#BlogFem entrevista candidatas feministas: Luisa Stern

Esse mês, estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas feministas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Luisa Stern é candidata a vereadora pelo PT  na cidade de Porto Alegre/RS.

Coligação: Partido Isolado (PT). Página no Facebook: Luisa Stern 13700.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Sou mulher transexual, advogada, transfeminista, militante dos Direitos Humanos e Direitos LGBT. Neste ano de 2016, participei das Conferências Nacionais Conjuntas LGBT e de Direitos Humanos e também da Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, como Delegada eleita pela sociedade civil.

Também atuo como advogada voluntária no movimento social de travestis e transexuais e no serviço de assessoria jurídica universitária, com enfoque em casos de violência doméstica, discriminação contra pessoas LGBT e retificação do registro civil de travestis e transexuais.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

O principal problema enfrentado pelas mulheres é a crescente onda de conservadorismo, com a criação de um falso debate nas casas legislativas sobre uma suposta “ideologia de gênero” e o aumento assustador nos casos de violência doméstica, feminicídios e transfeminicídios.

O Brasil é o país que mais mata pessoas LGBT no mundo, com grande ênfase nos assassinatos de mulheres travestis e transexuais, e várias outras situações de violência, como os estupros corretivos de mulheres lésbicas e homens transexuais.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Vou abordar o feminismo interseccional, da maneira mais ampla possível, abrangendo os recortes de classe, raça, orientação sexual, identidade de gênero, liberdade e respeito á diversidade religiosa e ao estado laico.

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

As dificuldades são enormes para todas as mulheres, pois o sistema político é construído de forma a beneficiar os homens brancos, ricos, cisgêneros e heterossexuais. Se já é difícil para um feminista cisgênera, para uma mulher transexual e transfeminista, as dificuldades são ainda maiores, pois além de tudo, ainda temos que enfrentar alguns preconceitos e “fogo amigo” vindo de setores do feminismo que não aceitam como mulheres.

Para lutar contra isso, eu costumo citar uma frase da Butler, proferida em um discurso na época do Occupy Wall Street, quando ela disse que: “SE A ESPERANÇA É UMA DEMANDA IMPOSSÍVEL, ENTÃO NÓS DEMANDAMOS O IMPOSSÍVEL!”