Professor ou Professora, eis a questão

A função de educador geralmente recai sobre as mulheres, derivando do estereótipo que mulher tem instinto para cuidar de crianças, enquanto homens não. Na educação infantil e no ensino fundamental elas são maioria, ensinando a falar, andar, escrever, ter autonomia e iniciar o aprendizado de diversas áreas. Os professores do sexo masculino nessa faixa etária, quando existem, lecionam atividades como educação física, informática, música, que apesar de também importantes não são obrigatórias a rigor.

Ou somente nos últimos anos do ensino fundamental surgem alguns raros ensinando as matérias mais “convencionais”. Nos colégios e cursinhos pré-vestibulares em contrapartida, eles são maioria quando não totalidade. Coincidentemente, a remuneração do professor aumenta conforme cresce a idade de seus alunos, sendo os professores dos cursinhos muito melhor pagos que as professoras das creches ou do pré-primário por exemplo.

Foto: Prefeitura de Gavião Bahia no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

No Brasil, para ser apto a lecionar legalmente, é necessário uma formação em pedagogia para ensinar crianças pequenas e uma faculdade com licenciatura para o restante dos alunos da escola formal. Ou seja, a professora de história do 6º ano estudou o mesmo que um professor da mesma disciplina, mas que ensina no ensino médio, embora seus salários sejam discrepantes.

É preciso ver aí a presença do machismo, primeiro com o mito de que homens não são capazes de cuidar de crianças pequenas, daí a ausência deles dos primeiros anos de ensino; segundo que quanto mais anos de estudo tem o aluno, mais preocupa-se com seu desempenho em questões de vestibulares e concursos públicos. Então, o ensino deve ser mais sério, mais rígido e mais conteudista, além do que, o professor de cursinho precisa exercer sua autoridade sobre uma classe maior, precisa controlar a aula, precisa impor respeito e ser respeitado.

Evidencia-se o fato de que quando uma mulher leciona, principalmente a rapazes e homens adultos, ela não impõe respeito, não tem sua autoridade respeitada. Isso é um sintoma social, de que de maneira geral, o sexo masculino se recusa a estar posicionado hierarquicamente inferior à uma mulher.

Vejam os cursos técnicos, os cursos mais conceituados, quantas professoras há?

Falta de interesse feminino em lecionar? Falta de capacitação? Não, improvável. O machismo da nossa sociedade agindo implicitamente? Pode apostar que sim.