para uma mulher viajar sozinha diversas barreiras precisam ser quebradas. Acredito, e isso não é uma imposição apenas uma opinião, que viajar sozinha seja uma situação que todas as pessoas deveriam experimentar — especialmente as mulheres.

Mulher na praia do Arpoador, Rio de Janeiro. Foto de Estefan Radovicz/Agência O Dia/Estadão Conteúdo.
Mulher na praia do Arpoador, Rio de Janeiro. Foto de Estefan Radovicz/Agência O Dia/Estadão Conteúdo.

Ao decidir arrumar as malas e cair na estrada sozinha, a primeira sensação é de encontro comigo mesma. Recordo-me de quando fui à Argentina e pensei: agora sou eu comigo mesma, o que eu vou querer fazer? Foi a primeira vez que viajei sozinha e foi bem difícil tomar esta decisão, pois todos eram contra. Minha família ficou assustadíssima, pois tinham medo que algo de ruim acontecesse comigo.

No entanto, andar pelas ruas de Córdoba, sem ninguém para me dizer o que eu devia ou não fazer, foi uma das coisas mais incríveis que aconteceu na minha vida. Para os homens argentinos, eu era louca — e um chegou até a dizer isso na minha cara. Uma mulher viajando sozinha não é algo comum para as pessoas.

Ao viajar sozinha o machismo acaba sendo mais uma preocupação e é importante que isso não nos amedronte. O espaço também é nosso, seja onde for temos o direito de ir e vir. Há precauções a serem tomadas para nossa segurança, mas precisamos lutar para que o machismo não imobilize as mulheres em suas viagens.

Infelizmente sei que viajar é algo que não está ao alcance de todas as mulheres financeiramente e não quero cagar regra elitista nesse texto, mas dentro dessa proposta que trago é possível viajar sozinha pela nossa própria cidade. Conhecer lugares antes desconhecidos. Há também opções bacana como a rede Worldpackers que oferece a oportunidade de viajantes conhecerem diversos lugares onde você pode trocar seu trabalho (recepção, fotografia, aulas) por hospedagem. Além disso, há no Facebook um grupo chamado Feministas Mochileiras que compartilham diversas dicas para quem quer cair na estrada.

Sei que temos que lidar com diversos problemas antes de fazer algo como viajar sozinha, mas não deixe que os problemas influenciem na sua escolha. Para mim, viajar sozinha é um incrível processo de autoconhecimento. Fiz várias coisas que queria sem a opinião de ninguém. Além disso, pude mergulhar e conhecer outras culturas, pois tinha mais contato com as pessoas locais e isso foi bem enriquecedor. Ganhe o mundo, só não ganhe se isso realmente não lhe interessa.

Autora

Nathalia Marques é estudante de jornalismo, feminista e blogueira. Escreve no M pelo Mundo.