#BlogFem entrevista candidatas feministas: Clara Gurgel

Esse mês, estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas feministas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Clara Gurgel é candidata a vereadora pelo PSOL na cidade de Guarujá/SP.

Site Oficial: Clara Gurgel. Perfil no Facebook: Clara Gurgel.

Enviamos as mesmas perguntas a todas as candidatas, mas Clara preferiu fazer um texto contando sua trajetória política e relatando suas propostas.

A minha politização começou muito precoce e dentro de casa através dos meus pais, principalmente da minha mãe que tinha uma agenda política intensa e fazia questão que a gente (eu e meu irmão) estivesse sempre com ela onde e quando fosse possível. Com essa estrutura não foi difícil dar continuidade à militância política. Política partidária, movimentos, ações, sempre fizeram parte do meu cotidiano. A militância feminista chegou mais tarde, através da conscientização do quanto ainda somos oprimidas e subjugadas por uma sociedade patriarcal e altamente machista.

Hoje, convergindo a militância política partidária e a feminista sou filiada ao PSOL/Guarujá onde ajudo a estruturar o Setorial de Mulheres. A candidatura foi consequência natural desse processo. Estamos há oito anos sem representatividade na Câmara do Guarujá e a necessidade de ter uma mulher no Legislativo que se comprometa com as nossas demandas é urgente. Apesar das conquistas que tivemos até hoje os problemas continuam e sempre perpetrados pelo machismo. Nesse momento, principalmente diante de um governo ilegítimo e golpista, onde o recrudescimento do conservadorismo e do reacionarismo grita, nós mulheres precisamos estar atentas e fortes. Nossos direitos estão sumariamente ameaçados, principalmente para a mulher pobre e negra, que é a que mais sofre todo tipo de opressão.

Em nível municipal a situação é precária. Não temos politicas públicas efetivas para mulheres, que atendam a demanda. Não há um planejamento específico que englobe Saúde, Educação, Segurança, Geração de Emprego e Renda. Não existe empoderamento, emancipação feminina se a mulher não pode contar com uma estrutura social que lhe sirva de suporte para esse processo. Por isso é tão necessário a representatividade das mulheres na Câmara. Uma mulher que tenha comprometimento com as nossas pautas é fundamental.

Entre tantas urgências, algumas pautas que pretendo viabilizar caso eleita são: a aplicação efetiva do Plano Nacional de Humanização, principalmente no que se refere à Saúde da Mulher: planejamento familiar, pré-natal, combate a violência obstétrica, puerpério, atendimento psiquiátrico e psicológico e geriatria. A criação de uma Vara Especial para dar celeridade aos julgamentos de casos de violência contra mulheres e crianças, a implantação da Patrulha Maria da Penha auxiliando e ajudando as mulheres que estão sob medida protetiva, o empoderamento e politização das jovens nas escolas, através de palestras, campanhas, discussão de gênero, orientação sexual, já que a escola é um campo fértil para identificação das questões que envolvem a opressão, os preconceitos, a homofobia, o sexismo, o racismo.

Sei que é uma empreitada difícil ser uma candidata, ainda mais sendo de um partido de esquerda numa cidade impregnada de partidos fisiológicos e pragmáticos, mas é preciso quebrar paradigmas. É preciso vencer o machismo que nos invisibiliza, nos descredibiliza a todo momento. Não é verdade que não participamos mais da política porque falta interesse. Isso é uma grande falácia. Não somos culpadas pela nossa participação mínima. Quando conseguimos vencer todos os preconceitos e as dificuldades e chegamos a um partido político ou organização política nos deparamos com mais machismo e discriminação. A política é o reflexo da sociedade e como tal é machista. Reverter essa situação também é meta. Cabe a nós que estamos no momento tomando a dianteira dessa transformação trazer as outras mulheres, mostrar que é possível, que lugar de mulher é onde ela quiser e, com certeza, é também na política.