Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres

Texto da Equipe de Coordenação das Blogueiras Feministas.

Hoje, 25 de novembro, é Dia Internacional de Combate à Violência Contra as Mulheres. O dia foi instituído no 1º Encontro Feminista Latino-americano e Caribenho, realizado em 1981, em homenagem às Irmãs Mirabal: Pátria, Minerva, e Maria Teresa, conhecidas como “Las Mariposas”, dominicanas que protestaram contra a ditadura de Trujillo, na República Dominicana, e foram brutalmente torturadas e assassinadas. Em 1999, a Assembleia Geral da ONU proclama essa data como o ”Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra a Mulher” incentivando todos os governos e a sociedade civil a extinguir com a violência que destrói a vida de milhares de mulheres nas nossas cidades.

Um dos cartazes de divulgação da Campanha 16 Dias de Ativismo 2014.
Um dos cartazes de divulgação da Campanha 16 Dias de Ativismo 2014.

Apesar de ser uma pauta que obteve avanços nos últimos anos, tanto no Brasil como no mundo, ainda é preciso falar e falar sobre esse assunto. Porque os números da violência doméstica e da violência sexual, que tem as mulheres como maiores vítimas, continuam muito altos e também porque temos que acrescentar dados sobre violência obstétrica, lesbofobia e transfobia. Além de outras estruturas sociais perversas que atingem as mulheres como o racismo, a gordofobia e o capacitismo.

Ainda é preciso falar que a violência não é apenas física, mas também psicológica. Ainda é preciso questionar porque a Lei Maria da Penha, apesar de seus 8 anos de existência, ainda não protege as mulheres. Por que as mulheres devem mudar totalmente suas vidas, largarem empregos e irem para abrigos quando ameaçadas pela violência de um ex-companheiro? Como enxergamos a vítima e como o Estado pode agir para proteger as mulheres e dar-lhes segurança?

Ainda é preciso dizer que saia curta não é razão para estupro. Ainda é preciso dizer que assédio em locais públicos também é violência. Ainda é preciso dizer que uma “cantada” muitas vezes é uma invasão, não importa a intenção. Ainda é preciso denunciar que violência não é tática de conquista. Ainda é preciso lutar para que os relacionamentos amorosos não sejam baseados na posse do outro.

A violência é parte cotidiana da vida de muitas mulheres. Lutar para que a sociedade compreenda a gravidade dessa situação é uma das principais ações de nosso trabalho como feministas. Por isso, hoje indicamos:

  • A Campanha 16 Dias de Ativismo: Uma mobilização mundial pelo fim da violência de gênero. Mobilização anual, praticada simultaneamente por diversos atores da sociedade civil e poder público engajados nesse enfrentamento. Desde sua primeira edição, em 1991, já conquistou a adesão de cerca de 160 países. Mundialmente, a Campanha se inicia em 25 de novembro, Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher, e vai até 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos, passando pelo 6 de dezembro, que é o Dia Nacional de Mobilização dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres. No Brasil, a Campanha acontece desde 2003 e, para destacar a dupla discriminação vivida pelas mulheres negras, as atividades aqui começam em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra.
  • O projeto Maria Conta. Estudantes de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) buscam, através do projeto final de graduação, contribuir para reflexões a respeito da violência contra a mulher e repensar práticas políticas e sociais. O Projeto convida mulheres para escreverem textos sobre violência contra a mulher. Podem ser relatos próprios ou reflexões, todos os textos são bem-vindos. O endereço de email é: projetomariaconta@gmail.com
  • A Campanha Chega de Fiu Fiu do Think Olga entra numa nova fase. Depois de lançar o Mapa Chega de Fiu Fiu que recebe denúncias de pessoas que tenham sofrido ou testemunhado assédio sexual e outras violências contra a mulher em todo o Brasil. A proposta agora é realizar com sua ajuda o Documentário Chega de Fiu Fiu. Baseado em dados da pesquisa e do Mapa Chega de Fiu Fiu, o documentário quer estabelecer um diálogo entre as vítimas, os que praticam o assédio e as especialistas no tema. Essa abordagem permite uma visão completa sobre o assunto, investigando suas causas, suas motivações, seu contexto social e soluções para a violência. O projeto está aberto para contribuição no Catarse.

Vídeo – Documentário Chega de Fiu Fiu: Campanha Catarse.

+ Sobre o assunto:

[+] Esta semana está acontecendo o 13° Encontro Feminista Latinoamericano e do Caribe. Você pode acompanhar as notícias no site da Universidade Livre Feminista.