Estereótipos de gênero, restrições e relato de minha experiência como uma garota

Recentemente, publicamos em nossa página no Facebook, a matéria: Estereótipos de gênero fazem mal à saúde física e mental de adolescentes; a Luh fez um comentário tão bom, que pedimos para publicar no blog.

Texto de Luh Basílio.

Ainda são precisos estudos pra apontar o que é óbvio pra quem se questiona sobre comportamentos impostos e pedidos de uma menina ao longo de sua vida. Em alguns momentos de questionamento que faço a mim mesma fui me dando conta de várias percepções – sobre mim, meninos e meninas e o que desejo para meu filho:

Quando criança eu gostava de ler, brincava de boneca e tal, mas também gostava de correr na rua, jogar bola, subir em árvore, já pulei o muro de casa, brincar e conversar tanto com meninos e meninas e jamais tinha parado pra pensar ou perceber profundamente o que era ser “homem” e “mulher”.

Em minha experiência de vida como menina/mulher, até hoje lembro a puberdade como a fase mais detestada da minha vida, não porque eu tivesse algum problema comigo realmente, mas porque comecei a perceber minhas liberdades infantis tolhidas.

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Sobre “destransição”, arrependimento e cisgeneridade

Texto de Beatriz Pagliarini Bagagli.

Discutir “destransição” sem se atentar para a discussão simultânea sobre a cisgeneridade compulsória e transfobia é leviano. Sim, tô falando sobre a matéria que saiu no Globo: Conheça a história de homens e mulheres que mudaram de gênero e, depois, voltaram atrás.

Centrar a problemática sobre as incertezas e as possibilidades de arrependimento que envolvem a transição sem antes assinalar as violências que envolvem a própria naturalização da cisgeneridade como a expectativa neutra sobre a vida das pessoas pode fazer funcionar relações de poder bastante perversas sobre pessoas trans. Isso porque é simplesmente um passo para adotar uma perspectiva que aloca a suposta origem dos sofrimentos psíquicos na identidade trans em si (o fato de alguém ter transicionado) e não nas estruturas de exclusão e estigma social que recaem sobre pessoas trans.

Exigir uma suposta “certeza” para que pessoas trans possam ter autonomia sobre seus corpos faz parte do mesmo circuito de poder que relega a certos corpos e expressões o posto de abjeção. Criar sistemas de veridição sobre a pretensa transexualidade “verdadeira” com base no argumento das “pessoas arrependidas” faz parte do mesmo sistema de poder que gera sofrimento para pessoas que se arrependem, para pessoas que vivenciam fluidez de gênero, que habitam a indeterminação em relação às suas identidades de gênero.

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Manifesto por um movimento lésbico feminista e anticapitalista e, por isso, transinclusivo, não bifóbico e não genitalizante

Reproduzimos em apoio o manifesto abaixo porque acreditamos que o feminismo significa a inclusão de TODAS as mulheres. A publicação original foi feita no Facebook.

Manifesto por um movimento lésbico feminista e anticapitalista e, por isso, transinclusivo, não bifóbico e não genitalizante

O movimento lésbico tem sido dominado por ideias que nos parecem nocivas para a nossa luta e para outras pessoas. Colocamos no texto abaixo alguns contrapontos que acreditamos que podem nos auxiliar em nossa organização.

Somos lésbicas

Somos mulheres que se relacionam com mulheres. Para trás de nós, há muita luta para podermos dizer isso publicamente, para podermos beijar nossas companheiras na rua, para podermos nos casar, adotar, estar inclusas em planos de saúde familiares, termos direito a ser acompanhantes familiares das nossas companheiras hospitalizadas etc. Reconhecemos e honramos nossa história e temos consciência de que temos ainda muitas batalhas pela frente para conquistar todos os direitos que merecemos e nos livrar das opressões que sofremos.

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