Ela é sapatão…

Texto de Tamires Marinho para as Blogueiras Feministas.

De repente… onde está a garota talentosa? A aluna dedicada? A boa atleta? A menina inteligente? A filha carinhosa? A mulher bem-sucedida? Simplesmente, se vincula toda uma existência, ignorando todo o resto, a uma mera condição sexual. O que importa, não é mesmo? Ela é sapatão.

Enquanto produzia esse texto, numa conversa de boteco escutei um relato de uma amiga bem próxima, que elucida bem tudo que foi dissertado acima. Ela, uma moça muito responsável, profissional e competente, entrara numa nova empresa, devido a indicação de um parente. Tudo corria bem, mas sem muitos porquês e com desculpas esfarrapadas seu chefe a dispensou três meses depois. Ok, coisas da vida, não é mesmo? Deve ter sido por causa da crise. Na na ni na não, descobriu-se posteriormente pelo mesmo parente que a havia indicado, que o ex-chefe havia descoberto sua orientação sexual e que era esse o verdadeiro motivo de sua demissão.

Em palavras duras e diretas, não importa o quão gentil, empática, simpática, bondosa, uma mulher gay seja. No final de cada elogio, existira um… mas… “Que desperdício a moça é sapatão”… Meus amigos me falaram isso, meus pais me falaram isso, desconhecidos vivem me falando isso. Mais clichê? Impossível.

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Estudando para o vestibular através do YouTube: uma opção para mulheres que são mães

Texto de Renata Arruda para as Blogueiras Feministas.

Depois de se tornar mãe, continuar os estudos é uma tarefa muito mais difícil, principalmente para mulheres em situação de vulnerabilidade econômica e/ou que não têm uma grande rede de apoio. De acordo com um recente levantamento realizado pelo IBGE, dos quase 25 milhões de jovens brasileiros entre 14 e 29 anos que não frequentam a escola, 26,1% das mulheres estão nessa situação devido à necessidade de cuidar de afazeres domésticos ou de uma criança, idoso ou pessoa com deficiência. Esse número é 32 vezes maior que o dos homens, já que apenas 0,8% deles declarou estar fora da escola pelos mesmos motivos.

Outro estudo importante realizado pelo IBGE, o Aprendizado em Foco, revelou que do total de 1,3 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos fora da escola sem o ensino médio concluído, 610 mil são mulheres – 35% destas já eram mães. Dentre as mães, apenas 2% conseguiu dar continuidade aos estudos. Em 2013, os dados mostravam que 68% das adolescentes com filhos paravam de estudar antes de completar o ensino médio.

Ainda que, como apontado no primeiro parágrafo, não é apenas a maternidade que afasta as mulheres dos estudos, mas afazeres domésticos e familiares variados que as mantém ocupadas dentro de casa a maior parte do tempo e muitas vezes ainda as obriga a trabalhar desde cedo para manter a família, é sabido que o fato de se tornar mãe costuma ser o principal fator de alienação acadêmica das mulheres. Em um vídeo publicado pelo Coletivo de Pais e Mães da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (COPAMA – UFRRJ), uma estudante declara que seus pais a incentivaram a largar os estudos após ela ter engravidado enquanto cursava a graduação. “Por que você não começa a trabalhar e larga essas besteiras aí. Vai estudar pra quê? Você tem um filho agora”, foram as frases que ouviu. Internamente, o dilema: “Eu vou trabalhar para pagar alguém para ficar com eles? Vou perder meu diploma e o crescimento dos meus filhos”.

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Textos + Lidos de 2017

Em 2017, publicamos 81 textos. Tivemos mais de 30 autoras nesse espaço. Mulheres que querem falar e serem ouvidas. Esse é um movimento constante, sem volta. No mundo, cada vez que não nos deixam falar, nós gritamos. Vão nos ouvir de um jeito ou de outro, porque a onda do feminismo já se tornou um tsunami. Resistimos. Mais do que nunca, resistência é nossa palavra de ordem.

Entre os textos mais lidos, vemos assuntos que sempre atiçam debates acalorados na internet como a participação dos homens, machismo na televisão e na música. Porém, também vemos a mobilização das pessoas que nos leem contra os retrocessos. Em 2018, seguiremos apoiando a resistência feminista.

1. Aos queridos homens que desejam ser aliados das mulheres.

2. 11 anos da Lei Maria da Penha. 11 dados recentes da violência contra a mulher no Brasil.

3. BBB 2017: relacionamento abusivo como entretenimento televisivo.

4. PEC 29/2015: a ameaça do momento ao aborto nos casos já previstos em lei.

5. Sobre drag queens e o Feminino.

6. Quantos livros de mulheres trans será que Chimamanda já leu?

7. 6 canais de lésbicas no Youtube para você visibilizar sempre.

8. Sobre “destransição”, arrependimento e cisgeneridade.

9. E se o aborto fosse legalizado no Brasil?

10. Mulheres negras na política: maioria na sociedade, minoria nos espaços de decisão.

11. Sertanejo feminino: machismo para consumo das mulheres?

12. Pra você que acabou de se descobrir bissexual.

13. “Parece uma travesti” então tu és linda!

14. “Amamos mulheres independentes”. Amam? Até que ponto?

15. Onde estão as mulheres na reforma trabalhista?

[+] Rede independente: as iniciativas que produziram esperança em 2017.

Créditos da imagem: Abril/2017. Mulher protesta durante a Greve Geral contra a Reforma Trabalhista. Foto de Nacho Doce/Reuters.