Pedido a Santo Antônio – Dia dos Namorados

Texto de Nessa Guedes.

Querido Santo Antônio,

Imagem de Maxlevay no Flickr.

Muita gente vai botar o senhor de cabeça para baixo esse fim de semana para arranjar um namorado ou namorada. Tenho pena do senhor por isso, é muita crueldade para um cara só. Eu não vou fazer isso com você, ok? Mas quero lhe pedir ajuda para alcançar outras graças.

Assumindo o status de solteira da turma há um bom tempinho, vira e mexe algum dos meus amigos conta sobre os perrengues do seu namoro, como forma de desabafar com uma pessoa de fora. Às vezes me apresentam amigos de outras turmas, para tentar “dar um empurrãozinho”. Outras vezes me perguntam se feminista namora. Vez ou outra eu mesma reclamo da solteirice. Mas o fato é que namoro não é algo que devemos planejar, ele tem que acontecer. Acredito que quando alguém pronuncia que está afim de namorar, sem especificar se está apaixonado por alguém e sim pelo simples fato de namorar… corram porque é uma cilada, Bino!

Então, Santo Tônho – posso chamar assim, né? – queria pedir para o senhor iluminar as pessoas para que elas percebam essa pequena nuance, e sejam mais felizes nos próximos relacionamentos. O senhor deve saber melhor do que eu que uma pá de gente começa a namorar para suprir carências próprias, para buscar a felicidade, enquanto que seria super bacana se todos soubessem ser felizes e resolvidos sozinhos antes de procurar alguém para dividir as tristezas e alegrias.

Você sabe que também há ainda quem fique reclamando para os amigos sobre a namorada ou namorado. Pura falta de noção, né? Quando alguém começa a fazer isso, ou quando alguma pessoa diz que fulano está se anulando em função do namoro, eu sempre lembro-os que fulano está fazendo aquilo porque quer. Ninguém obriga uma pessoa a estar numa relação. Se está ruim, senta e conversa. Se não rola entrar num acordo, o modo mais prático de acabar o sofrimento é dar fim a relação. Eu sei que é fácil falar, difícil é fazer. Mas acho que não deve ser tão difícil assim se desfazer de algo que não é bom para você. Ainda tem aqueles que as pessoas comentam que estão numa relação baseados em interesse, blablablá. É válido. Relacionamentos são trocas de interesses, não importa qual é o interesse para quem está de fora. Não importa se é o sexo que é muito bom, se é a situação financeira de uma das partes do casal, se é o conforto que um provê para o outro. Não importa. Se duas pessoas, maiores de idade, estão de acordo em estarem numa relação estável, chamada de namoro, o problema é deles – se algo na relação deles incomoda alguém de fora, justo seria conversar, mas não ficar metendo o bedelho no namoro alheio pelas costas. Rola jogar o milagre do se-manca! nas pessoas?

Tônhão – é pecado chamar santo pelo nome? -, outra coisa que eu queria pedir é tolerância. Gostaria que os amigos e amigas homossexuais pudessem ter a liberdade que eu tenho de beijar a pessoa que quiserem na rua, no bar, na calçada. Que eles possam andar seguros por aí. Por favor, interceda para que o mundo respeite o próximo. Talvez isso traga mais benefícios do que fazer fulaninha arranjar um marido rico, né? Se bem que, estando de cabeça para baixo, é bem capaz do senhor ceder à chantagem do que atender meu pedido. Infelizmente. Mas fica aí minha prece.

E para mim? Bom, eu queria lher pedir que, se um dia eu namorar algué, que seja um namoro feminista. O que seria isso? Acho bom explicar antes, vai que o senhor acha que feminismo é quando as mulheres querem ser melhor do que os homens, né? Então, não é isso, não. Acredito que se as pessoas fossem mais feministas, os namoros seriam mais saudáveis e não uma competição para ver que detém o poder, ou quem é mais amado (paparicado?). Feminismo é sinônimo de igualdade entre os sexos, e não importa se a relação é homo ou hétero, existe igualdade entre as partes. É respeito mútuo. É liberdade sexual. Eu não vou colocar você de cabeça para baixo, Santo Antônio, mas ia ser muito bom se o senhor lembrasse dessa cortesia nos próximos anos, sabe?

Santo, eu também tenho um último pedido. Talvez esse seja o mais difícil, mas vamos lá. Queria continuar com a cabeça fresca, me apaixonando em cada esquina, não só por pessoas com quem eu queira ter um relacionamento, mas por idéias, por viagens, por livros, por filmes, por músicas, por animais. Que na minha vida continue rolando esse amor ás causas, para que eu ajude o senhor nessa tarefa dantesca que é fazer as pessoas se amarem mais.

Amém.

 *Obs: A autora deste texto não tem religião, tampouco vai a igreja, ou acredita em santos.

Não sou autoridade em relacionamentos, mas já namorei um pouquinho nessa vida – e já li muitos blogs sobre relacionamento, hehe – e às vezes lanço umas idéias, e as pessoas acham que eu estou brincando.