Enterre-a e ela germinará

O tema da redação do ENEM de 2015 foi sobre a “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”. Esse tema fez com que muitas mulheres que já tinham passado por alguma violência e/ou eram feministas pudessem falar sobre as diversas violências que sofreram/sofrem. A estudante Lígia Takau, de 17 anos, que mora no interior de SP, escreveu essa redação para o ENEM de 2015 e tirou nova 940. Ela nos enviou um email com a sua redação e deixou esse recado:

Muito obrigada por disseminar o feminismo, com ele aprendi muito, minha vida com certeza mudou! Hoje sei que as minhas atitudes são voltadas ao empoderamento!

E foi por causa de tanta paixão por essa luta que tive sucesso na redação do ENEM de 2015! Tive 940 na nota e gostaria de compartilhar a redação com vocês!

 

O controle sobre as decisões da vida de uma mulher nunca, na verdade, coube a ela. Fato reforçado pelo tardio direito ao voto a elas concebido e o rígido julgamento de qualquer atitude que tomem, mesmo que idêntica a de um homem. Essa terrível forma de conduzir uma sociedade levou a um persistente problema: a violência contra a mulher.

Há, no Brasil, enraizada a idéia de que cabe à sociedade, e na grande maioria das vezes aos homens, decidir se está correto ou não o comportamento de uma mulher. Ao julgarem baseiam-se em idéias machistas e misóginas, tornando praticamente impossível que uma mulher saia absolvida nesse hipócrita tribunal. Sendo assim, agem de acordo com tal pensamento: “por que não violentá-la? Assim ela aprende”. E a atitude de violentar uma mulher mostra o quão repressor, egocêntrico e incapaz de respeitar ou viver em sociedade um indivíduo é.

Foto retirada da página Grafites Feministas.
Foto retirada da página Grafites Feministas.

A partir de qualquer tipo de violência contra a mulher, é construída uma cultura que normaliza o feminicídio, o estupro, a sexualização do corpo feminino, a rivalidade entre mulheres, a desigualdade de gêneros, a falta de direitos e a imposição de um estilo de vida sem estudos nem progresso às mulheres. Tais conseqüências desumanizam não só o Brasil como o mundo e tornam o respeito e a paz sentimentos utópicos.

Torna-se evidente, portanto, que a violência contra a mulher só causa regresso e necessita ser erradicada. Para amenizar a situação é importante que todos os cidadãos compreendam que nada justifica violentar uma mulher e que as mulheres continuem na sua luta para desconstruir o rumo machista que a sociedade sempre seguiu. A tentativa de “enterrar” as mulheres é falha, pois elas são como sementes, ao serem enterradas, germinarão.

Autora

 Meu nome é Lígia Takau, tenho 17 anos e sou do interior de SP. Acredito num mundo onde haja igualdade de gêneros, mas sei que para conseguir isso existe luta (e muita)! A partir do momento em que me tornei feminista e entrei no movimento, minha vida mudou! Só tenho a agradecer a todo o empoderamento. Mulheres, juntas somos mais fortes!