Dia da Mulher 2012

Aconteceram atos, passeatas, caminhadas e muitas pessoas escreveram sobre a data em blogs e no facebook. Trazemos aqui um apanhado de textos publicamos em 8 de março de 2012, celebrando, criticando e protagonizando o Dia Internacional da Mulher.

Mulheres em caminhada no Dia da Mulher em Irecê na Bahia. Foto de Waldson Alves/Prefeitura de Irecê-BA

Acho graça quando uma mocinha esperta vem me dizer que é “feminina” e não feminista, pois feministas querem a superioridade das mulheres sobres os homens; Engraçado por que o feminismo é uma das poucas bandeiras sociais que qualquer um mete o bocão pra dar pitaco sem ter lido uma linha de teoria. Pq se lido tivesse não falaria uma bobagem dessas. O feminismo, a grosso modo nada mais é do que a idéia RADICAL e INOVADORA de que mulheres também são SERES HUMANOS e assim devem ser tratadas. Ou seja, que não é por que você é mulher que deve ganhar menos fazendo o mesmo trabalho, não é por que você é mulher que deve ser avaliada apenas pelas sua aparência ou pela altura da sua saia, não é por que você é mulher que deve aceitar na boa cantadas caminhoneiras na rua, não é por que você é mulher que deve achar bom que a Igreja e o Estado deliberem sobre o seu corpo, não é por que você é mulher que deve ser obrigatoriamente mãe ou esposa. Como qualquer SER HUMANO, uma mulher pode ser, e deve ser e deve ter liberdade para ser quem quiser ser. Então a cada vez que uma uma menina tem o seu clitóris extipardo na África para que sem prazer sexual ela não traia o marido, cada vez que uma mulher brasileira é espancada pelo marido e recebida com gracinhas na delegacia, cada vez que uma garota americana quer entrar na faca sem necessidade para “consertar” os peitos e o nariz antes de uma festa de 15 anos, pense BEM se a situação das mulheres está em pé de igualdade com a situação dos homens no mundo e se ser só “feminina” é o bastante para que injustiças como essas parem de acontecer só para quem teve esse imenso “azar” de nascer com uma vagina. Por Renata Correa no Facebook.

Com todo respeito a quem pensa diferente, 8 de março pra mim não é dia de parabéns, flores ou presentinhos. Pra mim é dia de luta! Porque cada vez que escuto que mulheres devem ser louvadas porque são mães, me pergunto se as que não querem ser mães merecem menos respeito. Cada vez que vejo marmanjo dizendo que é porque cuidamos da família e enfeitamos o mundo, me pergunto o que ele pensa de quem não agrada seus olhos e nem quer uma família pra cuidar. E principalmente, o que pensa a sociedade das mulheres que escolheram se relacionar com outras mulheres e não cumprem o script do que se espera dela. Respeito é pra todo mundo. Todo dia! Por Iara Paiva no Facebook.

Quero falar especialmente sobre o momento de luta em que vivemos. Por meio do grupo das Blogueiras Feministas diariamente disputamos espaços na internet. Construímos por meio de diferentes vozes, maneiras de pensar o feminismo. Portanto, o Dia da Mulher para mim tem um caráter de conquista e continuidade. É tempo de celebrar, mas também é hora de visualizar nossos desafios. Hoje, sou eternamente grata por todas as mulheres que contribuíram para que eu possa ter um blog. Pela liberdade que tenho de escrever na internet. Por Srta. Bia em Troque sua rosa por um mundo com mais igualdade.

A revolução das mulheres não tem mais volta. Ela penetrou tão profundamente na sociedade que não é mais possível nos dizer para, por exemplo, ficarmos trancadas casa. Ou não nos sentarmos sozinhas em uma mesa de bar. Ou nos casarmos virgens. Ou nos calarmos diante do estupro e de espancamentos. Ou abdicarmos de nossa independência financeira. Não, não é possível retroceder. Por Maíra Kubik em Mulheres, sejam feministas!

