Ninguém assovia para a mulher na cadeira de rodas

Texto de Kayla Whaley. Publicado originalmente com o título: “Nobody Catcalls The Woman In The Wheelchair“, no site The Establishment em 26/01/2016. Tradução de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Dentro dos espaços feministas, é assumido que #TodasAsMulheres experimentam assédio em locais públicos. As maneiras pelas quais esse assédio se manifesta — a idade em que começa, sua intensidade ou forma, as conseqüências de denunciar — podem variar dependendo das diferentes características da pessoa. Mas todas as mulheres, segundo nos dizem, conhecem o medo, a vergonha e/ou a raiva que vem junto com a atenção sexual indesejada.

É compreensível a existência dessa presunção. Quando trabalhamos a partir de um fato da realidade sendo uma verdade coletiva é mais fácil discutir as nuances, as diferenças e as complexidades envolvidas nesse miolo. É mais fácil construir discussões dinâmicas internas a partir da sólida base de uma experiência em comum.

Esta é uma suposição útil — mas também é prejudicial.

Eu sou uma mulher de 26 anos de idade que nunca foi assediada na rua. Eu nunca recebi assovios em meu caminho para a escola, ninguém buzinou para mim num estacionamento, ninguém me olhou de forma maliciosa num trem, não me apalparam na fila da Starbucks, ou qualquer outro tipo de assédio sexual que ocorrem em locais públicos. Eu não tenho medo de sair de casa porque terei que evitar homens agressivos ou insistentes. Eu não preciso mapear mentalmente várias rotas para casa, procurando locais onde eu possa ser menos abordada.

Eu não sei o que são o medo, a vergonha e/ou a raiva que vêm junto com a atenção sexual não desejada. Entretanto, uma parte de mim, que não é insignificante, deseja sentir isso.

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Sobre as Paradas da Diversidade: Precisa? SIM!

Texto de William Paranhos para as Blogueiras Feministas.

O senso comum, formado pelas mais variadas identidades, inclusive por LGBTQI’s, sempre traz este questionamento ao falarmos sobre uma Parada da Diversidade. Vigora aquele pensamento de que não é algo necessário, porque expõe, porque é “demais”, porque isso passa uma imagem à sociedade de que seríamos nós promíscuos, pois num ato vamos às ruas cantando, dançando, festejando, beijando, mostrando nossos corpos e nossos seres.

As paradas são um ato político. Político sim, pois somos constituídos pela política; somos seres políticos nas nossas relações sociais. Político também por ser um ato de resistência. Decidimos levar às ruas nossa cultura, nosso jeito de ser, a fim de termos visibilidade.

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Um brinde à sua saúde: 5 dicas para mulheres bissexuais melhorarem sua saúde e bem estar

Texto de Audrey Faye. Publicado originalmente com o título: “Here’s To Your Health: 5 Ways Bisexual Women Can Pursue Better Health & Wellness”, no site Autostraddle em 31/03/2015. Tradução de Jéssica Alves e revisão de Bia Cardoso para as Blogueiras Feministas.

Os números são evidentes: mulheres bissexuais correm maior risco de terem a saúde mental e física prejudicadas, estão mais propensas à pobreza, vício, violência e, com frequência, estão sujeitas à discriminação dentro do sistema de saúde. Porém, não somos obrigadas a aceitar assistência médica de baixa qualidade ou negligência. Felizmente, a Comunidade Bi está se unindo para propor melhorias na conscientização e no acesso ao sistema de saúde.

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