Uma revolução em que se possa dançar

A luta é diária: são participações em conferências, organização de eventos, marchas, estudos, blogagens coletivas. Os obstáculos a vencer são sérios: violência, preconceito, condições desiguais de educação e trabalho. Descanso, propriamente, não há, porque a luta é uma forma de ver o mundo, e portanto ela ressoa mesmo quando não se está escrevendo, marchando, debatendo. Ela ressoa na vida pessoal, na forma como lemos livros, vemos filmes. Caem alguns véus e começamos a ver estruturas tão antigas que, de tão repetidas, foram naturalizadas.

Rainbow Party Balloons Bouquet. Foto de D. Sharon Pruitt no Flickr em CC, alguns direitos reservados.

Mas chega a hora em que é preciso parar – parar e celebrar. A anarquista Emma Goldman disse: “Se não posso dançar, não é a minha revolução”. É aí que, apesar do topo da montanha ainda estar longe, podemos olhar pra trás e ver o quanto já se avançou. As energias se renovam. E temos ainda mais certeza de que não estamos sozinhas. E não só para a luta, não. Para a vida.

Ontem foi dia de celebrar. Era pra ser o encontro de final de ano das blogueiras feministas de São Paulo. Acabou se tornando também uma festa-surpresa para o meu aniversário, uma celebração linda que não vou esquecer tão cedo, com pessoas maravilhosas, presentes fofíssimos, muita conversa boa, e, claro, bebidinhas e um gigantesco bolo de brigadeiro. Teve troca de presentes de amigo secreto, teve muita risada, teve distribuição de livros. Teve papo sobre a linguagem da Judith Butler e sobre astrologia. Teve marido representando papel perfeitamente pra aniversariante não descobrir, amigos (feministas no armário!) que não via há algum tempo, e muito amor vindo de todo lado. Teve de tudo, e tudo lindo, como dá pra ver no vídeo que a Ana fez:

Talvez seja a época do ano, com seus finais e recomeços. Talvez seja o aniversário, com, também, a mudança de ciclos que ele aponta. Mas esse marido, essas mulheres, essa caipirinha de morango, botam a gente comovida como o diabo.