Leia conosco! Livro de poesia do mês

Este é meu primeiro post aqui. Difícil colaborar com um grupo tão cheio de gentes, tão heterogêneo. Criatura curiosa que soy, perco-me entre os temas, tudo tão interessante. Demorei a retornar ao essencial, ao que efetivamente me constitui por tantos dias e noites insones. Esse meu vício. Daí que descobri que a colaboração possível às Blogueiras Feministas era tratar do meu óbvio: de literatura.

Entre tantas ideias que pipocaram durante o Encontro Nacional, surgiu então que elegeríamos o livro do mês. Uma leitura conjunta, compartilhada. Depois que fosse um livro de poesia, esse gênero mal-tratado pelas livrarias e grandes editoras. Digitando e tecendo, chegamos à conclusão do seguinte calendário:.

 NOVEMBRO: Poema de recordação e outros Movimentos

Conceição Evaristo | Editora: Nandyala, 2008

A Conceição Evaristo é mineira, tem 65 anos e uma autobiografia sua pode ser lida aqui (emocionante).

Há uma urgência de coração por ler a Conceição Evaristo! Falamos tanto de enegrecer as Blogueiras Feministas, da importância de escutar o lado menos ouvido das várias Histórias… nada vem melhor a calhar do que começar a leitura do “livro do mês” assim. E ainda tiramos a sorte grande, pois a Bárbara Araújo, historiadora, faz pesquisa a respeito desta autora e pode nos ajudar bastante.

Este livro pode ser adquirido em livrarias especializadas, como a Kitabu no Rio de Janeiro (outras aqui). Veja que já enfrentamos o problema: o que se vende então nas grandes livrarias, quando o livro que eu quero é sempre inacessível?.

DEZEMBRO: Pequenos Afazeres Domésticos

Lilian Aquino | Editora: Patuá, 2011

Este é o livro de estréia da escritora Lilian Aquino, paulistana, 31 anos, cujos poemas já rodaram muitas revistas literárias com rasgados elogios (a fofoca é que o editor praticamente fundou a editora para publicar este livro). Achei que a obra dialoga com algumas das questões que sempre tratamos aqui. A contribuição poética é tratar do universo doméstico, da vida urbana, das decisões femininas com aquela doçura dura, tão difícil de ser inscrita em outros lugares. De minha parte, acho um livraço. Depois discorreremos com mais calma. .

Agora… pergunta: e estes livros são feministas? Não sei, dificilmente. Arte quando é arte engloba o mundo. Traz questões do passado, presente e futuro. O que poderia dizer é que são poemas escritos por mulheres e que trazem um outro lugar, cada uma por meio de uma forma diferente. E ler poesia é emocionar-se. É encontrar outras formas de enxergar o mesmo mundo. Nada mais adequado a um grupo feminista, verdad? Fica aqui um convite.

*Imagem de destaque: Viva la poesia. Foto de Jorge Mejía no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Autor: Ana Rüsche

escritora, são paulo, 33 anos.

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