E quando o machismo vem da mulher?

Recentementente em nosso grupo de discussão,  foi abordado um assunto que sempre chamou a minha atenção e que afeta muit@s de nós, estejamos em  militância ou não, com muito mais frequência do que eu imaginava: como lidar com mulheres machistas?

Mulher Triste. Foto de Daniel Athie no Flickr.

Parece meio controverso mas é verdade,  há muitas mulheres machistas. E seus posicionamentos  se manifestam das mais variadas formas e intensidades.  Pode ser em família, em comentários que fazem a respeito de determinadas situações ou até mesmo quando evidenciam um certo desprezo pelas lutas que poderiam fazer valer muitos direitos a elas e a todas nós, pois muitas delas acham que o feminismo é uma luta ultrapassada, ou coisa de quem não tem o que fazer.

Alguns fatores contribuem bastante para que ainda haja tantas mulheres com este tipo de pensamento, que vão desde a velha mídia e suas ações que reforçam uma série de estereótipos até a influência da família. Boa parte das mulheres machistas não se reconhece como tal, mas reproduz uma série de clichês que são fundamentados  em idéias bastante preconceituosas. E quase sempre deixam de perceber que se há uma condição relativamente melhor para nós mulheres, que a liberdade que temos atualmente e que as escolhas que hoje podemos fazer foram graças ao Movimento Feminista.

Mas quais seriam as atitudes que evidenciam o machismo em uma mulher? Tive experiências muito desagradáveis com o machismo oriundo de  mulheres, até mesmo daquelas que me causavam admiração ou a quem manifestava apreço, ou que eram amigas de longa data.   E dentre tais experiências, as que mais se repetiram foram através de duras palavras.  Palavras até mesmo de ódio, agressivas, ásperas. Palavras capazes de denegrir e de ferir.  E foi difícil demais para mim aprender a lidar com isso.

Quando uma mãe educa uma menina de maneira diferente da que educaria um menino, fazendo com que a filha sempre ache natural lavar a louça do jantar enquanto o irmão joga video game na sala, por exemplo, é uma atitude machista. Quando pensamos que uma mulher  não tem o direito de não querer se casar e ter filhos, ou de não ser vaidosa, estamos sendo machistas. Quando questionamos se fulana ou ciclana obteve êxito em sua carreira por sua beleza e não por sua competência e esforço, é uma atitude machista.  Quando julgamos uma outra mulher pela quantidade de parceiros que teve, ou pelas roupas que veste, estamos a exercer uma atitude machista. Quando uma mulher acha inaceitável que seu marido/companheiro ganhe menos do que ela, ou que pensa que homem sensível é fraco ou pouco másculo, está a fazer um juízo de valor extremamente machista. E quando questionamos a nossa liberdade ou quando ignoramos os nossos anseios ou perspectivas com medo do que podem pensar de nós,  não tenhamos a ilusão de que não é influência do machismo. É sim, e muito forte.

Eu mesma assumo que já tive muitas idéias machistas. Vi e vejo casos do tipo o tempo todo, inclusive dentro da minha própria casa. E isto serviu para que eu repensasse as minhas atitudes, procurasse ter mais conhecimento e sair da minha “zona de conforto” mental. Por isso, convido principalmente as leitoras deste texto a refletirem se em algum momento de suas vidas, não reproduziram algum comportamento similar ao supracitado… Quantas mulheres machistas vocês conhecem?

Cláudia Gavenas

Paulistana, 23. Sem crenças ou time do coração. Designer, servidora pública, blogueira e eterna curiosa. Feminista. Amo gatos, música e livros. É isso.

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