#BlogFem entrevista candidatas feministas: Fernanda Camargo

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Fernanda Camargo é candidata a vereadora pelo PSOl na cidade de Curitiba/PR.

Coligação: PSOL/PCB. Página no Facebook: Fernanda Camargo.

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Sou assistente social e professora. Iniciei a militância no movimento estudantil, quando cursava serviço social. Durante essa caminhada tive a experiência de compartilhar a construção da organização de catadoras e catadores de materiais recicláveis em Curitiba e Região Metropolitana. Essa foi uma das vivencias mais importantes na minha trajetória, especialmente por encontrar muitas mulheres querendo se organizar e ao mesmo tempo com toda a sobrecarga a elas imposta.

Na condição de trabalhadora, numa condição precarizada, e já com 2 filhos, vivi a rotina de trabalhos distantes da minha moradia e que me obrigaram em certos momentos levar meus filhos em longos trajetos até o trabalho ou deixá-los aos cuidados de outras mulheres, que também viviam a mesma realidade que a minha. Pelo exercício profissional como assistente social me deparei com a criminalização das mulheres nas varas de família e infância, espaço de repressão e controle de mulheres, trabalhadoras, pobres e periféricas.

A minha militância se dá pela via da categoria de assistente sociais, tendo participado da construção de fóruns de politicas publicas e em conselhos e conferencias. Hoje sou militante do PSOL, estou licenciada, por causa da candidatura, da atual gestão do Conselho Regional de Serviço Social – CRESS PR. Como trabalhadora do poder judiciário, participei ativamente da greve de 2015 e estive junto com outras trabalhadoras e estudantes nas mobilizações e no massacre de 29 de abril.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

Penso que as mulheres são alvo de inúmeras violências, cotidianamente. Vejo com muita preocupação a criminalização da mulher nas medidas protetivas de crianças e adolescentes, por exemplo. Na maioria das situações, não se respeita a trajetória, não se conhece as violações pelas quais esta mulher passou ao longo da sua história e ela é condenada ao afastamento de seus filhos e filhas, ao enquadramento em serviços a que não oferecem a Proteção que ela precisa, que controlam o seu corpo, sua criatividade, suas emoções, seus Interesses… São muitos os desafios, e estou fazendo um recorte de uma população que não tem espaço para vocalizar toda essa opressão, mas a opressão de gênero é sentida por todas nos… Em cada passo. Então acho que precisamos nos organizar, cada vez mais e mais.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Penso um mandato que possa ser coletivamente construído, como possibilidade de vocalização das pautas feministas, da participação de coletivos, da visibilidade de mulheres trans, de mulheres periféricas. Da incorporação dessas pautas no conjunto de leis que transitam no legislativo, na função de fiscalização do legislativo sobre o executivo na garantia de serviços públicos que, de fato, ofereçam atenção às pautas feministas

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

As dificuldades são inúmeras. Porque elas não começam no processo eleitoral, elas vêm enraizadas na nossa educação, na expectativa socialmente construída sobre a mulher. A construção da mulher num espaço que é marcadamente de homens, heterossexuais e representantes de grupos mercantis, nos evidencia o que é este desafio. Mas também temos os desafios da vida privada, as tarefas de cuidadora nos imposta é também uma barreira, pois no mesmo momento que a mulher deveria estar na rua, conversando com as pessoas, construindo a campanha, ela esta preocupada se os filhos comeram, se tem uniforme, se estão cuidados…. Nesse contexto, ainda que tenhamos obrigação de respeito à cota de mulheres numa chapa de candidaturas, a possibilidade de construir uma campanha em pé de igualdade é irreal.