#BlogFem entrevista candidatas feministas: Áurea Carolina

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Áurea Carolina é candidata a vereadora pelo PSOL na cidade de Belo Horizonte/MG.

Coligação: PSOL/PCB. Página do Facebook: Áurea Carolina.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

No inicio dos anos 2000 comecei a atuar no meio Hip Hop. Eu era cantora de rap e através do Hip Hop cheguei nas lutas das mulheres da juventude e da população negra. Tenho também uma formação acadêmica em Ciências Sociais e Ciências Politicas e busco conciliar minhas vivencias na militância com minha formação acadêmica.

Sou uma das fundadoras do Fórum da Juventude da grande Belo Horizonte que existe desde 2004. O Fórum é uma instituição da sociedade civil voltada a defesa dos direitos da Juventude e que promove ações educativas de comunicação e de mobilização de jovens. Atualmente ainda participo da movimentação ” Muitas pela cidade que queremos” que existe há um ano e meio e em Belo Horizonte e reúne pessoas, movimentos sociais e coletivos que atuam na cidade e tem o propósito de fortalecer as lutas desses grupos e de disputar o sistema político local.

Tive ainda uma experiencia na gestão pública durante 5 meses no ano passado fui Subsecretária da Área de Políticas Públicas para as Mulheres em Minas Gerais cargo do a qual pedi exoneração por não ter condições políticas técnicas e operacionais para trabalhar e avaliei que diante da linha dominante do governo eu não tinha condições de permanecer no cargo.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

Nós mulheres enfrentamos problemas históricos seríssimos de não reconhecimento da nossa plenitude como pessoas capazes que devem ser respeitadas e que devem estar em condição de igualdade com os homens e isso é refletido nas mais diversas áreas, na saúde, na educação, no mundo do trabalho, na política. Nós estamos subrepresentadas nos espaços de poder e nós em geral temos em condições de vida piores se comparado aos homens. Dentro desse grupo de mulheres há uma grande diversidade e também grande desigualdade e há as realidades específicas das mulheres negras, periféricas, jovens, indígenas e cada uma delas deve ser debatida e consideradas nas políticas públicas, minha candidatura a vereadora vem da compreensão de que é uma necessidade que mulheres como eu ocupem os espaços institucionais par defender os nossos direitos reconhecendo também que somos essa multiplicidade de sujeitas e que temos necessidades muitas vezes diferentes entre nós mesmas.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Minha plataforma está focada na transversalidade de gênero e raça em todas as políticas públicas. Seja em serviços de saúde, na educação ou nos serviços público de transporte urbano. Apoio a capacitação de agentes de saúde para lidar com a população tendo em perspectiva as diferenças que existem de acordo com com a orientação sexual, idade, origem socioeconômica, pertencimento étnico racial da população em geral e em particular das mulheres.

Também apoio a discussão séria sobre gênero e sexualidade dentro das escolas pois esse é um debate fundamental para a formação da cidadania dos estudantes. E mais diretamente eu defendo o fortalecimento da rede de enfrentamento contra violência machista. É preciso mais serviços de acolhida das mulheres e num modelo que seja construído junto com os movimentos sociais. Defendo a gestão compartilhada em Estado e Sociedade Civil. O Estado entrando com os recursos e gestão técnica operacional e e os movimentos construindo o uso político e a mobilização para que as mulheres acessem essa políticas.

Outra pauta que defendo é o aumento do número de creches públicas em tempo integral. A ampliação da oferta de vagas com qualidade para crianças de 0 a 5 anos. Hoje em Belo horizonte existe uma fila de espera e muitas famílias não conseguem vagas. E para além de ser um direto das crianças ao desenvolvimento integral o acesso a educação infantil é uma condição ao empoderamento e autonomia das mulheres no mundo do trabalho para que elas existam para além da condição da maternidade.

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

Nesse momento eu tenho recebido muito mais retornos positivos e de reconhecimento do que reações negativas por ser uma candidata feminista. Existe uma demanda gigantesca de que feministas estejam na politica institucional e por enquanto eu tenho sido amparada por aliadas até por que minha candidatura é pequena então não tem muita reverberação grande fora do circuito das lutas sociais. Então pode ser que em algum momento os fascistas me descubram e comecem a me atacar, mas isso não tem acontecido. Para além disso tem a dificuldade de ser mulher na política. Toda a renuncia, todo o investimento pessoal, anos de construção dessa caminhada para chegar ao ponto de me candidatar é ter que afirmar o tempo inteiro dentro de mim que essa uma tarefa, que é uma necessidade e que tenho condições de enfrentar o jogo que é muito machista e muito violento mas muitas irmãs estão ai comigo me ajudando nessa luta árdua.