Mulheres, Feminismo e Rock and Roll

Texto de Claudia Gavenas.

Hoje falarei sobre um assunto que, particularmente, adoro: o bom e velho rock’n’roll e as mulheres que fizeram, fazem ou ainda farão parte de sua história.

Sempre que procuro por textos ou releases que falem sobre bandas femininas, ou mulheres que estão à frente de grupos em que os demais integrantes são homens, o enfoque maior sempre é dado para a beleza ou para o visual das artistas. Dificilmente falam da qualidade de suas músicas e trabalho.  Isso demonstra que mesmo depois de muitos anos, ainda há muito machismo enraizado nesse meio. Por essa razão, segue um breve histórico de algumas das mais influentes roqueiras de todos os tempos e a menção de algumas bandas novas, excelentes, que estão surgindo e evidenciando a sua importância para a música. E, é claro, para as mulheres.

Da esquerda para direita: Janis Joplin, Joan Jett e Chrissie Hynde.

Janis Joplin: Janis Lyn Joplin (1943-1970) foi, sem dúvidas, uma das personalidades mais marcantes da história do blues e do rock. Com sua voz única e seu estilo de vida “rebelde”, o auge de sua carreira aconteceu na década de 60, coincidentemente (ou não) com o auge do movimento feminista, sobretudo nos EUA. Janis foi ícone de toda uma geração que buscou mudar muitos paradigmas e que valorizou muito a liberdade.

Joan Jett: numa lista com apenas duas mulheres, Joan foi eleita a 87ª melhor guitarrista de todos os tempos. Esta é uma conquista e tanto para uma musicista que teve seu trabalho rejeitado por nada menos que 23 gravadoras. Em virtude disso, Joan criou o seu próprio selo, o Blackheart Records, tornando-se a primeira mulher a engajar-se nesse tipo de projeto.  Joan não foi pioneira só nisso. Ao lado da baterista Sandy West, fundou em 1975 o The Runaways: primeira banda só de mulheres a alcançar fama internacional.  Com o fim do The Runaways em 1979, Joan retomou sua carreira com uma nova empreitada:  Joan Jett and The Blackhearts e está na ativa até hoje.

Chrissie Hynde ( Pretenders) : a vocalista fundou o The Pretenders no ano de 1978 com os músicos ingleses James Honeyman-Scott, Pete Farndon e Martin Chambers e ao longo da carreira enfrentou muitos desentendimentos e percalços no grupo.  Mas Chrissie conseguiu manter a liderança na banda e conquistou o respeito da crítica. Ela foi inspiradora  – e continua sendo – de toda uma geração de cantoras.

Susan Ballion (Siouxsie Sioux):  Siouxsie começou a cantar ainda adolescente em bares e boates de Londres.  Chamava a atenção com seu visual chocante e suas atitudes pouco convencionais, chegando a ser modelo da famosa estilista pós-punk Vivienne Westwood. Fez muito sucesso na década de 80, consagrando-se com o Siouxsie and the Banshees como uma das percursoras do gothic rock, além de ter outro projeto  menos conhecido, o The Creatures.  O Siouxsie and the Banshees encerrou oficialmente as suas atividades em 1996, mas Susan continua a se apresentar com o The Creatures esporadicamente.

Doro Pesch (Warlock): Doro foi uma das poucas vocalistas de heavy metal da década de 80, liderando a banda Warlock. Após a ida e vinda de integrantes e de ela ter sido a única que restou da formação original, seguiu em carreira solo e continua na ativa. Inspirou boa parte das bandas femininas da cena do metal atual.

Bikini Kill: Esta banda foi sem dúvidas, uma das mais feministas de todos os tempos. A idéia inicial de Kathleen Hanna, Tobi Vail e Kathi Wilcox era de lançar um fanzine, chamado Bikini Kill. Mas para movimentar e trazer mais visibilidade a ele, fundaram também a banda. Seus shows eram marcados pelas performances e atitudes contestadoras que visavam promover o respeito e a liberdade. O público feminino que ia aos shows era chamado para ficar próximo ao palco e recebiam os zines. Tanto que a banda é considerada a percursora do estilo “riot girrrl”,  cujo as músicas chamam a atenção para questões de igualdade e de reflexão contra o machismo.

Bem, essas são apenas algumas das mulheres que foram essenciais  para fazer do rock um estilo musical tão envolvente, tão forte e tão único. E são provas de que toda e qualquer mulher  pode ser o que quiser ser.

E vocês? Quais outras bandas femininas ou lideradas por mulheres vocês conhecem e curtem?

Autora

Clauda Gavenas é paulistana. Sem crenças ou time do coração. Designer, servidora pública, blogueira e eterna curiosa. Feminista. Amo gatos, música e livros. É isso.