Não trabalhamos com o seu tamanho

Texto de Danielle Cony.

E as lojas agora decidiram diminuir o tamanho das roupas femininas. Embora a população brasileira venha engordando a cada ano, eis que as lojas dos grandes magazines, resolvem mudar os manequins adotando um padrão adolescente-infanto-juvenil como média de tamanho para as mulheres do meu Brasil. Alguém entende essa lógica?

Meu pai é estilista. Ele já viu muita coisa no mundo da moda. Ele me disse que teve que alterar todos os manequins e reduzir drasticamente o tamanho das roupas. Também disse que o novo modelo adotado era o antigo modelo infanto-juvenil. E por que? Porque continua vendendo (diz ele) e você tem uma redução do gasto de produção em quase 40%.

Entenderam? Não é você que não cabe na roupa. A roupa não foi feita para caber em você. Então, cara amiga, não se fruste ao tentar comprar nessas lojas. Não se sinta culpada pela roupa não entrar em você. Ela não foi feita para isso. O tamanho é para adolescentes!

Acho um absurdo não ter legislação alguma que regule e formato o tamanho das roupas. Vi uma reportagem no Jornal Nacional — Vestuário masculino vai ganhar novas medidas — onde a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) criou um padrão para os tamanhos masculinos. E nessa nova proposta de padronização roupas para obesos e homens com os ombros largos foram incorporadas a norma.

A mesma reportagem não falou nada sobre a padronização das roupas femininas. Por que será? Porque homens podem ser gordos. Mulheres não. É isso que fica bem claro na reportagem ao sequer mencionar o manequim feminino. Porque até agora não sei se a ABNT normatizou o vestuário feminino para incluir obesas.

Então, esqueça as grandes magazines. Porque toda mulher é um pouco alta, um pouco gorda, tem muito peito, tem pouco peito, tem grandes coxas, etc. A diversidade não existe no mundo da moda. Nesse mundo só existem cabides.