Esse mês, estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas feministas e incentivar maior participação das mulheres na política.
Laiz Perrut é candidata a vereadora pelo PT na cidade de Juiz de Fora/MG.
Coligação: PT/PROS. Página no Facebook: Laiz Perrut.
1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?
Sou Historiadora e estou concluindo o mestrado na UFJF. Atuante nas causas feminista e de juventude, iniciei no Movimento Estudantil como coordenadora geral do Centro Acadêmico de História da UFJF e depois como coordenadora geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE UFJF). Fui também conselheira do Conselho Municipal de Juventude, espaço em que contribuí para elaboração do Plano Municipal da Juventude, finalizado e entregue à prefeitura esse ano.
Por entender que para construir um mundo mais justo e igualitário é preciso que as mulheres tenham seus direitos respeitados, ampliados e sejam sujeitas ativas do processo político, me integrei ao Coletivo Maria Maria Mulheres em Movimento, núcleo da Marcha Mundial das Mulheres em Juiz de Fora. Atuamos ativamente pela aprovação do Plano Municipal dos direitos das mulheres, que infelizmente foi rejeitado pela atual câmara municipal; na construção de ações e manifestações pelo fim da violência contra as Mulheres e mais recentemente contra o projeto de lei “Escola sem Partido”, que impossibilitaria uma educação inclusiva e livre de preconceitos.
Qual é dessa candidatura?
Mais de 54% do eleitorado juizforano é composto por mulheres. Entretanto, das 19 cadeiras da Câmara Municipal, apenas uma é ocupada por mulher e nenhuma é ocupada por jovens. Na verdade, não temos nenhum jovem ocupando os espaços elegíveis da política de nossa cidade.
Juiz de Fora vive em estado de abandono. Não temos políticas sociais que de fato melhorem a condição de vida da população, principalmente relacionadas aos grupos historicamente excluídos do direito de viver a cidade, como mulheres, jovens, negras e negros e LGBTTIs. Não temos políticas públicas para evitar que todos os dias as manchetes dos jornais sejam as mortes dos jovens das periferias, os estupros e os casos de violência contra as mulheres, sejam elas crianças, jovens ou adultas. Não temos políticas públicas eficientes de mobilidade urbana, de incentivo a cultura, de segurança e de educação.
Nossa candidatura vem em consonância com a de Margarida Salomão à prefeitura, tendo em vista sua experiência e seus esforços na defesa e na luta cotidiana para transformar Juiz de Fora em uma cidade mais humana, tolerante, que respeite as diferenças e seja compartilhada por todas e todos nós. Estamos juntas na luta em defesa da democracia e da garantia dos direitos sociais e trabalhistas, o que se torna ainda mais importante no momento político que nosso país está passando.
Assim, estamos encarando o grande desafio de construirmos em conjunto essa candidatura a Vereadora para que lutemos diariamente pelo direito à cidade e em defesa das mulheres, dos jovens, dos negros e das negras e da comunidade LGBTTI. Um desafio para que batalhemos todos os dias para que os movimentos e coletivos tenham cada vez mais espaço na construção das políticas de nossa cidade. Assim poderemos construir a Juiz de Fora de todas e todos nós!
2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?
Considero que muitos são os problemas enfrentados por nós, em Juiz de Fora não é diferente do restante do Brasil, sofremos com a falta de políticas públicas voltadas especificamente para as mulheres. Não temos campanhas educativas, não ensinamos gênero nas escolas, não temos mecanismos adequados para receber as denúncias e depois não tem agilidade para correr o processo e nem abrigo para que essas mulheres não tenham que voltar para o espaço de violência.
Pensamos que outro grande problema é a questão do emprego, os homens ganham cerca de 30% a mais que as mulheres e ainda são empregados em trabalhos que remuneram melhor do que as áreas que são tradicionalmente ocupadas por nós.
Por fim, a questão da cultura do estupro e da violência doméstica é muito importante de ser debatida e que pensemos políticas que ajudem a acabar com essa situação alarmante. Em Juiz de Fora todos os dias amanhecemos com tristes manchetes de jornais em que mostram que nossas mulheres estão sendo recorrentemente violentadas. Só no mês de Julho de 2016, três adolescentes foram vítimas de estupros coletivos. Enfim, muitos são os problemas que precisamos enfrentar sem temer.
3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?
Nossa atividade será muito voltada para as temáticas feministas, visto que é o que acreditamos que mudará o mundo e a vida das mulheres. Com isso as principais propostas são:
• Conquistar a aprovação imediata do Plano Municipal de Direitos das Mulheres na Câmara, que o rejeitou no ano passado. Esse plano institui políticas fundamentais para o combate à violência contra a mulher e para a garantia de mais direitos de todas nós.
• Buscar a regionalização da Casa da Mulher por toda a cidade, garantindo seu funcionamento 24 horas por dia, todos os dias da semana. Nesse espaço, os serviços de denúncia e atendimento psicológico referentes à violência contra a mulher são integrados e tendo seu funcionamento ampliado, contribuirá muito para a prevenção a esses crimes.
• Determinar a reabertura da Casa Abrigo Viva Mulher, um espaço para que as mulheres vítimas de violência doméstica sejam acolhidas e protegidas de seus agressores, em um lugar secreto e seguro, garantindo seu efetivo funcionamento.
4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?
Ser mulher no sistema político atual já é bastante difícil, ser mulher e jovem mais ainda, e ser mulher, jovem e levantar a bandeira feminista é ainda mais complicado. Muitas pessoas veem o termo “feminista” com uma carga negativa, cheio de estigmas, muito preconceito vem embutido, de que queremos acabar com a família e de que queremos ser “mais” do que os homens. Tudo isso é muito difícil de ser enfrentado. Mas nossa campanha vem com muita força, conversando com muitas pessoas e mostrando o quanto é importante ter uma feminista no legislativo municipal e assim, não temos tido muita rejeição, pelo contrário.