#BlogFem entrevista candidatas feministas: Ticiana Alvares

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Ticiana Alvares é candidata a vereadora pelo PCdoB na cidade de Porto Alegre/RS.

Coligação: PCdoB Partido Isolado. Página no Facebook: Titi Alvares

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Comecei a militar no movimento estudantil com 16 anos ainda no movimento secundarista. Nossa principal bandeira na época era por cotas nas universidades federais para estudantes de escola pública. Me filiei a UJS, fui vice-presidenta da UNE, presidenta da UJS RS e da sua direção nacional. Me considero feminista desde a adolescência.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

Classificaria os problemas das mulheres em 3 eixos: da cultura do machismo como um todo, que diminui as mulheres e faz com que tenhamos salários mais baixos, sofrermos violência, etc; da questão de classe mesmo, porque as mulheres de periferia e negras, por exemplo sofrem as questões de gênero e de classe com maior intensidade; e a questão da maternidade que socialmente ainda é considerada uma responsabilidade apenas da mulher e isso faz com que sejam as mulheres a abandonarem os estudos, o trabalho, muitas vezes por não haver vagas em creches, por exemplo.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Meu foco será nas políticas públicas que o município pode fazer para dar respostas a alguns problemas das mulheres, especialmente: creches em horários estendido, saúde da mulher e a segurança, através de alteração nos horários dos ônibus, iluminação pública e aplicativo para denúncia em caso da mulher se sentir ameaçada

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

Dificuldades: a sociedade vota mais em homens, isso em si já é uma dificuldade; os partidos têm suas direções majoritariamente composta por homens, o que dificulta a aposta em candidaturas de mulheres. A influência do poder econômico é outro entrave, já que é outro ambiente masculino.