Parabéns pelo seu dia, mulher. Parabéns a você que é feminina, delicada e nos encanta com sua beleza. Parabéns a você que não é feminista, masculinizada ou vulgar. Parabéns a você que não fala palavrão, porque sabe que isso não é de bom tom para uma mulher. A você que não deixa de fazer a unha, passar batom e fazer escova, mesmo que trabalhe em serviços masculinos em que isso seja totalmente dispensável, porque você sabe, a gente precisa ter certeza que você ainda é mulher. Por Aline Valek em O dia (a dia) da Mulher.

Eu não sei é a mulher. Nem o que elas querem. Nem Freud, que foi o cara mais arretado que eu já li, tirou da cara o espanto. Devagarzinho, chegou-se a: mulher não é um coletivo indiscriminado a que se pode creditar um conjunto de pressupostos que expliquem sua existência ou desejo. Uma a Uma, disse Lacan, outro desses invocados psicanalistas. E nunca o ser, mas o querer único, o desejo individual, que qualifica o existir. Querer inscrito na cultura, mas dela interrogação. Querer fazer-se linguagem, mas não só. Indicação de finitude. Convocação. Não se nasce mulher, torna-se, soberba Simone, na mais simples enunciação, na mais complexa proposição. Uma a Uma. Essa uma. Por Luciana em Metáfora Perfeita.

Sei que muitos não compreendem a essência do feminismo. Homens e mulheres, criados na cultura do patriarcado, vêem essa “subversiva” visão como um ataque à ordem das coisas. O machismo nos ensinou, durante anos, que o feminismo nada mais é do que um machismo ao avesso. Uma masculinização da mulher. Nada mais sem sentido. Porém, tristemente vejo mulheres negando sua essência, ao afirmarem, temerosas: “sou feminina, não feminista”. Por Adriana Torres em Meu desejo no dia internacional da Mulher.

Hoje, dia 8 de março, é o dia internacional da mulher e o que vemos por aí é uma enxurrada de mensagens com fotos de flores e bobagens, algumas até bem ofensivas como uma da Band. Mas o 8 de março não é dia de dar presentinhos as mulheres, mas representa um marco na nossa luta, pois lutamos pela igualdade e em defesa dos direitos da mulher. Por Clara Guimarães em 8 de março é de dia luta, mas a luta é de todos nós!

Durante muito tempo as políticas de Estado para mulheres foram definidas a partir da visão religiosa de mundo, especialmente a cristã e, mais especificamente ainda, católica. Nessa perspectiva, as mulheres seriam inferiores e por causa disso deveriam se submeter eternamente ao marido (o divórcio era proibido) ou pai, e não poderiam ter direitos políticos. Casamento e maternidade eram tratados como as únicas formas possíveis de vida feminina. O direito à educação só deveria existir para treinar mulheres para a maternidade e administração do lar, pois se considerava que o trabalho intelectual impediria a gravidez. Com isso, as mulheres foram relegadas ao analfabetismo ou a uma educação escolar rudimentar. As mulheres que não se encaixavam nesse modelo (lésbicas, prostitutas, mães solteiras, mulheres separadas do marido, etc) foram (e ainda são) perseguidas tanto pela religião quanto pelo Estado. Por Cynthia Semiramis em Os direitos das mulheres só existem quando o Estado é laico.

A comemoração do Dia Internacional da Mulher surgiu como uma forma de nos fazer recordar e jamais voltar a tolerar algumas das violências a que historicamente fomos submetidas. Enquanto os homens se mobilizavam para vivenciar a I Guerra Mundial, ficou a encabo das mulheres manter famílias formadas, basicamente, por idosos e crianças. Diante da urgência de alimentos e produção têxtil, a maioria dessas mulheres não podia se dar ao luxo de “procurar” por um ofício que oferecesse condições adequadas de salubridade e segurança. Eram obrigadas pela situação a aceitarem quaisquer ofertas, desde que elas pudessem garantir o futuro imediato da família que lhes restara. Por Talita R. da Silva em Dia Internacional da Mulher: um pouco sobre história, muito sobre lutas.